Repórter X
(texto e fotos)
Rua histórica do Porto. Foi de Santo António, hoje, e de há uns anos, de 31 de Janeiro. Lá se deu, à data que lhe dá topónimo, de 1891, a primeira revolta – ainda que sem resultados práticos imediatos-, tendo em vista a Implantação da República.
A Rua de 31 de Janeiro foi sempre uma referência da cidade, não só pelo simbolismo histórico, mas por ser uma das suas artérias centrais, e de ligação da Praça da Batalha/Rua de Santa Catarina com a Praça da Liberdade e a Estação de S. Bento (via descendente), e onde se encontravam sediados importantes estabelecimentos comerciais.
Em meados do século XIX era considerada a “Rua Chique”, a “tal” onde se encontravam os luveiros, os cabeleireiros da moda, as alfaiatarias de referência e tabacarias, como a “Africana”, e ainda a Casa “Prud’Homme”, uma mercearia fina, onde se vendiam os melhores queijos e champanhes da cidade.
Ainda para a história desta rua, fica o Teatro Circo e o Teatro Baquet, mandado construir pelo alfaiate António Pereira Baquet (1859) e que, 29 anos depois da sua inauguração, foi consumido pelas chamas.


A verdade, porém, é que a “Rua de Trinta e Um de Janeiro” não acompanhou, nos últimos anos, o “boom” turístico e todo o processo de requalificação urbanística verificada no centro do Porto, e hoje, encontra-se, praticamente, desabitada, abandonada… morta! Estado de degradação que é observado, principalmente, por todos os que, de elétrico, se deslocam, da Praça da Liberdade rumo à da Batalha.
Restam ainda os edifícios representativos da Arte Nova, mas já em avançado estado de degradação, e estabelecimentos vandalizados no seu exterior, com pinturas aberrantes, assim como outros com os seus “portais” a servirem de abrigo para os que o não têm.
Uma tristeza…

Nesta altura do ano, e quando o estado do tempo convida a passeios, a rua ainda fica composta de gente (muitos turistas), mas pouca é a oferta comercial, ainda que no sopé da artéria, a coisa, nesse sentido, esteja um pouco mais “animada”.
Seja como for a Rua de 31 de janeiro já não é como era dantes, esperando que a reabilitação no edificado que modificou (para melhor, está claro!) a baixa do Porto se estenda para mesmo “ali ao lado”, até à 31 de Janeiro. Não se sabe ainda lá muito bem as razões para o estado em que ela se encontra…
Este foi um apontamento de reportagem que carece, naturalmente, de futuro desenvolvimento. No entanto, está dado o mote para uma discussão mais aprofundada sobre o futuro de uma artéria histórica do Porto que, ou por desinteresse de privados, ou de entidades públicas, está transformada numa “mancha negra” da cidade.
01mai19












