O arquiteto Eduardo Souto de Moura recebeu, ontem (31mai19), ao princípio da tarde, na Sala Dona Maria – a mais emblemática da Câmara Municipal do Porto-, das mãos do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, numa cerimónia, sem precedentes, pois realizou-se fora do Palácio de Belém.
José Gonçalves Luís Navarro
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Na presença do presidente da Câmara do Porto, e anfitrião, Rui Moreira, assim como do presidente da Assembleia Municipal, Miguel Pereira Leite, de todo o executivo camarário e de muita gente amiga do arquiteto, o Presidente da República começou por agradecer ao presidente da Câmara Municipal do Porto “a honra que nos dá pelo facto de poder ser aqui que se processa a homenagem a alguém que vive no Porto, que com ele se identifica, e que, por ser do Porto, e se identificar com o Porto, ser nacional e mundial”.
Marcelo rebelo de Sousa salientou também “o humanismo e a intemporalidade da obra” de Souto de Moura, tal como o tinha feito o júri do famoso “Prémio Arnold W. Brunner 2019” da Academia das Artes e Letras, assim como as obras do arquiteto, designadamente, o Estádio Municipal de Braga e a Casa das Histórias Paula Rego, facto que demonstra, segundo o Presidente da República, uma “vontade desassossegada de alguém amante da literatura que, como já confessou publicamente “tem à cabeceira o Livro do Desassossego”.
“”Definindo-se como arquiteto pragmático, como homem da maratona, Souto de Moura assumiu sempre um historial de solidez, que vem desde logo de uma genealogia bem estabelecida: as aulas de Fernando Távora, a Escola do Porto e depois a proximidade com Siza Vieira, mesmo que estes dois notáveis portuenses tenham abordagens diferentes, de origem geracional umas e de método outras”, disse ainda Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhando, por último, que “no processo que vai do esboço à obra edificada, de uma obra em determinado contexto a outra com coordenadas diversas, nesse processo ninguém dúvida da vontade criadora e desassossegada de Souto de Moura, a vontade de evoluir, de saltar, de progredir, mesmo que não abandonando nunca certas linhas elegantes e diretas dos modernistas e daqueles que vieram depois deles”.
Finalizada a cerimónia formal, e autorizando – o que não é comum neste tipo de evento – declarações por parte do condecorado, que dedicou esta condecoração “a todos os arquitetos e aos jovens arquitetos que precisam de um grande apoio”, Marcelo Rebelo de Sousa abandonou a sala, sem prestar mais declarações, deixando todos os presentes numa sessão de cumprimentos e parabéns a Souto de Moura, visivelmente feliz com o ato de que foi protagonista.
BIOGRAFIA
Eduardo Souto de Moura é filho de José Alberto Souto de Moura, médico, natural de Braga, freguesia da Sé, e de sua mulher Maria Teresa Ramos Machado e irmão do 9.º procurador-geral da República Portuguesa, José Adriano Machado Souto de Moura e de Maria M. Machado Souto de Moura.
Formado pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, Eduardo Souto de Moura iniciou a sua carreira colaborando no ateliê de Álvaro Siza Vieira. Em 1981, recém-formado, surpreendeu a comunidade dos arquitetos vencendo o concurso para o importante projeto do Centro Cultural da Secretaria de Estado da Cultura no Porto (1981- 1991) que o viria a lançar, dentro e fora de Portugal, como um dos mais importantes arquitetos da nova geração.
O seu reconhecimento internacional viria a reforçar-se com a conquista do primeiro lugar no concurso para o projeto de um hotel na zona histórica de Salzburgo, na Áustria, em 1987. Casou com a também Arquiteta Maria Luísa Marinho Leite Penha, da qual tem três filhas: Maria Luísa Penha Souto de Moura (1982), Maria da Paz Penha Souto de Moura e Maria Eduarda Penha Souto de Moura (27 de Setembro de 1990).
Trabalhou com Álvaro Siza Vieira, mas cedo criou o seu próprio espaço de trabalho. Souto Moura, influenciado pela horizontalidade das linhas condutoras de Miles van der Rhoe, tem nas casas o seu grande espólio de obras. É um dos expoentes máximos da chamada Escola do Porto, vencedor do Prémio Pritzker em 2011.
A 9 de Junho de 1995 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e a 9 de Julho de 1999 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Mérito.
A partir da casa em Cascais, realizada em 2002, começou a afastar-se da linguagem miesziana que o definiu numa primeira fase da sua obra, começando a redesenhar a forma de construir e criar arquitetura através da complexidade e dinamismo de formas, mas sempre com o cuidado do desenho espacial habitual. Exemplo disso é o Estádio Municipal de Braga, onde o imaginário de teatro e o cenário da pedreira onde a obra foi edificada, nada nos remetem às primeiras obras do arquiteto, mas muito mais a uma segunda etapa que dá, agora, os primeiros passos.
A 14 de Julho de 2011, Souto de Moura foi distinguido pela Faculdade de Arquitetura e Artes da Universidade Lusíada do Porto com o doutoramento Honoris Causa No mesmo ano de 2011, a Universidade de Aveiro também lhe concedeu o título de Doutor Honoris causa. A 20 de Janeiro de 2012 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e no passado dia 31 de maio, recebeu, na Câmara Municipal do Porto, e das mãos do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o título da Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública. (in Wikipédia).
01jun19










