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RAMALDE TEM CADA VEZ MAIS “DROGA”! POR LÁ, SÃO JÁ TRÊS AS “ZONAS DE REFERÊNCIA” DO NARCOTRÁFICO NO PORTO… A POLÍCIA ESTÁ ATENTA E A JUNTA PREOCUPADA

As zonas da freguesia de Ramalde junto às estações do Metro de Francos. Ramalde (do Meio) e do Viso (Via Rápida) são hoje áreas privilegiadas na rede de trasfega e consumo de estupefacientes, sendo considerável, e à vista desarmada, o número de “clientes” que se deslocam, de diversos pontos da Área Metropolitana do Porto, para esses locais. Já lhes chamam os “novos Aleixos”!

Se o problema, até há relativamente pouco tempo, se circunscrevia aos residentes de alguns bairros sociais de Ramalde, hoje, as referidas zonas junto às estações do Metro, começam a ser, para “passadores” e consumidores, tão apetecíveis como outros pontos de referência da cidade do Porto, tais como, e por exemplo, o Lagarteiro, o Cerco do Porto ou o Aleixo.

Zona das “Galerias”, no Viso

Em zonas de Ramalde, praticamente, sem policiamento – não vimos a presença de polícia fardada em todas (e foram muitas) as vezes que nos deslocamos aos locais –, o (chorudo) negócio de narcotráfico, faz-se sem qualquer tipo de condicionalismos dissuasórios. Tudo é praticado às claras! Este “tudo” diz respeito à venda, compra e consumo de estupefacientes.

Há, sensivelmente, um ano, este jornal tinha já alertado para o problema em Ramalde do Meio e em Francos – ambos os casos junto às estações do Metro -, mas hoje, a questão é também visível no Viso, e mais concretamente, em zonas contíguas ao “corredor comercial” Via Rápida, frequentado por largas centenas de pessoas (na maioria, trabalhadores das empresas sediadas na zona industrial do Porto, e estudantes), muitas das quais se dirigem ao supermercado lá existente ou/e para apanhar transporte (metro, autocarro ou até mesmo táxi).

… ainda na zona das “galerias”

Estação do Metro de Ramalde
Zona contígua à estação de Ramalde e local de excelência para o consumo
Estação de Francos

Aí, e mesmo, junto à estação do Metro do Viso, é periódica e rápida a paragem de estranhos “bólides”, aproveitando a reta (Rua Dom João Coutinho) que se segue em direção a Ramalde do Meio, por onde “escapam” a grande velocidade. Estes episódios são presenciados – sem qualquer tipo de problemas para narcotraficantes e seus intermediários-, pelas pessoas que se encontram, por exemplo, na paragem da STCP existente no local, e a qualquer hora do dia. À noite, a coisa já não é bem assim…

Rua Dom João Coutinho, junto à Estação do Metro no Viso e à postura de táxis (foto: jg)

Quando, de carro ou “bólide” (descaraterizado), chega, então, a “mercadoria”, há sempre um grupo de “mirones” que controla o local, e outro que está preparado – perto de uma postura de táxis – para receber o produto.

O aparato é “requintado” – toda a gente sabe para que o mesmo serve -, e a coisa faz-se sem qualquer tipo de problemas, isto perante o olhar temerário de alguns moradores que, normalmente, se deslocam ao supermercado contíguo à estação de Metro.

Entretanto, de e para a “zona das galerias”, no Viso, vão se deslocando toxicodependentes à procura do “material” (haxixe, cocaína ou até mesmo heroína), chegando alguns – em desespero – por consumi-lo mesmo na estação do Metro, frente a toda a gente.

ANTÓNIO GOUVEIA: “O PROBLEMA TEM VINDO A AGRAVAR-SE NOS ÚLTIMOS DOIS MESES

Foto: Mariana Malheiro (Arquivo EeTj)

Para o presidente da Junta de Freguesia de Ramalde, António Gouveia, “o problema da droga em Ramalde tem vindo a aumentar nos dois últimos meses, espaço de tempo durante o qual tem crescido o número de reclamações por parte dos residentes”.

O autarca realça que “a polícia tem atuado; tem efetuado rusgas e tem detido alguns intermediários e consumidores, mas, quanto a traficantes – que os há e que por aqui andam bem organizados – é mais difícil a sua captura, uma vez que eles têm sempre gente pronta a avisá-los dos perigos que correm, principalmente quando aparecem as autoridades.”

