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A tardia (mas bem-vinda!) intervenção a Oriente…

José Gonçalves

As intervenções que se encontram programadas para a Zona Oriental da cidade do Porto pela Câmara Municipal revelam coragem política por parte de um executivo, facto sem precedentes, pelo menos, nos últimos cinquenta anos.

Não me querendo centrar somente nos 2,6 milhões de euros destinados a requalificar a área de Azevedo de Campanhã – ruralizada, degradada, terceiro-mundista -, revelo aqui outros projetos, como o para o antigo Matadouro, e o do Interface, que irão, por certo, revolucionar uma zona esquecida, ou melhor: desprezada por muitos dos ditos responsáveis pelos destinos da cidade, que da cidade tinham uma visão restrita, elitista, centralista e discriminatória.

Quando se fala da Zona Oriental da cidade, fala-se em 11,16 quilómetros quadrados, e em mais de 55 mil habitantes, compreendendo a mesma, as freguesias do Bonfim e de Campanhã. As tais freguesias das “ilhas”, do desprezo social a que foram votadas durante décadas; da promoção (sim: “promoção”) e propagação da marginalidade… enfim das que compunham um quadro dramático que só quem viveu e vive nesta zona da cidade sabe, na pele, o que realmente são as verdades dos factos.

Nos executivos liderados por Rui Moreira, com e sem Manuel Pizarro, houve uma preocupação notória para com esta parte da cidade. Se ainda há muita coisa por fazer (e há muito ainda por fazer), o pouco que foi concretizado já foi muito em relação a outras (efémeras e populistas) promessas políticas, feitas da boca para fora, durante anos e anos.

Só quem não tem olhos na cara, é que não vê que o Porto está diferente, para melhor. A verdade é essa… nua e crua! E melhor estará, quando o Porto se lembrar, como se está a lembrar, que termina, ou começa, a Oriente, e que a Oriente vive gente; gente que trabalha sem condições, que vive com muitas dificuldades, mas que agora vê uma luz ao fundo do túnel.

Seria um erro da minha parte, ignorar todos os alertas feitos, anos a fio por forças políticas como o PCP, Bloco de Esquerda e de muita gente responsável do Partido Socialista (a Junta de Freguesia de Campanhã é de maioria socialista) para a situação calamitosa que ainda se vive ora no Vale de Campanhã, ora em alguns degradados bairros sociais, ora nas “ilhas” do Bonfim e em outros pequenos aglomerados habitacionais desta freguesia, que escondiam, como certos ainda escondem, muita miséria.

A verdade, contudo, é que pela primeira vez, há um presidente de Câmara preocupado com a Zona Oriental do Porto, uma zona que este jornal sempre chamou à atenção, sendo essa uma das suas importantes vertentes informativas: dar a conhecer os reais problemas da cidade, sem ignorar os feitos positivos que na mesma se realizam.

O facto de já existirem projetos para Oriente e o simples ato de a área ser visitada (coisa rara com outros presidentes da Câmara fora do ambiente eleitoral) é sinal de responsabilidade política; é sinal de interesse e é sinal que se quer fazer algo de positivo, sabendo-se que será sempre difícil o trabalho a concretizar, uma vez que o estado a que os anteriores responsáveis pelos destinos da cidade deixaram cair esta “zona” é de degradação total.

Há, portanto, e repito, uma luz ao fundo do túnel para quem vive em becos, “aldeias” esquecidas entre entulheiras, ruas sem passeios, sem água canalizada e rede de esgotos e muitos outros problemas que se podem equiparar a qualquer região de um país do denominado Terceiro Mundo.

Esta nova forma de estar na política; estas preocupações merecem o elogio dos tripeiros (naturais e residentes no Porto) e dos portuenses (residentes na cidade), seja com Rui Moreira coligado com o socialista Manuel Pizarro (que, nesta matéria, também fez um bom trabalho), seja sozinho, mas sempre bem acompanhado por uma oposição que tem desempenhado um papel construtivo e que nas questões essenciais para a cidade se tem mostrado unida com quem luta pelo progresso; pelo desenvolvimento… de uma Invicta que, finalmente, descobriu a zona onde o Sol nasce.

Fotos: Pedro N. Silva

01fev19

 

 

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