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“SERRALVES”: DEMISSÃO DE JOÃO RIBAS DA DIREÇÃO DO MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA CONTINUA A DAR QUE FALAR! FOTOS COM SEXO EXPLÍCITO DA AUTORIA DE MAPPLETHORPE… NO CENTRO DA POLÉMICA

A demissão, no passado dia 21 de setembro, de João Ribas de diretor artístico do Museu de Arte Contemporânea de Serralves pelo facto de já “mão ter condições para continuar à frente da instituição”, como o próprio revelou, em primeira mão, ao jornal “Público”, deveu-se, essencialmente, ao facto de a administração ter limitado a idade de 18 anos a uma parte da mostra dedicada ao fotógrafo estadunidense Robert Mapplethorpe, e ter imposto a retirada de determinadas obras com conteúdo sexual explícito.

Foto: NaM
Foto: NaM

Antevendo a possibilidade da polémica que veio, na realidade a acontecer, Ribas tinha oportunamente avisado que, na referida exposição não haveria “censura, obras tapadas, salas especiais ou qualquer outro tipo de restrição a visitantes de acordo com a faixa etária”, salientou o “Público”.

Polémica confirmada, confirmada também foi a ausência do fotógrafo português Daniel Blaufuks para efetuar uma visita guiada à mostra de Mapplethorpe, isto porque – e de acordo com o que escreveu na sua página no facebook – “é absolutamente inaceitável as noticiadas restrições”.

Foto: NaM
Foto: NaM
Foto: CM
Foto: CM
Foto: NaM
Foto: NaM

Esta exposição reúne cerca de 180 imagens que percorrem toda a carreira de Robert Mappethorpe, incluindo retratos de Richard Gere, Iggy Pop e, entre outros, da amiga e cantora, Patty Smith, mas também de imagens sexualmente explícitas.

DE salientar, que no dia 20 de setembro,, João Ribas tinha acompanhado o repórter da TSF, Rui Tukayana, numa visita precisamente a esta mostra de fotografia. Durante esta visita, o diretor artístico demissionário explicou que não cabe a Serralves condicionar o que os visitantes veem e que essa é uma escolha do público

O sexo é um tema constante em toda a exposição e em todas as salas há nudez e temas homoeróticos, sendo que uma delas é mesmo dedicada ao sadomasoquismo. À entrada há avisos para o conteúdo explícito e até a fundação Mapplethorpe chama a algumas dessas imagens «desafiantes». A função do museu é representar as complexidades do nosso tempo e é fazer isso com bom senso e dando oportunidade a todos de poderem ver a exposição”, disse João Ribas.

Rui Moreira pede reunião urgente do Conselho de Fundadores

Foto: PNS (EeTj)
Foto: PNS (EeTj)

Entretanto, o presidente da Câmara Municipal do porto, Rui Moreira, dirigiu, no passado dia 25 de setembro, ao presidente do Conselho de Fundadores da Fundação de Serralves, uma carta pedindo-lhe para convocar aquele órgão com caráter de urgência, por forma a avaliar a questão suscitada acerca da exposição do artista Robert Mapplethorpe.

Na missiva dirigida a Braga da Cruz, e segundo o “Porto,”, Moreira lembra que “a Fundação Serralves tem sido alvo de notícias em órgãos de comunicação social nacionais e internacionais e de diversas manifestações públicas suscetíveis de afetar a sua imagem e reconhecido prestígio, a propósito da exposição do artista Robert Mapplethorpe, que decorre no seu Museu de Arte Contemporânea”.

Recorde-se que a Câmara Municipal do Porto tem assento, por Decreto-Lei, no Conselho de Fundadores, que reúne ordinariamente uma vez por ano, mas que pode ser convocado extraordinariamente pelo seu presidente ou a pedido do Conselho de Administração.

