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DRAGÃO CONTINUA ÀS MOSCAS! DERBY “CÂMARA DO PORTO-EMPRESAS PRIVADAS DE TRANSPORTES” COMEÇOU DIA 05 DE FEVEREIRO E É PARA DURAR! “RESULTADO FINAL” ESTÁ A SER DISCUTIDO À PORTA FECHADA

Os transportes públicos rodoviários de operadores privados no concelho do Porto estão a viver um momento agitado. A retirada da Rua de Alexandre Braga, dos términos de certas carreiras, principalmente das ligadas à Empresa de Transportes “Gondomarense” – ETG, por questões de segurança relacionadas com as obras no Mercado do Bolhão, para o recém-criado Terminal junto ao Estádio do Dragão, está a dar “água pelas barbas” ao presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que, a seis de fevereiro último – um dia depois do desrespeito total por parte de empresas privadas de transporte em fazerem deslocalizar as suas viaturas para o referido terminal – revelou ao Conselho Metropolitano do Porto “suspender a delegação de competências na gestão da rede de transportes públicos naquela entidade”, ou seja, a sua gestão, planeamento e fiscalização as quais regressariam à alçada da Câmara da Invicta.

José Gonçalves

(texto)

Neste “pingue-pongue” de (ir)responsabilidades pelo incumprimento do que estava “estipulado”, e com prejuízos para os passageiros, os operadores privados justificaram a sua decisão, por “ausência de comunicação da Área Metropolitana do Porto “em relação às medidas tomadas, isto, independentemente de a Câmara Municipal do Porto ter recordado, no seu site, ter estabelecido “um acordo com as operadoras privadas”, quanto à transferência de várias linhas de autocarros” para o Terminal do Dragão, salientando também a revisão que foi, entretanto, feita quanto à oferta das linhas existentes no campo 24 de Agosto “com vista à sua reorganização”.

EDUARDO VÍTOR RODRIGUES: “A «AMP» NÃO TEM COMO HÁBITO NOTIFICAR OPERADORES EM CASO DE OBRAS

Foto: pesquisa Google

A AMP, através do seu presidente, Eduardo Vítor Rodrigues reagiu, perentoriamente, à situação, referindo à agência Lusa (e citamos) que a “AMP não tem como hábito notificar operadores em caso de obras” chamando à atenção do facto que estes “tiveram várias reuniões com a Câmara do Porto para tentarem encontrar uma solução que agradasse a todos”.

Só que, pelos vistos, não agradou!

“Como tal não foi possível”, e ainda de acordo com aquele que também é presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, “lembraram-se agora da AMP”.

“A AMP vai receber os operadores na sequência de um pedido reunião da ANTROP e vai comunicar aos operadores as decisões da Câmara do Porto, mantendo com a Câmara do Porto um diálogo que ainda aprofunde mais os consensos que começaram a ser criados na última reunião”.

Quando? Perguntamos nós.

Autarcas de Gondomar e Valongo contra medidas da Câmara do Porto

Mas, Rui Moreira, disse a 22 de janeiro último, que “já há ano e meio”, tinha comunicado a Eduardo Vítor Rodrigues, em reunião realizada por iniciativa deste, as “medidas transitórias de adaptação do serviço dos operadores privados no Porto”, facto que, na altura, não foi muito bem aceite por Marco Martins, presidente da Câmara Municipal de Gondomar, por considerar que a “medida ficou aquém do desejado”, enquanto José Manuel Ribeiro (presidente da Câmara de Valongo) foi mais longe e considerou a posição da autarquia portuense de “tratamento discriminatório”.

Ora, já aqui as coisas não estavam a correr da melhor maneira. A coisa acalmou uns meses, até que tudo virou do avesso no pretérito dia 05 de fevereiro.

Dia 05 de fevereiroDRAGÃO COM TERMINAL MAS SEM AUTOCARROS

O dia inaugural (05 de fevereiro de 2019) das novas paragens no centro-oriente da cidade do Porto, tanto para as viaturas da STCP como as das empresas privadas que utilizavam como seu término, a Rua de Alexandre Braga, agora encerrada por questões de segurança devido às obras de requalificação que se estão a ser desenvolvidas no Mercado do Bolhão, não começou nem terminou da melhor maneira.

