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OVAR – “PROCISSÃO DOS TERCEIROS” JÁ SAIU À RUA INICIANDO AS TRADICIONAIS E SECULARES CELEBRAÇÕES QUARESMAIS

Como acontece há quatro séculos, com toda a evolução e alterações na constituição das Procissões Quaresmais, estas manifestações de fé na Cidade de Ovar continuam a chegar aos tempos atuais pela Ordem Franciscana de Ovar que, anualmente, e no âmbito de um calendário de celebrações cumpriu a tradição no 2.º Domingo da Quaresma (17 de março) com a saída à rua da Procissão dos Terceiros. Um património social e humano, cultural e religioso, que mobilizou várias centenas de fieis pelas ruas da habitual passagem da Procissão e dos participantes que corresponderam aos apelos da Paroquia Local, para que, “participe nas Procissões Quaresmais, integrando-se nelas e assistindo à celebração que as precede”.

José Lopes

(texto e fotos)

Os 14 andores que fazem parte desta primeira celebração pública da Quaresma, foram saindo da Igreja Matriz de Ovar aos ombros de grupos de homens que, ao longo de gerações se vão substituindo nesta missão de carregar os seus santos devotos. Uma antiga relação, dedicação e manifestação de fé, que tem garantido a preservação deste secular património religioso, que começa por cumprir esta via-sacra a partir da Capela dos Passos Pretório no interior da Igreja Matriz, percorrendo os arruamentos da cidade em que se localizam algumas das igualmente seculares Capelas dos Passos, elementos integrantes dos “quadros” representados nas Vias-Sacras, que só mostram toda a beleza da sua arte sacra e da dedicação das zeladoras, quando abrem as portadas nas Procissões que se seguem nestas vivências da Paixão de Cristo.

Participam ainda nestas celebrações, os Escuteiros de Ovar e várias delegações de Fraternidades Franciscanas de diferentes pontos do país, que, envergando correspondentes capas e estandartes, colaboram nas Procissões em que, vários dos seus devotos, são igualmente entusiastas protagonistas da folia, que assim fazem a transição entre festejos profanos e as celebrações religiosas. Razões culturais e religiosas seculares, que sempre pesam na decisão de, no caso do Carnaval de Ovar, nunca ser adiado, como, apesar de muitas críticas nas redes sociais, voltou acontecer este ano na Terça-feira de Carnaval devido ao mau tempo.

No calendário das Procissões Quaresmais, em que a dos Terceiros (ou das Cinzas) assume grande relevância pelo património que representa, e pela evolução que teve nas suas várias configurações ao longo dos séculos, tendo chegado a ser constituída por vinte e quatro andores (1672), e já em 1868, segundo alguns registos históricos locais, tinha sido reduzida a apenas 10 andores. Seguem-se a Procissão dos Passos no 4.º Domingo da Quaresma (dia 31 de março), característica pelo “Encontro” dos andores com as imagens de Nossa Senhora das Dores e do Senhor na respetiva Capela dos Passos em que tem lugar o sermão e o tradicional cântico perante os muitos fieis que ali se concentram, depois de terem saído da Igreja Matriz e fazerem caminhos opostos para o “Encontro”, seguindo depois um único percurso pelas capelas dedicadas à Paixão de Cristo.

Este ciclo celebrativo em Ovar prossegue na também tradicional Quinta-feira Santa (dia 18) com a Procissão do Ecce Homo/Terro-Terro com origem em finais do século XVII, em que tinha a particularidade de permitir confissões públicas de muitos penitentes de cabeça tapada. Durante esta Procissão que sai da Igreja Matriz, chega à Capela do Calvário e retoma à Igreja de onde partiu, o silêncio da noite é pontualmente interrompido pelo estridente som das simbólicas matracas, um dos adereços desta celebração que outrora incluía ainda duas longas “linhas luminosas” paralelas, formadas por archotes que iluminavam as três imagens do século XVIII, compostas pelos andores, Crucificação, Senhor da Cana Verde e Cristo Atado à Coluna.

No dia seguinte, Sexta-feira Santa (19 abril), logo pela manhã cedo (7h30), tem lugar a Procissão Via Sacra organizada pela Ordem Franciscana de Ovar e percorre as catorze cruzes que se podem observar nas principais ruas do centro da cidade. Neste mesmo dia pelas 20h30 acontece a Procissão do Enterro do Senhor composta pelos andores, que representam, esquife com Cristo Morto e Nossa Senhora da Soledade, que saem e regressam ao Calvário com todo o cenário para esta representação proporcionado pelas escadarias de granito. Uma celebração organizada pela Irmandade dos Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo ainda antes da construção das seculares Capelas dos Passos que, integram o doloroso percurso da Paixão de Cristo, como: Primeira Queda, Encontro, Cireneu, Verónica, Filhas de Jerusalém, Calvário e Pretório (na Igreja Matriz).

Os catorze andores na Procissão dos Terceiros por ordem de saída

Andor de N.ª Sr.ª da Conceição

Andor de S. Lúcio e Santa Buona (Os Bem Casados)

Andor de Santa Rosa de Viterbo

Andor de S. Francisco Prostrado nas Silvas

Andor de Santa Margarida de Cortona

Andor de Santo Ivo (Padroeiro dos Advogados)

Andor de S. Roque

Andor de S. Luís Rei de França

Andor de Santa Isabel da Hungria

Andor de Santa Isabel de Portugal

Andor de Santo António de Lisboa

Andor de Santa Clara de Areias

Andor de São Francisco Abraçado a Cristo

Andor da Ordem Terceira

01abr19

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