Conselho de Administração da “Serralves” desmente ter existido “qualquer ato de censura”

Foto: "Visão"
Foto: “Visão”

E o Conselho de Administração (CA) da Fundação de Serralves  acabou por desmentir, no passado dia 26 de setembro, em conferência de imprensa, no Museu de Serralves, no Porto, que tenha existido qualquer ato de censura no conteúdo ou na disposição da exposição de “Robert Mapplethorpe: Pictures”, inaugurada na semana passada, dia 20, e que terá originado a demissão do seu curador e diretor artístico, João Ribas.

“Em Serralves não há, nem nunca houve, nem nunca sob a nossa responsabilidade haverá censura, mas também não haverá complacência com a falta de verdade nem fuga às responsabilidades”, salientou Ana Pinho, Presidente do CA, negando que tenha existido qualquer “interferência no trabalho de programação e curadoria” desta exposição, reafirmando que “as fotografias expostas foram escolhidas exclusivamente pelo curador”, reportou a revista “Visão”.

“O CA não mandou retirar quaisquer obras da exposição e desconhecia quais as fotografias pré-selecionadas além das que estão expostas”, afirmou Ana Pinho. “O próprio diretor do museu propôs que a exposição Robert Mapplethorpe tivesse um núcleo mais reservado, no final do percurso expositivo, dedicado às obras mais sensíveis”, propondo ainda que “esse espaço reservado tivesse um esclarecimento à entrada sobre o seu conteúdo específico”.

Ainda segundo a revista “Visão” – e socorremo-nos desta revista porque o Etc e Tal jornal não foi convidado a estar presente na referida conferência de imprensa – o presidente do Conselho de Administração da Fundação de Serralves reconheceu, no entanto, que “a alteração do texto na sinalética” – que começou por proibir a entrada numa sala com obras de carater sexual a menores de 18 anos e depois foi substituído por outro “mais adequado”, permitindo a entrada de menores quando acompanhados pelos respetivos representantes legais – foi feita em virtude da constatação do vazio legal sobre esta matéria. Isabel Pires de Lima reforçou que “a própria arquitetura da exposição” previu sempre “uma sala de reserva”.

José Pacheco Pereira, um dos membros do CA presente na conferência de imprensa, juntamente com Ana Pinho, Isabel Pires de Lima, Manuel Cavaleiro Brandão e Manuel Ferreira da Silva, reforçou esta necessidade: “Numa instituição que é visitada por milhares de crianças, não podemos correr o risco de pais e professores processarem Serralves pela apresentação de obras que eles considerem chocantes.” O historiador saiu ainda em defesa da gestão da atual Presidente do CA: “Nunca vi ninguém num Conselho de Administração que trabalha pro-bono defender tanto Serralves como Ana Pinho.”

Ana Pinho, que se recusou a comentar quaisquer outras questões, nomeadamente, em relação à programação para 2019 e ao programa paralelo previsto para a exposição do artista e fotógrafo norte-americano, esclareceu não ter conversado pessoalmente com João Ribas acerca da sua demissão que terá sido feita, primeiro, por um SMS e depois através de um emailm refere a “Visão”.

João Ribas reage com “Verdade e Liberdade”

Reagindo á referida conferência de imprensa, João Ribas, o diretor demissionário, num comunicado enviado às redações, intitulado “Verdade e Liberdade”. Nele, diz não ser “admissível que a liberdade e a autonomia do Diretor sejam desrespeitadas”. E que o cargo “é incompatível com ingerências, pressões ou imposições que limitem a sua autonomia técnica e artística”. E vai mais longe: “Foram-me impostas, enquanto Diretor do Museu e no contexto da exposição Robert Mapplethorpe: Pictures, restrições e intervenções que criaram um ponto de rotura em termos de autonomia artística e de uma atividade de programação livre de intromissões ou repreensões.”

 

Texto: EeTj

Fotos: Pedro N. Silva (PNS – Arquivo EETj),  NaM (Notícias ao Minuto), CM (Correio da Manhã) e pesquisa Google

01out18

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