A compra de imóveis e, na maioria dos casos, as consequentes obras de beneficiação ou melhoramento são, hoje em dia, uma constante na cidade do Porto. Para não falarmos na especulação imobiliária e em outros casos a ela direta ou indiretamente relacionados, vem, agora, ao de cima o sem-número de obras em imóveis através de empresas de construção civil, principalmente, de média e pequena dimensão que, às escondidas, e numa correria desenfreada contra o tempo, não respeitam nem horários (08h00 às 20h00) nem dias nos quais são proibidas a realização de tais trabalhos (sábados, domingos e feriados).
Se uns aproveitam as férias e o bom tempo para restaurarem as suas casas, outros há que, depois de comprarem um imóvel (em qualquer altura do ano), não olham a meios para deixaram-no preparado para o arrendar temporariamente aos muitos turistas que visitam a cidade. Para tal – e de acordo com diversos alertas dos nossos leitores, que recebemos por e-mail – não querem saber de regras, mesmo tendo conhecimento que não podem trabalhar à noite, assim como aos sábados, domingos e feriados.
Escondidos em pequenos bairros ou “ilhas”, os “novos” proprietários estão pouco preocupados com os vizinhos, assim como as “empresas” de construção que contratam (à base de tarefeiros) para realizar as obras. Iniciam, normalmente, os seus trabalhos pelas 07h30, e só os interrompem para almoço, para, depois de os retomarem, trabalharem muitas das vezes até às 22 horas, quando por lei, só o podem fazer até às 20.
Entretanto, deixam as pequenas ruas ou vielas cheias de entulho, ao mesmo tempo que o barulho ensurdecedor das rebarbadoras, martelos automáticos e coisas mais, vão dando cabo da paciência da vizinhança. Vizinhança que só, timidamente, por medo de represálias, chama a Polícia Municipal.
“Casa por acabar” foi alugada a estrangeiros
“Esta casa foi comprada em março, desde essa altura até meados de julho, fizeram-se obras todos os dias, menos ao domingo. Chegavam aqui às 07h30 e começavam logo a fazer barulho, com martelos ou coisa do género, e depois do almoço voltavam para estarem aqui até às nove e meia de noite. Isto sem respeito pelos vizinhos que queriam descansar depois de regressarem dos seus trabalhos; que tinham, e têm, crianças de colo e por velhos que estão acamados, eles faziam o que queriam… até um dia em que tive de chamara a Polícia Municipal pois preparavam-se para trabalhar a um sábado. A Polícia veio e durante algum tempo foi cumprida a lei. Mas, para mal dos nossos pecados, as obras são de Santa Engrácia, e, mesmo assim, o indivíduo já alugou a casa. É por demais!”, relatou-nos um leitor, a residir num bairro perto da estação de Metro do Heroísmo..
O “Etc a Tal jornal” contactou o Sindicato da Construção de Portugal sobre este problema, mas, até ao momento, não obteve qualquer resposta, até porque gostaríamos de saber em que condições laboram os “profissionais” contratados para este tipo de obras, cujos os responsáveis atuam ignorando, pura e simplesmente a lei.
“Nós compreendemos que as obras têm de ser feitas, mas eles também têm de compreender que estamos em casa para descansar, e que há regras que têm de ser cumpridas. Isto não é o quero, posso e mando! Era o que faltava!”. Um dos desabafos de um outro leitor, enquanto que os (ir)responsáveis continuam a desassossegar quem tem, por direito, ao sossego.
Texto: JG
Fotos: EeTj e pesquisa Google
01set18
