No final de mais um mandato dos órgãos de gestão do Museu de Ovar (triénio 2015/18) com toda a sua reconhecida dinâmica desenvolvida durante estes anos na divulgação e promoção das diferentes áreas artísticas. E na véspera de mais um aniversário desta instituição ovarense, que assinala no próximo dia 8 de janeiro os 58 anos da sua fundação e de eleições para novo triénio marcadas para 9 de janeiro.
A máxima de que os diretores passam e o legado da história do Museu de Ovar fica, é bem testemunhado (assim seja garantida a sua preservação, conservação e catalogação), pelo diversificado património cultural, que representa todo o espólio artístico e etnográfico que lhe vem sendo confiado, resistindo ao tempo e aos naturais contra tempos, como memórias de um povo que ali se vê representado nas suas tradições e profissões seculares, num espaço museológico que acolhe igualmente a arte cerâmica, escultura, pintura ou fotografia de centenas de artistas e autores de obras, a que se juntam vastas coleções, entre as quais, arte africana, bonecas, trajes tradicionais nacionais e internacionais, que representam outros tantos momentos memoráveis vividos durante décadas na vida desta Casa impulsionadora da cultura e da arte em Ovar.
É pois neste extraordinário e surpreendente “recheio” de obras de arte, em que se vem também afirmando a literatura, que se podem encontrar relíquias em diferentes artes, como o livro “30 anos Agostinho Santos” (2016), que é uma obra de arte que se pode manusear, desfolhar e absorver o cheiro a tinta de uma edição comemorativa, que permite conhecer três décadas de projetos artísticos ali compilados, de Agostinho Manuel Moreira de Sousa Santos, que nasceu a 22 de julho de 1960, em Mafamude, Vila Nova de Gaia.
Esta obra do jornalista e artista plástico Agostinho Santos, por si oferecida ao Museu de Ovar, a exemplo das doações das várias áreas artísticas e técnicas que enriquecem todo o espólio do Museu de Ovar, é também um importante contributo para a valorização da sua Biblioteca.
O titulo “30 anos Agostinho Santos”, entre outros editados pelo artista e jornalista, é um verdadeiro “autorretrato duplo” que permite aos leitores ou interessados na consulta e pesquisa sobre o seu autor, familiarizarem-se com a sua obra, exposições individuais e coletivas, assim como os prémios e distinções nas áreas do jornalismo e das artes plásticas ou da sua colaboração em publicações. Uma peça de arte que esta Instituição de Utilidade Pública inclui entre o vastíssimo património cultural que lhe é confiado, para proporcionar, na sua relação de proximidade com as gentes locais e os muitos visitantes do país e de vários cantos do Mundo, uma peculiar promoção da arte e da cultura.
Palavras de Agostinho Santos…
No livro “30 anos Agostinho Santos”, as palavras do autor lembram memórias da sua infância rodeada de artistas, quando escreve, “a palavra ateliê ocupava-lhe, nos últimos tempos, a cabeça. Não propriamente a palavra em si, mas tudo o que de desconhecido e de misterioso esta trazia. Ouvia os outros rapazes e raparigas e também os adultos dizerem que ateliê era, um lugar, um sítio misterioso, onde os artistas se entregavam à criação das suas obras e aí permaneciam horas e horas e alguns até dormiam lá e tudo… (…) Outros ainda, admitiam ser mesmo o lugar onde eram mais eles próprios, ou seja, onde se sentiam inteiramente à vontade, em plena liberdade”.
(…) “Mas, regressando ao que girava em torno da sua cabecinha – o ateliê – o rapaz não parava de imaginar o que seria, na verdade, um ateliê”, insistindo o autor nesta dúvida, “como é que o artista viveria naquele espaço? O que fazia verdadeiramente e porque seria tão importante para os artistas esse tal espaço a que chamavam ateliê?”
(…) “Este seu grande interesse em saber mais sobre o que era um ateliê e o que era um artista até fez com que o apelidassem de «pequeno jornalista», dada a curiosidade manifestada por tudo o que girasse à volta do tema …”. Palavras de um auto-retrato na obra que desvenda o mistério do ateliê que inquietava o rapaz, em que o autor, o artista cria “algo de novo, uma obra, uma peça, um objeto com imaginação e com criatividade”.
Agostinho Santos, realizou cerca de 80 exposições individuais de pintura, desenho, escultura e objetos, em Portugal, Espanha, Brasil e India e participou em mais de 350 mostras de grupo e coletivas, no país e no estrangeiro, com prémios e distinções.
É Mestre em Pintura pela Faculdade de Belas Artes, da Universidade do Porto (FBAUP) 2012. Autor da Tese Palavra / Imagem: desenvolvimentos pictóricos a partir da escrita de José Saramago, e é Doutorado em Museologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) 2010-2015. Autor da Tese Paleta Contemporânea – Museu de Causas / Bases de um projeto museológico solidário: Eu e os outros.
Autor e colaboração em publicações como:
– José Saramago, segundo Agostinho Santos (2007)
– Nadir Afonso: Itinerário (Com) Sentido (2009)
– “Algum passado / Algum presente – Homenagem a Manuel António Pina” (2013)
– Sonho e Combate pela Liberdade – história de Álvaro Cunhal contada aos mais jovens (2013)
– Cartas de Amor, com Pedro Abrunhosa (2013)
O artista plástico Agostinho Santos que foi Diretor da 1.ª Bienal de Arte de Gaia (2015) e Coordenador do Projeto Onda Bienal, como jornalista trabalhou no Jornal de Noticias (1991-2014), O Primeiro de Janeiro (1985-1991), chefe de redação e fundador do semanário Observador (1983-1984), chefe de redação do Gaia Semanário (1987-1988).
Texto e fotos: José Lopes
Pesquisa texto e fotos: livro “30 anos Agostinho Santos” (Biblioteca Museu de Ovar)
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