Inês Melo e Faro
A Pixar, mais uma vez, levou às salas de cinema um filme brilhante, capaz de emocionar miúdos e graúdos. Depois de dar vida a brinquedos (Toy Story), personificar peixes (À Procura de Nemo), monstros (Monstros e Companhia) e ratos (Ratatouille), Divertida-Mente é o resultado da personificação das emoções. Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Repulsa vivem dentro da mente de uma criança de 11 anos, Riley: é, sem dúvida, uma ideia genial, com um guião brilhante, elaborado por Pete Docter, Meg LeFauve e Josh Cooley.
De facto, a originalidade e a genialidade do filme advêm de uma narrativa que, não só de uma forma divertida, mas também pedagógica, retrata a maneira como atuam as emoções numa pré-adolescente. A ação principal decorre, quando a Alegria e a Tristeza se perdem no sistema nervoso de Riley, levando-nos a uma aventura vertiginosa que conduz a uma reflexão sobre o que significa crescer, através das peripécias vividas por estas duas emoções. Docter, segundo Jorge Mourinha, numa crítica que escreveu para o jornal Público, trata estas cenas “com enorme delicadeza e sentido de humor”. E fá-lo de forma surpreendente e inigualável: com estas peripécias, o filme transmite que as figuras da Alegria e da Tristeza não são necessariamente opostas, não se excluem e acabam mesmo por ser dependentes uma da outra.
Para além disto, Pete Docter resgata a Tristeza de um negativismo que lhe está associado, ao torná-la numa personagem fulcral para o funcionamento do sistema emocional de Riley. Quando a Alegria revive as memórias essenciais – as memórias mais importantes que definem a personalidade de Riley -, percebemos que por detrás dos momentos alegres, a Tristeza teve sempre um papel muito importante e mesmo imprescindível. Como na vida real. Quando perdemos alguém de quem nós gostamos, aquilo que sentimos primeiro é tristeza; todavia, com o passar do tempo, ficamos felizes quando nos lembramos dos momentos que passámos com ela e guardamo-la como “memória essencial” do nosso sistema nervoso.
Divertida-Mente parece simplificar o que temos de mais complexo. Desfaz tabus e abre novos caminhos de reflexão, interpretação e compreensão da mente humana. Não obstante, ou talvez por isto, a classificação para maiores de seis anos parece soar estranha, posto que existem momentos no filme que só os adultos perceberão e apreciarão na sua totalidade. Isto torna este filme divertido para as crianças e emocionante para os mais velhos. Arrisco, pois, ajuizar esta animação da Pixar como um filme sem idade que nos brinda com novas prespetivas dependentes da idade, da companhia e do estado de alma com que o visualizamos. Um desafio sempre novo e atrativo!
Assim, na minha opinião, Pete Docter trouxe a Pixar de volta às histórias como Toy Story ou Up Altamente: histórias cativantes e geniais que fazem pensar e que levam famílias com mais vontade ao cinema. Sem sombra de dúvida, um filme obrigatório, que traz uma nova leitura daquilo que se passa dentro das nossas cabeças. Afinal… a nossa mente é mesmo divertida!
Foto: pesquisa Google
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