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O estranho caso de Maddie McCann

Inês Melo e Faro

O desaparecimento de Madeleine McCann já fez correr muita tinta na imprensa de todo o mundo. Na verdade, 12 anos depois, o caso volta às luzes da ribalta com a estreia da série documental “The disappearance of Madeleine McCann”.

Maddie McCann desapareceu na noite de 3 de maio de 2007, na Praia da Luz. Até hoje, nada se sabe e muito se especula, o que fez com que Chris Smith avançasse com a ideia do documentário. A série desenrola-se a longo de oito episódios, onde são analisadas ao detalhe as diferentes teorias e perspetivas que a história conheceu. Foram ouvidos peritos, polícias, investigadores privados, jornalistas e contactos próximos da família McCann. Apenas os pais de Maddie, Gerry e Kate, não quiseram fazer parte do projeto.

Em oito episódios, não só houve espaço para analisar cada uma das linhas de investigação, desde a suspeita de Robert Murat, do envolvimento de Gerry e Kate, e da hipótese de tráfico de crianças, como também foi escrutinado a desempenho da polícia e o papel dos media e da polícia.

O desaparecimento desta criança britânica foi um dos casos mais mediáticos em Portugal e tornou-se também num dos casos de desaparecimento de crianças mais conhecidos no estrangeiro. No documentário, é feita uma clara crítica aos rumores e desinformação que vinham a público, tendo-se chegado a publicar histórias falsas sobre os suspeitos iniciais e títulos que levavam a crer que os pais tinham matado a filha.

No geral, a série faz-nos perceber a incompetência – e não falo em termos de não resolverem o caso, falo na medida em que a informação passada aos media não foi totalmente verdadeira – e falta de brio no trabalho da Polícia Judiciária. Faz-nos refletir sobre o papel demasiado intrusivo dos media na vida de uma família em sofrimento. Faz-nos perceber o impacto que a comunicação social tem e a forma como influencia tudo o que rodeia estes casos, nomeadamente a forma como interfere na vida de supostos suspeitos e a forma como uma vida pode ficar estragada devido a uma história mal contada. E faz-nos ficar ainda mais confusos do que estávamos antes de o ver.

No fundo, o documentário não traz resposta nenhuma, mas clarifica que tudo está em aberto e que continuam a surgir novas linhas de investigação. E, principalmente, desmistifica a certeza do envolvimento dos pais na suposta morte de Maddie.

Ficámos praticamente na mesma, sem uma resposta concreta, estamos apenas mais informados. Não foi em vão, mas é de facto um caso estranho e sem fim.

Foto: pesquisa Google

01abr19

 

 

 

 

 

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