Carmen Navarro
A Ceia de Natal tem origem num costume muito antigo europeu de que as portas das casas se deixavam abertas no dia de Natal, para que os peregrinos ou viajantes se sentissem acolhidos e confraternizassem em família naquela data de tanto significado para os cristãos. A mesa tinha que estar farta e variada para chegar sempre para quem ia chegando. Assim se foi espalhando pelo mundo. Conforme os costumes de cada região se ia acrescentando uma variedade local.
Toda a gente sabe que o Minho é uma região de enorme riqueza de tradições e gastronómica e numa época como o Natal, a mesa fica sempre recheada com o que na casa há de melhor. Mesmo que seja uma casa simples há coisas que fazem sempre a Ceia de Natal.
Ementa da Noite
Bacalhau cozido com todos, ou o polvo de Natal (os mais abastados servem as duas coisas).
Arroz-doce/ aletria/ rabanadas, leite-creme, mexidos ou formigos, frutos secos e, modernamente, o afamado Bolo-Rei
No dia come-se a afamada e tradicional Roupa Velha e Peru Assado, recheado com carnes e pão.
A Ceia de Natal é a união da família. Tem raízes tão fortes que consegue trazer para juntar, mesmo os que estão no estrangeiro.
Uma das sobremesas de Natal mais apreciadas, é a aletria, que tem de estar sempre presente nas mesas minhotas. Consiste em massa (tipo esparguete) muito fininha, normalmente cozida em água ou leite com açúcar, casca de limão e um pauzinho de canela. Decorada e polvilhada com canela em pó, formando às vezes desenhos com motivos natalícios ou corações que tornam o Natal mais alegre. Entre todas estas saborosíssimas iguarias escolhi uma, talvez por ser a mais simples e a mais difícil de encontrar com as voltas minhotas.
ALETRIA DE NATAL
Ingredientes
125 g de Aletria
5 dl de água
50 g de manteiga
250 g de açúcar
6 gemas de ovos
1 casca de limão
canela em pó q.b.
1 pitada de sal
Como fazer…
– Coza a Aletria em água (ou leite) temperada com a pitada de sal, casca de limão, pau de canela o açúcar e a manteiga.
– Quando começar a ferver, junta-se a aletria partida e deixa-se cozer 7 minutos.
– Retire a Aletria do lume, tire a casca de limão e o pau de canela juntando-lhe bem misturadas as gemas, cuidadosamente, mexendo sempre para não cozerem.
-Leve ao lume brando de novo por 25 segundos a engrossar sem nunca deixar ferver para as gemas não talharem, mexendo sempre lentamente. Este é o momento em que o açúcar e as gemas estarão a criar aquela goma deliciosa da aletria. (Se deixar ferver já estragou tudo e irá comer ovo cozido com massa em vez de aletria!)
– Retire do lume momentos antes de começar a ferver pois este é o momento em que já engrossou o pretendido e está exatamente no ponto;
– Deite a Aletria ainda quente numa travessa. agite um pouco para espalhar por igual.
Dica: Para que a travessa não estale coloque um garfo apoiado no fundo que se retira quando acabar de verter a Aletria.
Deixe arrefecer um pouco e decore com canela a seu gosto.
– A Aletria feita com água fica mais solta, feita com leite fica mais cremosa. É tudo uma questão de gosto.
Assim me ensinou a excelente doceira Ti Júlia, Minhota dos quatro costados.
Santo Natal
Fotos: pesquisa Google
01dez18



Deve ficar deliciosa!