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PONCIANO DE OLIVEIRA (PRESIDENTE DA CASA DOS AÇORES DO NORTE): “NÓS SOMOS AS NOSSAS GENTES E O SEU MODO DE VIVER, SE ALTERARMOS ISSO TORNAMOS A NOSSA REGIÃO NUM SÍTIO PARECIDO COM TANTOS OUTROS…”

Ponciano de Oliveira é presidente da Direção da Casa dos Açores do Norte (CAN) há onze anos. Casa que, sediada no Porto, mais concretamente na freguesia do Bonfim, comemorou, no passado dia 06 de março, 39 anos de existência.

Representando uma comunidade que vai para além dos seus trezentos associados, a CAN é, por assim, dizer uma verdadeira embaixada da Região Autónoma no Norte do país, sendo fundamental o seu interventivo papel no dinamismo económico entre as duas regiões, assim como a vertente cultural, atividade que é, no fundo, a bandeira da instituição; instituição essa que não para e tem importantes projetos para o futuro, sendo de realçar um, ou seja, a criação de um espaço de apoio a todos os açorianos que se deslocam ao Norte para tratamentos de saúde.

Estas e mais novidades foram dadas a conhecer por um líder de uma importante Casa, no contexto das 14 espalhadas por todo o mundo e que relevam os Açores através do que melhor que a região pode oferecer

José Gonçalves                Filipe Navaro

(texto)                                (fotos)

Que análise faz a tudo o que tem sido desenvolvido por esta que é, em boa verdade, uma embaixada dos Açores no Norte de Portugal?

“A Casa dos Açores do Norte tem tido diferentes importâncias ao longo da sua história. Há uns tempos, o “Jornal de Notícias” fazia uma reportagem sobre as casas regionais no contexto atual da sociedade da informação, na medida em que estas sempre foram associações que reuniam os naturais e os interessados nas diversas regiões e se aglomeravam um pouco por força da falta de comunicação e de meios de comunicação , factos que têm vindo a perder a sua importância. A verdade é que nós temos procurado ajustar-nos aos novos tempos e desde há uns anos – aproveitando o legado que tínhamos – seja do património físico, seja do património histórico -, fomos paulatinamente consolidando o papel da Casa dos Açores num centro de reflexão, de defesa, promoção e representação dos interesses dos Açores. Atuamos, assim, em três áreas distintas, sob os valores da cultura, da solidariedade e da prosperidade, e temo-lo feito, cada vez mais, numa lógica de prestação de serviços à comunidade ”.

E a comunidade açoriana no Norte de Portugal é considerável?

“É considerável! Temos cerca de trezentos associados sendo certo que isso não esgota a comunidade açoriana aqui no Norte, nem de perto nem de longe. É importante referir que quando nós falamos numa lógica de serviços à comunidade, não falamos só da comunidade açoriana no Porto, mas também da comunidade nortenha. Nós funcionamos numa lógica bidirecional da promoção das relações económicas, sociais e culturais dos Açores para o Norte de Portugal e do Norte de Portugal para os Açores”.

DINAMIZAÇÃO ECONÓMICA

Essa política tem dado resultados?

“Tem! Por exemplo, no domínio económico, temos no nosso histórico recente, a realização das comissões empresariais, levando empresários do Norte de Portugal aos Açores. Temos também levado a cabo vários workshops e reuniões de divulgação de oportunidades de investimento nos Açores, e do quadro de investimentos dos Açores aqui no Norte. Aliás, mantemos um protocolo com a Sociedade para o Desenvolvimento dos Açores para fazer essa divulgação”.

Têm, por certo, uma ligação muito direta com o Governo Regional…

“…temos uma ligação muito direta e temos até vários projetos protocolares com o Governo Regional dos Açores. Um dos quais trata-se do projeto de resposta e de apoio psicossocial aos doentes e seus familiares que se deslocam dos Açores ao Norte de Portugal para terem cuidados de saúde. Temos, para o efeito, técnicos de serviço social e de psicologia”.

Esse serviço tem registado muita adesão?

“Sim. Temos tido mais de quinhentas intervenções por ano, em cerca de cento e cinquenta a duzentos doentes, os quais acompanhamos e que cá se deslocam para obterem cuidados de saúde em especialidades diferenciadas.

Já no domínio cultural, temos cerca de três dezenas de atividades culturais anuais…”

A CULTURA COMO REFERÊNCIA

Aliás, a Casa dos Açores é muito conhecida através dessas atividades…

“Exatamente! Temos também editado obras, algumas delas inéditas, de edição própria da CAN, de autores açorianos e não só. E mantemos um conjunto de outros serviços ao dispor dos associados. Recebemos exemplares de toda a imprensa regional e temos uma Biblioteca com mais de três mil obras literárias de inspiração açoriana, e, consequentemente, diversos pedidos para consulta das mesmas. Aliás, um dos projetos que temos em mãos, é justamente catalogar a Biblioteca. A nossa vice-presidente está a trabalhar nisso, no sentido de tornar a pesquisa de uma forma mais acessível aos associados e interessados…”

Com as vossas iniciativas, recordo-me da Festa do Divino Espírito Santo que tem muita divulgação e atrai muita gente, vão como que chamando os vossos associados açorianos, mas também os portuenses e os nortenhos na sua generalidade, à Casa?!

