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Museu de Ovar: Afonso Reis Cabral conversou sobre o seu mais recente livro “Pão de Açúcar”

Apresentado como o jovem escritor, vencedor do Prémio Leya (2014) com o livro “O Meu Irmão”, Afonso Reis Cabral alcançou o sucesso, que, “há escritores mais velhos que almejam tal Prémio e tu recebeste-o aos 24 anos”, começou por destacar o moderador de mais uma tertúlia Conversas Úteis no Museu de Ovar, Carlos Nuno Granja, entre as primeiras referências ao convidado da noite do dia 10 de outubro, que veio conversar e apresentar o seu mais recente livro “Pão de Açúcar.

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Com dois romances publicados, Afonso Reis Cabral, que tem agora 28 anos, rapidamente prendeu a atenção dos leitores presentes, numa conversa em que fez a ponte da sua escrita entre o primeiro e o segundo romance. Nomeadamente a experiencia de escrever ao mesmo tempo que tirava um Mestrado e trabalhava em part-time na área editorial em que foi revisor e editor, reconhecendo o autor que a candidatura ao Prémio Leya, “funcionou como um objetivo, para ter um prazo para acabar o livro”, caso contrário, acrescentou, “ou esperava mais um ano para me candidatar”.

A tertúlia em Ovar integrou o peripto do escritor ao norte, em que no dia anterior tinha estado no Porto, no Café Rivoli, para lançamento do livro “Pão de Açúcar”, editado pela Dom Quixote que promoveu uma conversa com o autor e Pedro Abrunhosa, moderada pelo jornalista Valdemar Cruz, para abordar o tema deste seu livro baseado num crime que aconteceu no Porto, em fevereiro de 2006. Conversa que no habitual ambiente informal que caraterizam estes eventos no Museu de Ovar, animou e despertou os presentes para as temáticas das suas duas principais obras literárias, merecedoras de atenção da crítica.

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Sobre o livro “O Meu Irmão”, com que venceu o Prémio Leya, trata-se de um romance que fala sobre a relação entre dois irmãos, um deles com síndrome de Down. Uma realidade que este escritor, trineto de Eça de Queirós, conhece na vivência familiar com o seu irmão, que acabou por facilitar a abordagem do tema, sem negar o “sentimento de dor” para entrar na mente do narrador. Sentimento de dor que foi particularmente difícil no caso do “Pão de Açúcar”, cuja história que agarrou e pesquisou, sobre o caso verídico do assassinato de Gisberta, transexual, ocorrido em 2006, pelas mãos de 14 miúdos, após dias de agressões.

Uma surpreendente escolha do tema pelo jovem escritor, que reconheceu nesta conversa em Ovar, “cheguei a ter pesadelos…”, referindo-se a este seu livro em que usa a base real dessa história para a ficção e em que, como afirmou, “incluí um capítulo com a vida de uma amiga da Gisberta”, a quem o autor recorreu para escrever mais este livro, que, como sublinhou, “vive de conseguir descobrir esta realidade”. Uma história em que ao contrário dos 14 rapazes que estiveram envolvidos, o escritor preferiu centrar em “seis personagens, como microcosmo daquela história”, afirmou Afonso Reis Gaspar, que teve necessidade de ir várias vezes ao local do crime. Um abandonado edifício que era exatamente designado por “Pão de Açúcar”.

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Afonso Reis Cabral, nasceu em Lisboa a 13 de março de 1990, e cresceu no Porto, frequentado aí o Colégio Cedros e depois a Escola Secundária Rodrigues de Freitas, vindo a formar-se em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Universidade Nova de Lisboa, em que obteve também o mestrado em Estudos Portugueses. Aos 15 anos começou por publicar o seu primeiro trabalho, um livro de poesia “Condensação”, reunindo aí poemas que escreveu desde a idade dos nove anos.

Texto e fotos: José Lopes

01nov18

 

 

 

 

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