Cristóvão Sá-ttmenta
Novo ano, novo ciclo de contributos
Fale-se agora de economia e matérias adjacentes. Para começar avance-se com uma definição de economia. É a ciência que estuda a eficiente afetação de recursos que são escassos. Desmontando-a: i) ciência por que está assente num conjunto de conceitos e leis reconhecidas como tais pela comunidade científica; ii) eficiente, diferente de eficaz: por exemplo, em condições normais para obter um determinado bem gasta-se cem euros.
Se num dado momento para obter-se esse mesmo bem forem gastos cento e dez euros não existe eficiência na utilização dos recursos. Há eficácia por que obteve-se o bem, mas não eficiência; iii) escassez de recursos: de facto os recursos disponíveis não são intermináveis. Veja-se por exemplo: as previsões sobre as reservas de petróleo em determinadas zonas do planeta registam quebras acentuadas.
Não é por acaso a aposta em energias renováveis. Não é só por sermos amigos do Ambiente. Os recursos, em geral e em teoria, estão à disposição da Sociedade. Não se questiona aqui e agora a questão importantíssima da propriedade dos recursos. Como foram adquiridos. Sociedade onde existem pessoas individuais e coletivas. Dum lado, pessoas que procuram bens e serviços. Há outras que têm condições para oferecer esses bens e serviços. O conjunto são conhecidos como agentes económicos. Portanto, parece ser evidente que terá de haver um “encontro” entre aqueles que “procuram” obter bens e serviços e os que estão disponíveis para os “oferecer”. Nas economias primitivas havia troca direta de bens. Por exemplo: alguém depois de consumir e armazenar milho para consumo próprio tinha excedentes que ia trocar por trigo com o vizinho que tinha sobras deste cereal.
As sociedades desenvolveram-se e para que o “encontro” se desse, sem ter de andar com sacos de cereais de um lado e para o outro, a troca dos bens passou-se a fazer contra a entrega de moeda. Como? Através do preço. Que muitas vezes ninguém sabia muito bem como era fixado. Mesmo hoje, com determinados bens e serviços esse mistério existe. O coeficiente de queixo é muito utilizado. O parece que ….. ! Para eliminar a discussão e mesmo para não exigir muitos recursos intelectuais (escassos), há quem diga ser o mercado a mandar e decidir. Anda muita gente por aí interessada em encontrar/definir essa figura e não a encontra. Figura sinistra, muitas vezes. Provavelmente o exemplo mais próximo para a reconhecer seja assistir à discussão/leilão de um cabaz de peixe na lota de Matosinhos.
Mas mesmo aí se estiver desatento e não dominar a informação – assimetria de informação, crucial no mundo dos negócios – não saberá a razão por que dois cabazes de sardinha recolhidos no mesmo pesqueiro são postos a leilão com um preço de partida diferente. Os teóricos definiram duas leis fundamentais para ajudar a compreensão dos mecanismos de decisão dos agentes económicos.
A lei da procura e a lei da oferta. Juntaram-nos e passaram a falar da lei da procura e da oferta. Deram-lhe até um aspeto gráfico interessante, como se pode ver acima. Para quem souber desenhar, que não é o caso deste escriba, até fará imagens bonitas. Com escala perfeita e tudo. Baseado no principio de que uma imagem vale mais que mil palavras. Mas antes disso falaram da utilidade dos bens. E de curvas de indiferença, para ajudarem a elaborarem a sua teoria. Como veem … só ciência. Não sabemos se assim é.
No próximo artigo falaremos disso tudo, com o pouco que se sabe.
Foto: pesquisa Google
01jan19
