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A CIDADE DE “CORAÇÃO VERDE”…

Transformar uma área verde no coração da cidade de Ovar, local então abandonado no que toca ao cultivo agrícola, num Parque Urbano para ser usufruído em pleno pela população, foi um desafio concretizado no mandato autárquico socialista de 2009/2013 segundo projeto do arquiteto paisagista Sidónio Pardal, que criou uma significativa mancha verde ao longo de ambas as margens do rio Cáster com uma área de 7,5 hectares.

Uma obra ambiental que assentou na linha dos parques de tradição romântica que tem como elemento central o rio e espaços livres relvados e arborizados, que se vão consolidando, proporcionando espaços para atividades lúdicas e recreativas, físicas e desportivas, com percursos pedonais que através de várias pontes ligam a passagem entre margens, permitindo diferentes perspetivas da paisagem proporcionada ao longo de cada dia e de cada época do ano.

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José Lopes

(texto e fotos)

Este corredor verde com natural e potencial prolongamento ao longo do Cáster a montante e a jusante, é um emblemático espaço verde na cidade de Ovar, que foi inaugurado em janeiro de 2013, e representa uma importante mais-valia no enriquecimento do património ambiental do concelho e suas riquezas naturais, como o mar, a ria ou a floresta. Tornou-se, para alem da sua componente de lazer, uma alternativa pedonal de maior proximidade e acessibilidade das pessoas em vários sentidos da cidade, particularmente na ligação entre a Estação dos caminhos-de-ferro ou a Zona Escolar e o centro da cidade.

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O espaço ambientalmente requalificado numa zona de leito de cheia em que confluem várias linhas de água no vale do rio Cáster, beneficiou através deste projeto, de uma intervenção paisagística, que permite uma mais eficiente estabilização dos caudais de água, o que vem permitindo igualmente, mesmo em época de seca, a passagem e controlada retenção de água.

As características deste Parque Urbano que permitem a coabitação entre uma grande afluência do movimento de pessoas e a vida selvagem, com particular destaque para várias espécies de aves ou as lontras que chegaram a ser observadas no rio, que vão povoando tal refúgio da natureza implantado a norte e a sul da ponte dos Plames, que se liga à ponte da Avenida Ferreira de Castro por cerca de uma dezenas de pórticos de entrada e saída deste privilegiado espaço verde, que começa a exigir alguma atenção ao nível da preservação dos elementos graníticos de tradição romântica que integram esta obra paisagística de Sidónio Pais, que têm sido alvo de algum vandalismo.

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A paisagem ambiental que se vai consolidando em pleno coração da cidade, vai também ajudando a apagar algumas das preocupações e denuncias de ativistas ambientais, que na altura da construção do Parque Urbano, procuraram sensibilizar os autarcas para os “atentados” ambientais e “erros estratégicos”, que em sua opinião o cenário desolador da terraplanagem em ambas as margens do Cáster, provocou na destruição da arborização e vida selvagem em fase de reprodução, então existente em toda aquela área verde, ainda que votada ao abandono.

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Sem descurar as inquietações com a inconsequente manutenção do Parque Urbano nas diferentes vertentes, incluindo o adequado desassoreamento em toda a sua extensão e a necessidade de concretização do projeto de recuperação de um moinho em ruinas que pode vir a ser um futuro “centro interpretativo” ou ainda a consolidação de margens fragilizadas pelas fortes correntes de água em períodos de cheias.

No essencial o projeto tornou-se um espaço de lazer e de promoção de qualidade de vida, com uma visível mostra de biodiversidade vegetal e animal, que agora as comunidades escolares podem encontrar e usufruir para educação ambiental em plena cidade de Ovar, a exemplo de outros espaços ecológicos e pedagógicos, como o Parque do Buçaquinho de Cortegaça ou Passadiços da Barrinha de Esmoriz neste concelho bafejado pela natureza que durante décadas se mal tratou e em alguns casos as consequências foram irreversíveis, tanto na paisagem como na vida animal, numa luta agora contra o tempo.

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