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“O RODRIGO SEMPRE FOI MUITO COMPETITIVO…” – QUEM É O RODRIGO?

“Sou uma pessoa que aprende diferente mas posso aprender.

Você se esqueceu que para ensinar alguém como eu você não precisa de um diploma especial?

Você precisa de vontade, paciência e amabilidade.

Não me negue um direito.”

(mensagem da AMOR-Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Mossoró e Região que Rosa Oliveira partilha no seu facebook)

Este foi o “pedido” que o Rodrigo Patrício, com 13 anos de idade, natural de Esmoriz, que tem Perturbação do Espectro do Autismo, nunca precisou de fazer à sua mãe, Rosa Oliveira, que mais do que “vontade, paciência e amabilidade”, acredita na extraordinária determinação e força de vontade deste seu filho, para vencer as várias etapas da vida e da sociedade em que as diferenças ainda são difíceis obstáculos, mas que, exemplos como os do Rodrigo permitem acreditar que serão vencidos.

José Lopes

(Texto / Entrevista)

Para conhecer um pouco mais a atividade e pratica desportiva a que o Rodrigo se dedica com particular entusiasmo, empenho e espírito competitivo, com o indissociável apoio familiar, o nosso jornal procurou através de Rosa Oliveira, partilhar com os leitores a alegria de uma mãe que não desiste do caminho, para a felicidade do seu filho com Perturbação do Espectro do Autismo, tal como afirma a mesma associação brasileira AMOR, em que esta mãe, sem qualquer relação com a esta ou outra qualquer associação, encontra neste caso mensagens fortes, como, “Não permita de forma nenhuma que tentem destruir a sua fé, a sua autoconfiança, e muito menos que digam que «não há o que fazer»! Independentemente da idade, acredite no seu filho. Nunca desista.”

Nunca desistir é o lema deste jovem aluno que fez o 1.º ciclo na EB1 de S. Donato (Guilhovai-S.João) por ter Unidade de Autismo, depois o 2.º ciclo na Escola António Dias Simões (Agrupamento de Escolas de Ovar) e atualmente a frequentar o 8.º ano de escolaridade na Escola Secundária Júlio Dinis (Agrupamento de Escolas Ovar Sul). Atleta e praticante de natação adaptada no “Feira Viva Natação Adaptada”, em que, como nos diz a mãe nesta peça, o Rodrigo também se inspira em colegas de alta competição como Ivo Rocha e o Rúben Linhares que representaram a Seleção Nacional de Natação Adaptada, entre 25 e 28 de abril em Glasgow, uma dupla igualmente integrada no projeto dos Paraolímpicos em Tóquio 2020.

O desporto e no caso concreto a natação adaptada como começou para o Rodrigo e desde que idade?

“A natação adaptada surgiu por sugestão de uma amiga, cuja filha, também com autismo, frequentava já há algum tempo. O Rodrigo tinha dificuldades a nível da motricidade e achei que lhe iria fazer bem. Além de que ele se sentia muito à vontade na água. Ele começou com 6 anos, ia à piscina uma vez por semana, ao sábado. Durante dois anos foi aprendendo andar na água, fazendo algumas birras para sair da água ou quando lhe era pedido algo novo. Depois foi ultrapassando os medos e foi aprendendo a nadar. O primeiro estilo que nadou foi costas. Depois passou a ir duas vezes por semana.”

A componente competitiva como surgiu?         

“O Rodrigo sempre foi muito competitivo e gostava muito pouco de perder. Ficava muito frustrado e essa frustração resultava em birras em que ele chorava muito.

Com o tempo foi aprendendo a regular as emoções. Mas o espírito mesmo de competição a sério veio há cerca de 2 anos, que foi quando ele percebeu que para receber medalhas e para ter um lugar no pódio teria que nadar mais rápido e superar os tempos registados.”

Integra a equipa do Feira Viva desde quando?

“O Rodrigo integra a equipa do Feira Viva há cerca de 3 anos, em competição.”

Fases de evolução da sua prática desportiva na modalidade?

