Menu Fechar

Festival Literário de Ovar… vai-se consolidando!

A 4.ª edição do Festival Literário de Ovar (FLO) promovido pela Câmara Municipal de Ovar e organizado, e coordenado pelo escritor ovarense Carlos Nuno Granja, como seu diretor deste a 1.ª edição, realizou-se entre os dias 13 e 16 de setembro, tendo como palco habitual o jardim Cáster em que decorreram onze painéis de discussão, sessões de interpretação de poesia, sessões de contos, workshops de ilustração e os muitos espaços de conversa que neste evento sempre se proporcionam entre escritores e leitores, este ano com cerca de 40 escritores participantes.

“Foram quatro dias de grande amizade, com os livros, entre os livros, para todos”, como destacou o seu diretor, a quem os diferentes intervenientes na programação do FLO foram deixando palavras de amizade, incentivo e reconhecimento pelo trabalho persistente do Carlos Nuno Granja, na afirmação e dedicação à leitura e literatura através de eventos como este, na opinião deste escritor, se vem revelando “…a consolidação de um evento com cariz alternativo no programa nacional dos eventos literários”. Uma convicção partilhada pelos autarcas que, no final deste FLO renovaram a confiança no seu reconhecido dinamizador, Carlos Nuno Granja, para a próxima edição em 2019.

???????????????????????????????

A abertura deste certame literário, com a presença do vereador da cultura, Alexandre Rosas e do presidente do Município de Ovar, Salvador Malheiro, para quem esta edição do FLO se insere “numa programação cultural dinâmica, arrojada, diferenciadora e para vários e diversificados públicos”, foi assinalada pela apresentação do volume 4 do livro “Dicionário da História de Ovar” de Alberto Sousa Lamy. Uma obra que segundo o seu autor, se propõe “rever”, “aprofundar” e mesmo “acrescentar” alguns elementos históricos à sua investigação compilada nos três volumes que tinham sido editados pela Câmara Municipal de Ovar em 2009, e agora, o atual executivo assumiu também a edição do 4.º volume em que o advogado, escritor e historiador, natural de Ovar (19/11/1934) consolida memórias e histórias que enaltecem o povo de Ovar, destacando os vareiros que colonizaram todo o litoral até Olhão, dando origem a várias comunidades piscatórias.

Com a conferência de abertura do FLO marcada por uma plateia interessada, a primeira mesa de conversa reuniu o jornalista e escritor Luís Carlos Patraquim, para quem “escrever é estar contra a barbárie”, e o juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça, Álvaro Laborinho Lúcio, que foi secretário de Estado da Administração Judiciária e deputado à Assembleia da Republica, que insistiu não se sentir ainda um escritor. Foram os intervenientes nesta Mesa 1 moderada por Bruno Henriques, partindo do escreto de Raúl Brandão “Nossa vida é sempre um monólogo de interesse e de sonho”.

Foram quatro dias de encontros e reencontros, entre conversas paralelas que a programação do FLO proporcionou entre escritores e leitores que foram procurando partilhar os momentos, segundo a composição de cada uma das 11 mesas, para assistir, dialogar ou obter um autógrafo dos seus autores preferidos, que tiveram o privilégio de conhecer melhor e pessoalmente ao vivo.

???????????????????????????????

Entre as muitas conversas, estiveram, Fernando Pinto Amaral, autor de “Poesia Reunida 1990-2000” e Fernanda Mira Barros, editora dos Livros Cotovia, na Mesa 4 sob o tema “Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo”, moderada por Marcelo Teixeira, editor. Ou a Mesa 10 que acabou reduzida à jornalista Filipa Martins, que recebeu o Prémio Revelação em 2004, na categoria de ficção, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores (APE), com “Elogio do Passeio Público”, numa conversa moderada por João Morales, o também profissional da imprensa, que procurou respostas para a pergunta, “Não poderá admitir-se que seja antes às interrogações eternas do homem eterno que a literatura procura responder?”, segundo José Régio.

???????????????????????????????

Entretanto, as atenções na tarde do último dia do evento literário em Ovar, começaram a centrarem-se na conversa com Carlos Fiolhais, o autor de mais de 150 artigos científicos publicados e 60 livros, entre os quais de divulgação de ciência.

Com moderação da poeta, ensaísta e professora, Maria João Cantinho, a participação de Carlos Fiolhais, distinguido com o Grande Prémio Ciência Viva de 2017 e o Prémio José Mariano Gago de 2018 da Sociedade Portuguesa de Autores, antecipou o redobrado entusiasmo do público, nesta fase de encerramento da 4.ª edição do FLO, que terminaria com a Mesa 11, que reuniu Pedro Guilherme-Moreira e Rodrigo Guedes de Carvalho, com moderação de Victor Oliveira Mateus, autor de poesia, que lançou a debate a afirmação de Agustina Bessa-Luís, “Custa tanto escrever um bom livro como um mau livro; mas só merece respeito a Arte que é em nós uma imposição, um destino, um fogo inconsumível de espírito, ainda que a obra, relativa à nossa exigência, nos pareça medíocre”.

???????????????????????????????

Este e vários outros temas lançados em cada Mesa ao longo dos quatro dias, foram abordados em ambiente informal e descontraído, numa proximidade com os leitores que caraterizam tais eventos, em que o diretor do FLO se tem destacado e assumido, quando afirma que, “este evento busca a promoção e a consolidação da leitura, afirmando a importância da literacia na construção de uma identidade e do pensamento livre em constante reflexão, algo que só os livros nos podem conceder”, por isso concluiu, “a continuidade de aposta na cultura e num evento literário dão corpo a uma visão mais abrangente da atualidade e da constante evolução dos nossos tempos”.

Texto e fotos: José Lopes

01out18

 

 

Partilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.