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“PARQUE DAS CAMÉLIAS” DEGRADA-SE DE DIA PARA DIA! PASSAGEIROS CONTESTAM “LAXISMO” DOS RESPONSÁVEIS QUE MANTÊM (ESTRANHO?!) SILÊNCIO SOBRE O FUTURO DO TERMINAL RODOVIÁRIO

O Terminal Rodoviário do Parque das Camélias, em pleno coração do Porto, e para onde confluem, diariamente, largas centenas de autocarros e camionetas oriundas, a maior parte, do concelho de Gaia, e, consequentemente, milhares de passageiros, encontra-se em avançado estado de degradação.

Numa altura em que se fala em “revolução” quanto ao regulamento dos transportes públicos na cidade do Porto, sendo de destacar a polémica que se criou em redor da transferência de paragens para o Terminal do Estádio do Dragão das operadoras privadas que faziam da Rua de Alexandre Braga, ao Bolhão, a sua “postura”. E, depois de outros pontos terminais ou de paragem, como o do Bom Sucesso terem sofrido melhoramentos por iniciativa da Câmara Municipal, é incompreensível, para muitos, o desleixo a que tem sido votado o Terminal Rodoviário do Parque das Camélias, na zona central da cidade.

Incompreensível e estranho se torna também o silêncio sobre este assunto por parte de todos os que estão ligados (direta ou indiretamente) ao funcionamento do terminal, o qual terá, segundo algumas pessoas, morte anunciada para breve. O tema é considerado tabu, até porque há muitos interesses em jogo, quanto mais não seja o facto – e não é preciso ser “expert” na matéria – de a zona ser “apetecível” para o ramo imobiliário.

José Gonçalves                     Mariana Malheiro

(texto)                                            (fotos)

“Para já, penso que isto é uma guerra da Câmara às empresas privadas de transporte público, tudo para que a STCP detenha o controlo total da operação na cidade. Se para uns a «guerra» começou com a deslocalização dos seus terminais para o Estádio do Dragão, aqui, nas Camélias, deixa-se isto ao abandono para ver se alguém desiste de aqui parar as suas viaturas. Mas, se estas empresas deixarem de parar aqui, para onde vão?” Reação de um passageiro, devidamente identificado mas que não quis revelar o seu nome publicamente por receio de represálias, e que estranha o “laxismo” com que a Câmara Municipal do Porto tem tratado este espaço frequentado, diariamente, por milhares de pessoas”.

Na realidade, o Parque das Camélias é utilizado como terminal e início de linha por diversas empresas privadas de transporte público, como são os casos da AJ Espírito Santo (oito linhas), MGC (seis), Auto Viação Feirense (duas) e Auto Viação do Tâmega (linha expresso Porto-Chaves-Porto).

O piso irregular; as cabinas que servem de bilheteiras a não conseguirem suportar grandes chuvadas; o complicado acesso ao parque pela Rua do Duque de Loulé, facto que origina, em horas de ponta e maior fluxo de autocarros e camionetas, problemas significativos de fluidez do trânsito rumo às zonas norte e oriental da cidade, tornam caricato um espaço que, entre outras coisas, não tem qualquer tipo de embelezamento.

Facto que é, extremamente, estranho porque este espaço encontra-se situado no centro da cidade, ou seja: a dois passos da Praça da Batalha e do Teatro Nacional de S. João, assim como da Igreja de Santa Clara, das Muralhas Fernandinas e do muito visitado tabuleiro superior da Ponte Luiz I e, portanto, por onde passam muitos turistas.

A verdade, contudo, é que o estado de degradação do local visível a olho nu (as fotos comprovam-no, de resto), pelo que já é considerado como que uma “nódoa” na cidade, à qual “a Câmara do Porto não tem dado a devida resposta”, como referiu à nossa reportagem um utilizador diário do local.

Independentemente desse facto, continuam a passar por lá, diariamente, centenas de autocarros e algumas camionetas de serviço ocasional, que por lá ficam estacionadas, impedindo, muita das vezes, – e isto segundo alguns motoristas contactados pela nossa reportagem – o normal funcionamento das carreiras regulares, facto que provoca o “incumprimento de horários”.

A SOLUÇÃO “ABORTADA” EM GAIA E O… “TIC”

Estação de Metro de Dom João II – Gaia (pesquisa Google)

Mas, qual seria a solução caso o Parque das Camélias deixasse de ser o que é, e já há muitos anos: um Terminal Rodoviário? Onde iriam parar tantos autocarros e camionetas?

Esta é a principal das (muitas) perguntas que, de momento, podem colocar as largas centenas de passageiros. Resposta, a qual, já poderia ter sido dada há anos, quando se falou na possibilidade de todas as operadoras que utilizam o Parque das Camélias – excetuando a Auto Viação do Tâmega -, terminarem e iniciarem serviços junto à estação de Metro de Dom João II, em Vila Nova de Gaia.

A verdade, porém, é que a ideia foi abortada, e a pergunta dos passageiros continua a ser atual e pertinente, e mais pertinente se torna, quando a Câmara Municipal do Porto quer, decididamente, retirar do centro da cidade todos os transportes públicos que não tenham a chancela da STCP, bastando para o efeito saber qual a utilidade a dar, na prática, ao Terminal Intermodal de Campanhã (TIC), ainda em projeto.

Mas, qual a resposta, ou posição, da Câmara de Gaia, nesta questão que envolve um sem-número de sub-questões? Para já, e ao que se sabe, nenhuma em concreto.