“A fase mais marcante do Rodrigo começou o ano passado, penso que houve uma viragem no cérebro do Rodrigo. Começou a treinar 5 a 6 vezes por semana sem reclamar. Colaborava com o que lhe era pedido, mesmo em casa e na escola houve essa mudança. Só faltava um obstáculo, mergulhar do bloco. Foi uma longa batalha porque ele tinha medo de mergulhar e de se magoar. Mas com muita insistência dos professores, o Rodrigo mais uma vez venceu o medo.”

Momentos mais marcantes em competições?

“O Rodrigo teve várias provas esta época desportiva e tem melhorado em quase todas elas. Participou no Campeonato Nacional de Inverno de natação adaptada, que se realizou na Guarda e foi campeão nacional em alguns estilos na classe dele, que é S14 Esperanças, como por exemplo os 400 metros livres. Participou também em outras provas como o campeonato regional de inverno em Recarei – Paredes, Campeonato Regional de Verão na Póvoa de Varzim, Campeonato da cidade do Porto entre outros. A próxima prova em que irá participar é o Campeonato Nacional de Verão de natação adaptada, que se vai realizar nas piscinas do Jamor em Oeiras.

Houve muitos momentos marcantes no percurso desportivo do Rodrigo, com altos e baixos. Mas sem dúvida que a mudança de comportamento dele, para melhor, o facto dele ultrapassar o medo de mergulhar, o lidar bem com a derrota, como aconteceu na Gala de Desporto da Feira, foram os momentos mais marcantes. Deixou-me super orgulhosa dele.

Sem dúvida que a nomeação para Gala de Desporto do Município de Santa Maria da Feira para Atleta do Ano em formação género masculino, foi o momento mais marcante, porque é o reconhecimento do esforço e da evolução do Rodrigo.”

Treinadores que foram e são marcantes?

“Todos os professores de natação foram marcantes no crescimento do Rodrigo como atleta e como pessoa. Ele aprendeu valores, aprendeu a cumprir objetivos e metas tanto a nível desportivo como a nível pessoal. Cada um dos professores marcou de forma diferente a vida desportiva do Rodrigo, mas talvez a que marcou mais, e que é normal, é a professora Carla Cardoso, que é a coordenadora da equipa, pela exigência na natação. O Rodrigo sabe que os treinos com a professora Carla são exigentes, mas sabe que são necessários para melhorar cada vez mais. Ele entende o nível de exigência da treinadora.

Mas o Rodrigo também se inspira nos colegas de alta competição, nomeadamente o Ivo Rocha e o Rúben Linhares, que são dois dos atletas que estão integrados no projeto dos Paraolímpicos em Tóquio 2020.”

Que objetivos desportivos quer atingir?

“Sempre que perguntamos ao Rodrigo quais são os objetivos dele no desporto, em primeiro lugar é ser mais rápido que o Michael Phelps. Depois claro que quer ser o melhor da classe dele a nível nacional e posteriormente a nível mundial. E nós só lhe perguntamos o seguinte: «Sabes o que é preciso pra isso acontecer?» E ele responde: «Sim mãe, trabalhar muito». E nós só respondemos que enquanto ele quiser e se se sentir feliz nós iremos ajudar no que for possível.”

Como conjuga a escola e a prática desportiva?

“Este ano o Rodrigo tem as tardes todas preenchidas com a escola e tem uma manhã livre. Chega todos os dias a casa às 19:00 horas e vai logo direto para os treinos de natação. Há dias em que chegamos a casa entre as 21:30 e as 22:00, e ainda vai jantar, arranjar as coisas para a escola, enfim, tem um horário muito extenso. Não é um excelente aluno mas vai-se desenrascando. Este ano também conseguiu outras conquistas que são muito importantes para o bem-estar dele, que é conviver com os colegas, o que nos outros anos era muito difícil.”

Que significado teve para o Rodrigo esta sua experiência na Gala do Desporto de Santa Maria da Feira?

“A Gala de Desporto foi muito importante na vida desportiva do Rodrigo. Foi o reconhecimento e o verdadeiro mérito do trabalho do Rodrigo. Ele sentiu-se muito orgulhoso, embora soubesse logo de início que tinha forte concorrência. Apesar de ter ficado um bocadinho desiludido por não ter ganho, ele tinha noção que a verdadeira vitória tinha sido a nomeação.”

Fotos: Facebook/Rosa Oliveira

01mai19

 

 

 

 

 

 

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