Cristóvão Sá TTmenta
CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO (01)
Tendo presente a definição que apresentei no primeiro texto desta série, a economia pretende dar resposta à necessidades de satisfazer as pessoas, com os recursos disponíveis na sociedade e os meios tecnológicos existentes. Recordo que, então, dizia que os recursos são escassos. Dada esta escassez de recursos há necessidade de se fazer opções sobre a prioridade a dar nos planos/programas/ações. A definição dessas escolhas/prioridades cabe aos decisores/chefes políticos. Aos detentores do Poder. Esta formulação assim lata não é inocente. Pois, também nas Sociedades primitivas, competia aos chefes determinar o que fazer face às necessidades dos seus povos. Muitas vezes numa atitude solitária. Mas também com a ajuda do conselho dos anciãos.
De há muito que as opções são tomadas em função de uma determinada filosofia e pensamento ideológico. Penso poder-se dizer que são estas que estabelecem a ligação entre crescimento e desenvolvimento. No crescimento o foco é quantitativo. A abordagem do desenvolvimento é mais qualitativa. As políticas económicas são assim a projeção do que se pretende como a economia se desenvolva, tendo como restrição o seu crescimento. Parece inegável e aceitar-se com bonomia que não há desenvolvimento sem crescimento económico. Mas também será pacífico aceitar que o desenvolvimento económico proporciona condições de funcionamento da economia que radicam em crescimento.
O Produto Interno Bruto (PIB) é o indicador utilizado para se obter a taxa de variação de crescimento da economia de um país. Esta taxa de crescimento é muito determinada pelo ponto de partida das suas condições económicas. A taxa de crescimento do PIB em Portugal, não tem dada a ver com a da China. Há sem dúvida, um processo de acumulação do PIB. Quando de um período para o outro não há crescimento começa-se a falar de recessão. Por isso, mais rigorosamente devemos comparar as Paridades do Poder de Compra (PPC). Este indicador traduz com mais fidelidade a capacidade aquisitiva da moeda em termos comparativos. Ou seja, o mesmo cabaz de compras que exige um esforço de cem euros em Portugal de certeza que obrigará a um esforço de cento e cinquenta euros, ou mais, na Suécia, por exemplo. Isto é tanto mais verdade quanto estivermos a transacionar com moedas diferentes.
O Consumo, o Rendimento e o Emprego são também utilizados como indicadores de crescimento económico. É senso comum aceitar-se que se uma economia está a crescer também aqueles agregados estarão. Logo, medir taxas de variação do consumo, do rendimento e do emprego ajudam a entender como o crescimento está a ocorrer. Muitas vezes há desiquilíbrios nos ritmos de crescimento naqueles indicadores que obrigam a corrigir decisões/opções de política económica.
Em Setembro abordarei a outra face do “problema económico”. O Desenvolvimento Económico.
Gráfico: pesquisa Google
01ago19
