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Pedro e Inês: uma história de amor vezes três

Inês Melo e Faro

A história de amor de Pedro e Inês continua a dar que falar nos dias de hoje. António Ferreira, a partir do romance de Rosa Lobato Faria, “A Trança de Inês”, constrói uma longa-metragem onde explora o mais famoso amor proibido português.

A narrativa decorre em três tempos diferentes: o passado, o presente e o futuro. Em todos eles, existe um Pedro e uma Inês, interpretados pelos mesmos atores, Diogo Amaral e Joana de Verona, respetivamente, que vivem um amor proibido na sua época. Os traços gerais da história são os mesmos: Pedro e Inês conhecem-se, apaixonam-se, a rapariga engravida e morre.

Na verdade, o filme retrata três histórias diferentes, com um início, meio e fim, mas que se complementam umas às outras. É uma narrativa bem construída, com as histórias interligadas de forma genial. Consegue-se perceber o que se passa em todos tempos, através das cenas de cada um.

Para além disto, a interpretação de Diogo Amaral traz ao filme uma carga emocional muito grande e um dramatismo fascinante. Por outro lado, Joana de Verona, na minha opinião, não conseguiu transmitir a essência da personagem. Ainda sobre a interpretação das personagens, temos o trabalho de Vera Kolodzig que deu vida a Constança de uma forma bastante positiva.

pedro e ines - filme

Efetivamente, António Ferreira conseguiu, sem dúvida nenhuma passar a intensidade do amor das duas figuras principais e, com uma grande dose de realismo produziu cenas fortes que não deixaram ninguém na sala indiferente. E foram três cenas em particular que me fizeram contorcer toda na cadeira. A primeira diz respeito à vingança do infante D. Pedro ao matar os assassinos de D. Inês retirando-lhes o coração e dando uma trinca. Confesso que chegou a um ponto em que tive de fechar os olhos. Depois, a cena em que, no tempo do futuro, Pedro retira o filho da barriga de Inês quase morta. E, por fim, também no tempo da história real, o momento em que D. Pedro, movido pela loucura que a morte de D. Inês lhe provocara, obriga o povo a beijar a mão do cadáver decomposto da amada. Todas estas cenas transportam uma carga emocional muito grande e tanto António Ferreira como os atores fizeram um trabalho que se aproxima muito da perfeição.

Segundo o meu ponto de vista, a primeira parte do filme está um pouco confusa. É difícil perceber como os enredos se ligam uns com os outros. A única coisa em comum que consegui encontrar foi mesmo os nomes das personagens. Mas acredito que tenha sido de uma forma propositada porque lá mais para a frente passamos entender tudo.

De uma forma geral, acho que está um trabalho muito bem conseguido. Foi passada a imagem de universalidade e intemporalidade do amor de Pedro e Inês. Para além disso, mostra como é fácil o amor levar à loucura. É, sem dúvida uma forma diferente e original de tratar a história do amor proibido como o de Romeu e Julieta.

Foto: pesquisa Google

01nov18

 

 

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