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OVAR ASSINALOU O “MAIO DO AZULEJO”!

Visitas guiadas, oficinas, exposições, conversas, educação patrimonial e atividades lúdicas, foram as propostas de um vasto programa sugeridas pelo Município de Ovar no âmbito da 3.ª edição do Maio do Azulejo, que se realizou entre 2 a 31 de maio, como um evento direcionado para vários públicos, com atividades dedicadas à temática da azulejaria nas suas várias vertentes, “patrimonial, turística, artística e lúdica”. Este Maio contou ainda com uma exposição no Museu de Ovar “Da Fotografia ao Azulejo” de José Luís Mingote Calderón (Museu Nacional Soares dos Reis),

As diversificadas atividades incluíram projetos como “CLICK” apresentado em formato “Raide” fotográfico na descoberta do património azulejar de todo o concelho, enquanto, que ao público escolar foram proporcionadas visitas orientadas de educação patrimonial, entre “Tradição e modernidade” que se centrou no azulejo de fachada. Realizaram-se igualmente visitas guiadas a três das igrejas mais emblemáticas do concelho de Ovar no que diz respeito à presença de azulejo, nas Igrejas Matriz de Ovar, Válega e Cortegaça. Visitas guiadas que incluíram o tema “O Azulejo, o Mar e a Ria / O património natural de Ovar, as tradições ligadas às artes do mar”.

Os grupos de participantes nas várias atividades no âmbito do Maio do Azulejo tiveram ainda oportunidade de participarem nas oficinas de pintura em Azulejo na Escola de Artes e Ofícios, cujo objetivo proposto foi a produção de painel em Azulejo sob a temática “Caldeirada de Peixes”, segundo o imaginário criado por Jorge Barradas e a temática marítima explorada no painel “Cantigas do Mar”, que presente no Palácio da Justiça de Ovar, como um dos pontos do roteiro de arte pública que o património azulejar da cidade proporciona a quem visita Ovar.

O projeto de produção deste painel “Caldeira de Peixe”, que à semelhança de Jorge Barradas teve como base a exploração das tradições piscatórias locais, incluiu também visitas ao património natural de Ovar, nomeadamente às tradições ligadas às artes do mar, bem como o convite a degustar um dos pratos emblemáticos e carismáticos da gastronomia vareira como é a “Caldeirada de Peixes”.

Como resultado do envolvimento dos participantes na iniciação e pintura de Azulejo, alusivos à temática proposta, irá ser aplicado na área da venda do peixe no Mercado Municipal de Ovar, um mural com 1400 azulejos desenhados pela comunidade que durante esta 3.ª edição do Maio do Azulejo participou nos vários desafios propostos por um programa que inclui “Aula Aberta” pela Universidade Católica, sobre “implementação de estratégias integradas de reabilitação do património arquitetónico representa um potencial que integra um conjunto diversificado de valências”, partindo da experiencia do Município de Ovar na recuperação do património edificado do núcleo histórico da cidade, pelo ACRA (Atelier de Conservação e Restauro do Azulejo).

No Museu de Ovar os vários públicos do Maio do Azulejo tiveram ainda a oportunidade de visitar a exposição “Da Fotografia ao Azulejo”, em que se pode ver a importância dos painéis de azulejos um pouco por todo o país na primeira metade do século XX, em espaços públicos, com particular relevo nas estações de caminho-de-ferro. Nesta mostra é ainda possível observar que a fonte iconográfica das pinturas no azulejo, resultam das fotografias da época, alusivas a “imagens do país, com os seus heróis, monumentos gloriosos, paisagens características de cada região e o povo rural como modelo de felicidade.”

Os visitantes encontram nesta exposição referencias a alguns dos autores de fotografias usadas para os painéis de azulejo que fazem parte do acerco cultural e património azulejar do país, como Álvaro Laborindo (1879-1970), Arnaldo Garcês Rodrigues (1885-1964), Augusto Bobone (1852-1910), Álvaro Cardoso de Azevedo (1894-1959), Eduardo Nogueira (1898-1969), ou Marques Abreu (1879-1958), entre vários outros com seus resumos biográficos.

As fábricas de produção de azulejos artísticos que existiram pelo país, merecem igualmente atenção, com o Porto e depois Vila Nova de Gaia como principais centros produtores de azulejos de fachada no século XIX, através da Fábrica do Carvalhinho. Aveiro também se afirmou através da Fábrica da Fonte Nova, seguindo-se outras fábricas como a Aleluia. Destacou-se ainda como grande centro a região de Lisboa, com as fábricas de Sacavém, Lusitânia, Constância, Sant´Anna e Viúva Lamego.

A investigação refletida nesta exposição, destaca ainda a presença de painéis de azulejo nas Estações dos Caminhos-de-ferro, a exemplo da de Ovar, ou Caldas da Rainha, Rio Tinto, Granja, Pinhão ou Sines, entre várias outras, em que se podem ver conteúdos paisagísticos, monumentos e etnográficos que, como em muitos dos painéis de azulejo identificados, “refletem a imagem que os diferentes nacionalismos e regionalismos queriam de Portugal”. Merecem igualmente destaque os painéis de azulejo da Estação de S. Bento no Porto da autoria do pintor Jorge Colaço.

Esta exposição “Da fotografia ao Azulejo” que esteve patente durante o evento da Câmara Municipal de Ovar, Maio do Azulejo, foi inaugurada pelo presidente do Município de Ovar, Salvador Malheiro, no dia 2 de maio na Sala dos Fundadores do Museu de Ovar.

Texto: José Lopes

Fotos: pesquisa Facebook

01jun19

 

 

 

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