No que ainda ao TIC diz respeito, não se pode dissociar do mesmo, a construção da nova ponte (à cota baixa) sobre o Douro, junto àquela que será a sua congénere, ainda que ferroviária, de S. João, e que terá ligação, no Porto, por túnel, até Campanhã e ao seu Terminal Intermodal. Estará nos planos da autarquia englobar, nesse terminal, as camionetas e os autocarros oriundos de Gaia e de Santa Maria da Feira, e que hoje fazem do Parque das Camélias o seu terminal? Mais uma questão…

PASSAGEIROS FALAM… RESPONSÁVEIS “FECHAM-SE EM COPAS”

Na ótica do utilizador-pagador – ou seja, do passageiro-, o Terminal Rodoviário do Parque das Camélias “não tem as mínimas condições de segurança e, muito menos, de confortabilidade”, facto que se sente “mais no Inverno com as chuvas e o frio, e as paragens sem qualquer tipo de resguardo”.

“Costumo utilizar o «15» da Espírito Santo, e é aqui que apanho o autocarro. De Inverno não se pode estar aqui, principalmente quando chove e faz vento. Não sei por que é que não fazem um abrigo, tipo tapamento, a este local como acontece em outros sítios… olhe: no Bom Sucesso!”.

Terminal do Bom Sucesso – foto jotaguê

O “Etc e Tal jornal”, a propósito deste assunto contactou diversos responsáveis, incluindo da Câmara Municipal do Porto, mas não obteve qualquer tipo de resposta. Poderíamos, assim, especular sobre toda uma série de situações que levaram estes “responsáveis” a não responderem às questões colocadas por este jornal, mas deixamos ao critério de quem nos lê as reações que poderiam ter sido aqui publicadas.

INTERESSES NO “SEGREDO DOS DEUSES”

Foto: portojofotos

O que o “Etc e tal jornal” sabe, como todos vão sabendo, é que se regista uma “revolução” nos transportes na cidade do Porto, e que, assim, é muito de estranhar que o Terminal Rodoviário do Parque das Camélias não seja “notícia” quanto a uma futura intervenção para melhoramentos no local.

“Penso que vocês estão a tocar (e bem!) num assunto que se encontra no Segredo do Deuses. Para que se acabe com este terminal terá de haver, antes de tudo, uma ação concertada entre as câmaras municipais de Gaia e do Porto, e, depois, com os responsáveis pelas empresas de transporte que aqui operam, para se criar um espaço com a mesma finalidade, que terá de ser, obrigatoriamente, em Gaia. Se não houver esse entendimento, nada feito! Isto vai continuar como está, ou melhor, pior que o que está, já que este espaço está a ficar cada vez mais degradado, durante mais algum tempo”, referiu à nossa reportagem o leitor devidamente identificado e que teimou em não dar a cara devido “a represálias” que sofreria caso o fizesse.

S.C. Vasco da Gama, emblemática coletividade no basquetebol, que tem no Parque alguns equipamentos

“Isto aqui envolve muito dinheiro e, indiretamente, muitos interesses. Poucos são os que querem saber das exigências, ora dos passageiros, ora dos motoristas que, por exemplo, também se fartam de se queixar do tempo que esperam na Avenida da República pela passagem das composições do Metro, e que lhes atrasa significativamente o serviço. Sei que isso é desesperante, mas até hoje, ninguém tentou resolver esse problema. Querem lá saber!”

SERÁ ESTE O FUTURO PARQUE DAS CAMÉLIAS?

O Parque das Camélias em projeto
Foto: Antas Arquitectura

De regresso ao Parque das Camélias e ao seu terminal, terminamos esta reportagem com um estudo já apresentado para o local, por uma empresa de arquitetos (“Antas Arquitectura), que está publicado na internet e que, entre outros factos consideram que a intervenção a desenvolver “é situada no interior de um quarteirão, onde, atualmente, se encontram paragens de camionetas e o Polidesportivo do Vasco da Gama, em estado muito degradado. Para fazer o reaproveitamento deste espaço propõe-se criar habitações, um polidesportivo para utilização por parte do clube e a qualificação do espaço público”.

Lê-se ainda que “localizado próximo da Praça da Batalha, da Rua de santa Catarina e da estação de S. Bento, esta zona carateriza-se por um intenso movimento e energias neste local, abre-se o lote e cria-se um novo percurso entre as ruas que ladeiam a área interior”.

Ora, então como ficaria ou ficará, o novo Parque das Camélias, sem se saber para onde vão os autocarros e as camionetas? Assim…

Foto: estudo Antas Arquitectura – Parque das Camélias no futuro

Confirma-se, assim, que o apetite imobiliário para o local é bastante significativo, o que, diga-se em boa verdade já de antemão se sabia, o que não se sabe é para onde vão os transportes, e de que forma serão respeitados os interesses dos passageiros.

Ninguém fala sobre o assunto – compreendemos, até certo ponto o porquê -; ninguém aborda a questão relacionada com os interesses da coletividade (SC Vasco da Gama) que tem lá instalações desportivas… e vamos andando nesta expectativa que facilmente seria superada com, ou por uma, mera explicaçãozinha, pela rama, mas… uma explicaçãozinha só, quanto ao futuro do local.

Não! Ficou tudo calado, porque não há soluções palpáveis quanto à defesa dos interesses dos utilizadores-pagadores dos transportes públicos que ainda hoje utilizam o Parque, como terminal das suas carreiras…

01abr19

 

 

 

 

 

 

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