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ESTARÃO AS ZONAS RIBEIRINHAS DE OVAR PREPARADAS PARA A ÉPOCA DAS CHUVAS?

A paisagem já não é estranha e tornou-se mesmo uma prática habitual em plena cidade de Ovar, assistir ao estado aparentemente contraditório, entre o cenário verdejante que domina as várias linhas de água, entre o Rio Cáster ou a Ribeira da Graça e o visível assoreamento que se acentua com particular relevo, nas áreas a montante e a jusante do Parque Urbano, uma vez que ao longo do percurso deste Parque na cidade as medidas preventivas vão sendo atenuadas com pontuais intervenções de limpeza das margens e leitos do Rio Cáster que o atravessa com caudal de água reforçado por várias ribeiras que nele desaguam em pleno Parque Urbano.

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José Lopes

(texto e fotos)

No caso do Rio Cáster chega a ser caricato o abandono a que foi votado o local do açude mesmo à entrada do Parque Urbano a norte, quando ainda antes da existência deste espaço verde da cidade, a zona do açude beneficiava de atenção dos serviços do Município de Ovar, com intervenções de manutenção da área verde envolvente e de persistente desassoreamento do leito do rio, que tem nascente em Santa Maria da Feira e durante várias décadas foi alvo de descargas de resíduos de fábricas de papel e outros produtos poluentes. Atentados que foram significativamente erradicados, nomeadamente com o desaparecimento da industria de papel no concelho, mas que pontualmente ainda persistem com origens, ou por esclarecer, ou devidamente identificadas como descargas de focos poluidores que não passam despercebidos a quem procura qualidade de vida nesta zona nobre da cidade de Ovar.

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Ainda que se registem muito menos focos de poluição noutras linhas de água, como a Ribeira da Graça, o seu leito na passagem pelas traseiras do Mercado Municipal de Ovar, também continua a proporcionar, não um “espelho de água” como ali era suposto junto a uma área imobiliária, mas uma paisagem decorada pelo verde que cobre o largo leito da Ribeira antes de desembocar no Rio Cáster, que segue depois até à não menos assoreada Foz ou “Boca do Rio” na Ribeira.

Assim a jusante do Parque Urbano nem mesmo a zona igualmente de lazer com as margens do Rio Cáster beneficiadas escadarias em pedra e pontes pedonais, que fazem ligação entre o Largo Sra. da Graça e a ponte do Casal, Fonte Júlio Dinis ou Escola de Artes e Ofícios. Equipamentos que se interligam numa paisagem de aparente desleixo, tal é a mancha verde que se observa em pleno leito e nos campos que por ali ainda persistem e a jusante da ponte do Casal se consolidam com campos de milho em ambas as margens do Cáster camuflado por velhas árvores de salgueiros, que assinalam o percurso do rio até à ria.

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Os cenários aqui abordados estão localizados nos tradicionais “leitos de cheia”, que ganham particular importância no Lugar do Casal nas épocas de chuvas e de inundações com subida das águas nas margens. Razões que justificariam medidas preventivas de planeamento para eventuais fenómenos naturais, a exemplo aliás dos que aconteceram nos primeiros anos do século XXI, com destaque para o mais destruidor de equipamentos e infraestruturas no ano 2001. Riscos de inundações que em parte são agora atenuados com a capacidade de concentração de água nos açudes do Parque Urbano dada a sua morfologia, ainda que tal sistema não seja compatível com leitos assoreados a montante e jusante.

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Das entidades competentes esperam-se naturalmente medidas preventivas, considerando o aproximar das épocas das chuvas, mas a exemplo de anos anteriores, estas paisagens deprimentes não têm como prática a limpeza anual. A tendência é arriscar na probabilidade de que o inverno não seja assim tão rigoroso, e entretanto as correntes mais fortes irão arrastando até à Foz do Rio Cáster os detritos que também aumentam o seu igualmente nefasto assoreamento.

01nov18

 

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