A Agência Portuguesa do Ambiente “mudou de ideias ou enganou-se” e está agora a travar dois projetos anunciados nos últimos dois anos: a nova Ponte D. António Francisco dos Santos sobre o Rio Douro e o projeto de requalificação de uma zona da Avenida da Boavista que visa desentubar um troço da Ribeira de Aldoar.
A justificação foi apresentada à Assembleia Municipal pelo presidente da Câmara, Rui Moreira, na reunião efetuada na noite de 25 de junho, em que prestou aos deputados municipais a informação regular acerca da atividade do Município, bem como da situação financeira.
A propósito da intervenção do deputado socialista Alfredo Fontinha, que interrogou sobre “duas obras que estão no papel”, Rui Moreira explicou que ambas estão a ser atrasadas devido a novos entendimentos surgidos por parte dos técnicos da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Num dos casos, que levaria à requalificação de parte da faixa central da Avenida da Boavista, entre a Fonte da Moura e o Parque da Cidade, e permitiria não só desentubar a Ribeira de Aldoar – com efeitos positivos em termos ambientais e paisagísticos – mas também mitigar riscos de inundação, o presidente da Câmara recordou que o projeto, da autoria de Rui Mealha, foi alvo de candidatura ao Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) e mereceu elogios, tanto da APA como do ministro do Ambiente, Matos Fernandes. Porém, quando estava pronto, “a APA mudou de ideias ou enganou-se e disse que não pode ser“.
A autarquia tratou então de encontrar solução e retomou o antigo projeto que os arquitetos Souto de Moura e Siza Vieira riscaram em 2003, quando se apontava para a criação de uma linha do Metro pela Boavista. Deverá ser esse a avançar agora, sem necessidade de lançar um novo, conforme sublinhou Rui Moreira.

O autarca prosseguiu também em tom crítico face às mudanças de opinião dos técnicos daquela agência, frisando que a APA está a atrasar igualmente o projeto da nova ponte que ligará Porto e Gaia. De acordo com Rui Moreira, os estudos relativos ao projeto, que o próprio apresentou há cerca de um ano com o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, indicavam a quota correta da nova ponte, “mas agora os técnicos da APA entendem que ali a água pode chegar muito mais alto e querem obrigar a ponte a subir”.
Ora, se do lado do Porto a questão não parece problemática, já em Gaia obrigaria a prolongar muito o tabuleiro pois a quota mantém-se baixa por uma grande extensão. Se assim for, “do lado de Gaia, a ponte nunca mais acaba…”, comentou Rui Moreira, considerando “um pouco estranha esta convicção que a APA tem de que ali vai haver um dilúvio” e lembrando que a quota que estava prevista para a nova travessia é a mesma do tabuleiro inferior da Ponte Luiz I.
Seja como for, uma garantia foi deixada pelo presidente da Câmara sobre a nova ponte, que estava orçada em 12 milhões de euros: “O Porto só paga meia ponte”, pelo que, se houver lugar a prolongamento na outra margem, terá de ser Gaia a suportar o custo acrescido.
Texto: Porto. / EeTj
Fotos: Miguel Nogueira (Porto.) e Arquivo EeTj
01jul19