E tudo porque o muito propalado Terminal do Dragão, contíguo à estação do Metro e ao estádio, destinado a carreiras ligadas a empresas privadas de transportes públicos… não funcionou.

E não funcionou devido a um protesto da Empresa de Transportes Gondomarense (ETG) contra a deslocalização das paragens de todas as suas linhas do centro da cidade para o referido terminal, ainda que algumas (55, 69 e 70.) passassem, logo de início – e precisamente nesse dia 05 de fevereiro –, mas temporariamente, de Alexandre Braga para o Campo 24 de Agosto.

A verdade, é que não foram só as referidas carreiras a deslocalizarem-se do Bolhão para o Campo 24 de Agosto… foram todas as outras que tinham já, como “obrigação”, ter como paragem o Terminal do Dragão.

Ora, no Terminal do Dragão foi isto que se viu…

As paragens não tinham qualquer tipo de sinalética ou outra informação complementar – incluindo horários– e, naturalmente, nem passageiros à espera do que quer que fosse, informados, por certo que foram, da decisão da empresa em ter o término e reinício dos seus serviços no Campo 24 de Agosto.

E não foram só os autocarros da ET Gondomarense que não vimos pelo Dragão. Por azar, ou não, falhou-nos as carreiras 5 (da AE Martins), rumo a Modelos; a para Paços de Ferreira (da Pacense) e a linha 01 da Valpi, para Penafiel.

No mesmo dia, mas ao final da tarde, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, referia ao “JN” desconhecer o “incumprimento” por parte das operadoras privadas, quanto à utilização do Terminal do Dragão, prometendo para o dia seguinte (06fev19) a possível intervenção da Polícia Municipal para regular, ou fazer cumprir, as normas. Mas, afinal, a ação foi outra, como atrás referimos…

CONTESTAÇÕES

Mas, o dia 05 de fevereiro já não se adivinhava calmo, tendo em conta um comunicado da ET Gondomarense, datado de 25 de janeiro de 2019, que, entre outras considerações, salientava que a decisão da Câmara Municipal do Porto iria “obrigar todos os clientes das carreiras (27, 33, 34, 55, 69 e 70) que se dirijam para o centro do Porto, a efetuar transbordos, contrariamente ao que irá acontecer com outras carreiras de outras empresas, que continuarão a ir diretamente para o Bolhão e que não necessitarão de transbordos”.

Mais: “Desta decisão/intenção da Câmara Municipal do Porto, com tratamento diferenciado à ETG e aos seus clientes, o que viola o principio da igualdade, e da qual estamos, total e frontalmente, contra, não deixaremos de tomar as medidas e iniciativas institucionais possíveis, por forma a tentarmos reverter esta decisão/intenção e, assim, defender os supremos interesses dos nossos clientes, dos postos de trabalho dos nossos colaboradores e da própria empresa”. E as medidas, pelo que se viu, foram e continuam a ser tomadas.

Críticas no “face”

Também numa página do Facebook, consultada por milhares de entusiastas dos transportes públicos rodoviários (“Autocarros do Grande Porto”) foi dada a conhecer (04fev19) uma posição não muito simpática em relação à decisão de deslocalização de paragens implementada pela Câmara Municipal do Porto.

“A nossa página não pode ficar indiferente ao que vai acontecer a partir de amanhã. Uma decisão política que de nada beneficia as populações, mas, sobretudo, que é um ataque às empresas privadas, especialmente à E. T. Gondomarense. Cada dia em que tiram o ganha-pão às operadoras privadas é um contributo para as zonas periféricas da cidade do Porto ficarem mais afastadas do centro urbano, incentivando a utilização do transporte individual. Enquanto houver estas guerras e interesses o transporte público não vai avançar”.

