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Economicices (03)

Cristóvão Sá-ttmenta

 

CURVAS DE INDIFERENÇA E RESTRIÇÃO ORÇAMENTAL

Quando comecei esta série de peças, tinha o objetivo de tornar estas coisas da Economia entendíveis e de fácil leitura. Receio que esteja a ser demasiado académico e com isso não conseguir chegar aos leitores a mensagem a que me propus e nos termos

por mim desejados. Porém é verdade que, no fundamental, não tenho com que escapar aos gráficos e dessa forma desenvolver um dado raciocínio. De resto seguimos o caminho dos próprios clássicos. Por exemplo, veja-se a quantidade de bens que consumimos. Todavia o essencial da teoria à volta dos preços e quantidades dos bens consumidos é desenvolvida sempre com base em dois bens e/ou dois cabazes de bens.

Também, para simplificar a explicação, diz-se que os consumidores estão sujeitos a uma restrição orçamental. Equivalente ao rendimento que o consumidor dispõe e que é todo aplicado em dois bens e/ou dois cabazes de bens. Veja-se que, nesta fase da análise não existe poupança. Contudo não é esquecida. E assume particular importância quando falarmos de dívida e dívidas, públicas e privadas.

Os clássicos centraram a sua análise nos comportamentos dum ser racional que tudo fará para obter a maior satisfação e a maior riqueza. Chamaram-lhe homus economicus. A sua racionalidade leva a que perante duas possibilidades de consumo, face ao rendimento de que dispõe, irá optar pelo consumo daquele que lhe dará maior satisfação. Também este ser racional, para o mesmo esforço (trabalho) optará pela atividade que lhe proporciona mais salário.

Atentem por favor no gráfico acima. Temos três curvas de indiferença: U10, U20 e U30. Admitamos que os índices 10,20 e 30 correspondem ao nível crescente de satisfação dos consumidores. Assim sendo, o consumidor racional desejará ter consumos que o coloquem em qualquer ponto da curva U30. Será possível?

No mesmo gráfico está desenhada uma reta (r,s) que simboliza a Recta de Restrição Orçamental (ou Recta de Balanço) do consumidor racional. Que gastará em dois cabazes de bens (Y e X). Nas extremidades dessa recta temos os pontos r e s que são pontos de intersecção com os eixos Y e X, respetivamente. No ponto r o consumidor aplicará todo o seu rendimento em quantidades do Cabaz Y e zero do Cabaz X. Já o contrário acontece no ponto s. Note-se, porém, que qualquer um destes pontos não responde aos anseios do consumidor racional. Pois as suas curvas de indiferença prefenciais são U10, U20 e U30. Nem r nem s tangem ou mesmo cruzam qualquer uma delas.

Analisemos agora os pontos a e c. São pontos em que há cruzamento entre a Curva U10 e a recta de balanço (r,s). São só estes dois pontos que garantem a condição de que o consumidor gastará todo o seu rendimento em Y e X. Outros pontos diferentes da Curva U10 , entre aqueles, não são admissíveis para esta discussão por que ferem a premissa de base. Pois só qualquer ponto ao longo da  recta assegura que se esgota o rendimento no consumo daqueles bens.

Porém há um ponto da reta que irá determinar a escolha do homo economicus. É o ponto b. Pois é este o ponto que para o seu nível de rendimento lhe proporciona maior satisfação. Neste ponto, este ser racional atingirá o nível 20 de satisfação.

E não qualquer ponto da U30 por que não tem rendimento que lhe seja tangente.

Em conclusão: só o ponto b do gráfico satisfaz as condições de base colocadas:

Todo o rendimento é gastos nos bens X e Y;

O consumidor racional opta pelo nível de consumo que lhe proporciona mais e maior satisfação.

Ficou claro? Digam o que lhes parece. Se tiveram paciência e pachorra para me lerem.

 

Gráfico: do autor

01abr19

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