Weihua Tang
Sinceramente, quando cheguei a Portugal, não me admirei assim tanto pelo tamanho do território, nem pelo espaço do aeroporto, nem pela estação rodoviária pequeníssima, nem pelo comprimento dos comboios curtíssimos, nem pela largura das ruas estreitíssimas por todo lado, nem pelos pouquíssimos passageiros no autocarro… O que me admirava imenso era uma expressão impressionante que tem a ver connosco – “paciência de chinês”.
Sendo uma chinesa de gema, fiquei inexplicavelmente encantada pela expressão metafórica, pois achei muitíssimo típica e interessante. A minha dúvida e a minha curiosidade é esta:
Por que razão a palavra “paciência” é “de chinês”, e não se atribui também às outras raças… Porquê? Será um “destino”, ou simplesmente é uma “coincidência”? Será uma característica simpática em relação aos chineses? Ou um eufemismo qualquer para com o povo chinês?
Lembrei-me de um pormenor de há 20 anos, na China, quando fui visitar um professor vizinho. Mal entrei no quarto do casal, havia um quadro pendurado, em cima da cama, que chamou a minha atenção. Estava lá escrito somente um grande caracter chinês [r?n]. Curiosa e atrevidamente perguntei o porquê de só constar esta palavra, no quadro? E, com surpresa, a resposta também era apenas uma palavra: “paciência”!
Teoricamente este caracter consta de duas partes: a de cima tem uma palavra que significa “um punhal afiado” e a parte de baixo também contém uma palavra, mas bem diferente, pois é um “coração”. Conforme as características dos caracteres chineses, quando não podemos fazer ou falar o que pensamos com o coração, chama-se “tolerância”. Aliás, literalmente, para não magoar ou prejudicar o seu “coração”, tem de ficar “calado” ou “imóvel” quando necessário! É lógico que quando um “coração” suporta um “punhal afiado”, conseguirá aguentar tudo! É verdade, é ou não é?! E, acima de tudo, quanto mais “tolerância” se tem, mais “paciência” vem! “A paciência é a arte de sofrer sem perder a compostura”, o que é, indiscutivelmente, bem dito!
Além disso, quando se refere a “tolerância de ponto” ou a “tolerância de Carnaval”, etc., como se diz em Portugal, é a mesma coisa. Na realidade, os portugueses têm razão, não é só a inteligência do povo português, mas também é a imaginação rica dos portugueses e, sobretudo, a racionalidade portuguesa. No fundo, aos olhos dos chineses, a palavra “tolerância” é positiva! É uma boa qualidade! É uma virtude!
Corajosamente, também posso imaginar o que irá acontecer, quando a “tolerância de Português” se cruzar com a “paciência de Chinês”: será um “milagre”!
Foto: pesquisa Google
01jun19

Parabéns pelo excelente texto sobre esta curiosa expressão. Li com muito prazer! 🙂
Resposta ao recente comentário do senhor ANTÓNIO:
Agradeço desde já a sua atenção pelo meu artigo.
Em princípio, não costumo responder aos comentários, mas a pedido do diretor do jornal, abro uma exceção.
Li e reli atentamente o seu extenso comentário. No meu ponto de vista, é apenas a sua opinião sobre a China, a minha pátria, e sobre a política internacional.
Por isso, respeito a sua opinião. Sem mais nada acrescentar.
Grata.
Há uns anos li este texto e os seus comentários sem lhe dedicar uma superior importância, no entanto, e, embora apenas por acaso cá tenha voltado, pensando nos acontecimentos dos útimos 3 anos, deixam-me alguns pensamentos preocupantes a observação e análise que a moçinha Tang ( acredito na melhor das suas intenções) faz da dita “paciência de chinês” não sei se inventada por nós mas que, em face do que se observa em matéria de política internacional, a “paciência de chinês” parece ser a pedra de toque, o segredo do domínio, a conquista silenciosa, a manhosice, a tanga, chamem-lhe o que quiserem que – é a estratégia chinesa para se elevar como (faz querer parecer), a primeira potência mundial! E foi com “paciência de chinês” que se colocou nessa grelha de partida da corrida económica e, embora com pernas mais curtas (tecnologia), foi usando (copiando) as pernas dos adversários etá se aproximar da recta da meta e já correr com o mesmo tamanho de pernas.