Afinal, não era no “Bolhão” era na “Firmeza”…

No dia de todas as confusões – 05 de fevereiro – surgiram outros problemas organizativos, como, por exemplo, o relacionado com as carreiras da STCP que tinham por destino ou origem os concelhos de Gondomar (800) e Valongo (700). É que, ao contrário do que tinha sido divulgado – as suas paragens (um só local para todas as carreiras) não eram na Rua do Bolhão, mas na da Firmeza. Ali à beira, é certo, mas este facto originou diversos contratempos, principalmente entre os passageiros mais idosos, que demoraram tempo a encontrar o sítio de embarque, e muitos dos quais perderam o autocarro do horário que os próprios estavam habituados a cumprir. Nós presenciamos esses contratempos…

Nem os motoristas sabem onde são as paragens!”

De um “primeiro estranhasse, depois entranhasse” a “até os motoristas não sabem onde ficam as novas paragens”, entre outros comentários como: “eles fazem tudo o que querem sem consultarem as pessoas”, viveu-se de tudo um pouco nos autocarros onde a reportagem do “Etc e Tal jornal” circulou nesse célebre dia.

“Isto é de bradar aos céus! Não entendo esta porra! Tiram paragens dali, põem-nas acolá, e nós andamos aqui feitos parolos. Pagamos o passe para andarem a brincar connosco? Como eles sabem que a gente precisa disto e não podemos barafustar muito, fazem o que lhe vem à real gana”. Falava a alto e a bom som uma passageira, pelos vistos bem conhecida de quem ao lado dela ia, e que ia abanando a cabeça como que concordando com o que a senhora dizia.

O “700” acabava de sair da Rua da Firmeza, para ficar praticamente lotado depois de ter parado na Rua Formosa. “Pois a malta que apanhava o autocarro no Bolhão veio toda para aqui! Eu só arranjei lugar porque me disseram onde era a nova paragem!”, revelou a passageira que teve logo uma série de perguntas a si dirigidas… “e onde é?”. Resposta na ponta da língua: “pergunte ao motorista. Mas, olhe que ele de manhã também não sabia onde era a coisa”, riso geral.

Um momento divertido, muito à moda do Porto, mas que revela, no fundo a desorganização reinante no primeiro dia de muitos dias de confusão.

ÚLTIMA(S)

CÂMARA “AUTORIZA” UTILIZAÇÃO DO CAMPO 24 DE AGOSTO PELA LINHA “27” DA GONDOMARENSE…QUE JÁ POR LÁ PARAVA

Desde o dia 05 de fevereiro, que nesta paragem, no Campo 24 de Agosto, e junto a obras, sempre terminou a linha “27” da Gondomarense

Entretanto, e estamos a referir-nos à última semana do mês de fevereiro, surgiu uma “nova” que – e de acordo com o que o “Etc e Tal jornal” presenciou, no local, desde o célebre dia 05 de fevereiro-, de “nova” tem pouco a não ser o caráter oficial da decisão.

Assim, sendo, na manhã do pretérito dia 26, e segundo o “Jornal de Notícias”, o executivo liderado por Rui Moreira terá aceitado que a Linha 27 (Souto-Gondomar) fizesse do Campo de 24 de Agosto seu terminal de viagem. A verdade, porém, é que a “27” desde que se deslocalizaram paragens da Rua de Alexandre Braga (Mercado do Bolhão) para o Terminal do estádio do Dragão, e que a Gondomarense fez e, ainda faz, finca-pé em não aceitar a medida, que a dita “27” já parava no campo 24 de Agosto, tendo inclusive o seu término numa conturbada zona de obras (ver rubrica Repórter X na presente edição deste jornal).

Independentemente deste facto, e em declarações ao referido jornal diário, o presidente da Câmara Municipal de Gondomar, Marco Martins, e em reação à posição do seu congénere do Porto, diz ter ficado “satisfeito pelo facto de Rui Moreira ter sido sensível e ter percebido os argumentos de Gondomar, em prol de maior justiça e equilíbrio para a população.

Fotos: jotaguê

01mar19

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