Ainda de acordo com António Gouveia “as Galerias, junto à escola do Viso, que estavam, até há pouco tempo, como que «limpas», voltaram, nos últimos meses, a ser frequentadas pelos consumidores. Este é um exemplo que prova o aumento de narcotráfico nestas zonas da freguesia. A Junta está atenta e tem alertado as autoridades para esta realidade, e, a verdade, é que elas têm atuado, mesmo tendo em conta os condicionalismos que por todos são conhecidos.”

Os pontos críticos na freguesia ramaldense passam, assim, a incluir o Viso, para além de Ramalde do Meio e de Francos, onde “tudo é feito à descarada, que é como quem diz, consomem estupefacientes sem qualquer tipo de problemas”, como referiu ainda António Gouveia, que tem já em agendado um encontro com o comandante da PSP do Porto para lhe expor o problema, o qual tem vindo a “agravar-se”.

E como nota a ter em conta quanto ao crescimento da atividade de narcotráfico e à atuação da Polícia, o presidente da Junta de Freguesia de Ramalde, dá como exemplo, “uma rusga policial, durante a qual, uma moradora teve de livrar-se de uma quantia elevada de dinheiro em notas, pelas traseiras da sua casa”, o que quer dizer que o negócio, por estas bandas, é, realmente, “chorudo”.

POLÍCIA ATUANTE

E a verdade é que a Polícia de Segurança Pública está – confirmando-se as palavras do presidente da Junta de Ramalde – atuante face aos problemas que grassam em diversos bairros da freguesia. A última intervenção realizou-se no passado dia 28 de maio, pelo Dispositivo da PSP do Comando Metropolitano do Porto, através da Divisão de Investigação Criminal, com a realização de diversas buscas domiciliárias, no bairro do Viso, mas também no do Carvalhido; de que resultaram cinco detenções (homens com idades compreendidas entre os 19 e os 21 anos de idade, residentes no Porto., Matosinhos, Vila Nova de Gaia e… Amarante).

A Polícia apreendeu (como prova a foto acima publicada), heroína suficiente para 2 332 doses individuais: cocaína para 1 258 doses individuais; haxixe para 56 doses individuais, e ainda 7.900 euros, assim como diversos objetos utilizados na venda direta de estupefacientes.

Este tipo de intervenções têm vindo a ser efetuados com regularidade, independentemente do facto de se constatar um considerável aumento de consumo e de procura de estupefacientes nestas zonas, o que prova que as forças de segurança estão atentas ao problema e, dentro das suas possibilidades, o combatem da forma possível.

POPULAÇÃO CONVIVE COM (AS DEVIDAS) PRECAUÇÕES

“Eles andam por aí, mas não se metem com ninguém, basta, para isso, que ninguém se meta com eles”, este é como que um desabafo de uma comerciante com estabelecimento de portas abertas perto de uma das estações do Metro, e que, periodicamente, atende alguns toxicodependentes, uns para lhe pedirem “prata”, outros “limões” e outros ainda “alguns cêntimos emprestados” que, por sinal “me devolvem no dia a seguir”, como nos referiu a proprietária.

Revelando que, no local, a “coisa” não é perigosa, a verdade já não é, porém, a mesma quando se fala em alguns bairros, nos quais os consumidores e intermediários se encontram, facto que acontece, muita das vezes, à luz do dia.

“Isto aqui vai de mal a pior. Basta o senhor ficar aqui uns minutos, e ver o que se vai passar. Olhe: como o «206» (linha da STCP que liga o Viso a Campanhã) anda sempre atrasado, vai ter tempo de sobra para se aperceber desta miséria”, disse-nos uma residente no Viso e passageira habitual da incumpridora carreira da STCP.

E, na realidade, o que se viu foi o que se relatou no início desta peça, sendo que o problema, à noite, “é muito mais grave que de dia”, pelo que, e segundo uma outra moradora no local “ninguém sai de casa, com medo de ser assaltada”. Depois há ainda “o movimento constante, e a altas horas da madrugada, de carros e motas, assim como de algumas zaragatas entre eles. É um pandemónio!”.

E é este o (triste) retrato de um conjunto de bairros sociais onde o problema da toxicodependência é alarmante. O Aleixo “foi abaixo”(?!), mas, pelos vistos, outros “Aleixos” estão a surgir na cidade…

Texto: José Gonçalves

Fotos: Luís Navarro

01jun19

 

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