Estará ainda a revelar alguns problemas de crescimento em matéria segurança, pelo menos na área de investigação bacteriológica, com fugas de Covid desaconselháveis nesta fase, mas, a preparar-se para um novo ataque de “paciência de chinês” com a mudança estratégica do sistema -um casal um filho- que, provavelmente, foi o causador da menina Tang hoje falar português e não apenas Mandarin! Esta mudança radical, num país que produz agricultura para mais de metade da sua população e só não extingiu todas as espécies animais no seu território porque algumas são produzidas para consumo humano e outras simbolos culturais, promover a natalidade num país com (julga-se) 1.5 biliões de habitantes parece algo que, pretende sufocar as regiões vizinhas e outras que eventualmente possam interessar. De imediato, África e América do sul! Com emigração e comécio como fizeram com Portugal (embora neste último caso a culpa nem fosse deles). O misticismo Oriental cativou outras culturas, mesmo do norte da Europa e até suecos venderam parte dos seus maiores símbolos aos dólares chineses (Volvo e outras). Com “paciência de chinês” desbaratou todo o stock produzido nos últimos 10 anos de máscaras ( grande parte estragada ou, de péssima qualidade, como é costume) e outros aparelhos inúteis que produziram ao estilo ocidental (rápido), para aproveitar a onda COVID.
Consigo compreender como é que uma natural chinesa se delicia com os transportes vazios e as estações minúsculas mas, fica no ar uma dúvida quase sempre… SERÁ UM ELOGIO OU UMA CRÍTICA? Qual será a intenção de terminar com a racionalidade de uma família um filho que parecia aceite pelos milhões que não emigraram? A amizade recente com a Rússia (de quem esteve de costas voltadas desde a invasão Mongol) que significado terá? Cuidado com esta “paciência de chinês” que não tem NADA DE TOLERANTE!!!
A explicação que deu parece-me cabal, mas paciência nem sempre é boa política e pode ser, muitas vezes, uma estratégia bem nociva e muito pouco indicada para determinadas situações. Acho, por exemplo, que o mundo está a ter demasiada paciência com a China e a sua política destrutiva da natureza e do planeta e a sua fome de colonização devastadora de outras terras (o exemplo de África chega). Se é lógico que um coração com um punhal afiado apontado para o coração pode aguentar tudo, também é lógico o inverso. O nosso coração tolerante (e creia é bastante) até pode ser paciente, mas a paciência tem limites que não têm a “doce” fronteira da tolerância. As suas meias palavras, que muitos parecem não ter visto, não passou despercebida à minha inteligência e racionalidade. Se há guerra em que alguém sai a perder é a da tolerância versus paciência, por muito positivas que ambas sejam. No fundo, o tolerante tem uma coisa que o paciente não tem… o tolerante tem direitos que cede e fá-lo por respeito e amor e, portanto, no tolerante o coração “calado” ou “imóvel” é sentimento e opção, no paciente é estratégia cerebral. Como todos os “amantes”, um dia o tolerante deixará de o ser porque o amor e o respeito não são sentimentos que dependam da paciência, mas sim da bondade da intenção e da reciprocidade. Já agora, tem alguma história semelhante para a expressão “de gema”?
Excelente texto.
Parabéns, gostei muito. Quem me dera ter sempre um pouco da “paciência do Chinês”!
Poderá dizer-se que quando a “tolerância do português” encontra a “paciência do chinês” é quanto o Ocidente encontra o Oriente.
Parabéns, gostei.