“Fazemos questão disso. Uma das nossas matrizes é a de sermos uma Casa dos Açores para os associados, para os amigos dos Açores, para os seus familiares e para todos aqueles que gostam dos Açores.

Nós, por exemplo, acolhemos aqui na nossa Casa, o Posto de Turismo do Governo Regional dos Açores, onde procuramos divulgar os nossos costumes entre os quais as nossas festas, e para essas festas convidamos todas as instituições da freguesia onde estamos sediados, a do Bonfim. Aliás, uma das coisas que fazemos é integrarmo-nos em todas as atividades da freguesia, para nos darmos a conhecer, e colocarmos à disposição toda a ajuda que possamos dar à vida associativa da freguesia do Bonfim”.

JUVENTUDE: O DESAFIO!

E a juventude é participativa?

“A juventude é nesta associação, como em outras, um dos desafios que se tem hoje em dia. Volto a dizer que a sociedade de informação veio colmatar, em grande medida, as necessidades que as associações satisfaziam. E, sem que isso signifique uma substituição total dessa possibilidade, ou dessas necessidades, a verdade é que muito do que se procurava, nas coletividades, era um ponto de encontro que as redes sociais tendem a substituir. Isso no contexto atual, aliado ao facto de as pessoas terem muitas mais solicitações, torna um desafio permanente às associações.

A questão é que acho que nós vamos fazendo bem o nosso trabalho e sempre vamos conseguindo realizar eventos de interesse para esses associados, ao criar-lhes serviços de interesse e que acrescentam valor social para a comunidade…

..as redes sociais ainda não transmitem os cheiros e os cheiros também são característicos das regiões…

…ora, nem mais! E nem os sabores…

NOVO ESPAÇO AÇORIANO NO PORTO

Projetos para o futuro…

Temos um grande projeto em andamento que é a criação de uma resposta de alojamento e alimentação para os doentes dos Açores. Projeto esse que já desenhamos, estando, agora, à procura dos apoios necessários para o efeito. Isso sem prejuízo das atividades normais e atuais que temos desenvolvido. Esse projeto é, neste momento, a nossa grande ambição. Esperamos que esse espaço fique situado nas proximidades da Casa dos Açores do Norte. Para já, estamos numa fase de auscultação.”

Quem diz acolher doentes, poderá também dizer acolher estudantes que queiram vir a desenvolver, ou já desenvolvam, as suas atividades no Norte?

“Neste momento o que está previsto é que esse espaço se destine aos doentes, não quer dizer que aos estudantes lhes fechemos completamente a porta. Mas estamos, essencialmente, a pensar nos doentes dos Açores.”

UMA REGIÃO EM CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL

A região dos Açores tem evoluído?

“Sim. Significativamente! Os Açores tem acompanhado o movimento do país nos últimos anos de evolução e de aproximação. Tivemos, nos anos mais recentes, uma evolução turística significativa com tudo o que isso acarreta, não só a nível do que representa para a economia regional, mas também ao nível da interpenetração cultural que o mesmo provoca e que, em certa medida, beneficia a região. Tenhamos também nós as cautelas que devemos ter nesse sentido. Mas, existe na população e nas instituições açorianas uma preocupação em apostar em modelos sustentáveis de desenvolvivimento.

A proposta de valor turística dos Açores é justamente a sua paisagem e as suas gentes. Nós somos, no fundo, as nossas gentes e o seu modo de viver naquele contexto natural. Se nós alterarmos isso, tornamos a região num sítio parecido a tantos outros”.

É são essas caraterísticas específicas que, naturalmente, a CAN quer dar a conhecer ao Norte, e ao mundo…

“A CAN o que pretende é projetar essa imagem e ajudar a desenvolver esse caminho que tem sido seguido, apresentando uma região moderna. Para além de toda a riqueza natural que tem, ela é uma região atual, moderna, desenvolvida, com oportunidades de investimento; com oportunidades de vida muito interessantes; riquíssima no produto turístico que oferece, e a caminho de uma diversificação da sua economia, sempre num contexto de coesão social”

UMA “MARCA” MUNDIAL

Quantas Casas dos Açores existem espalhadas pelo mundo?

“Existem 14 casas que integram o Conselho Mundial de que a CAN é uma das fundadoras. As Casas dos Açores que integram este Conselho Mundial têm a caraterística de manterem uma atividade eclética como a nossa; não são, assim, meras associações recreativas mas verdadeiros polos de dinamização dos interesses dos açorianos”.

Há intercâmbio entre elas?

“Há… muito! No nosso aniversário, por exemplo, tivemos cá alguns tocadores de outras casas, como de Lisboa e do Algarve. Já estive, há dois anos, no aniversário da Casa dos Açores em Nova Inglaterra e, amiúde, existe essa dinâmica e essa interligação, que é importante porque não só aprendemos uns com os outros, como beneficiamos da dimensão do conjunto das casas. Estamos a falara de comunidades muito extensas com as quais partilhamos as boas práticas que vamos desenvolvendo no nosso dia-a-dia”.

Os Açores recomenda-se…

“… muito!”

01abr19

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