Os trabalhos para a construção do Túnel do Bolhão, iniciaram-se, como estava previsto, na manhã do passado dia 20 de agosto, sem que, curiosamente, se registasse a presença de Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, um grande entusiasta desta obra, a qual tem como principal objetivo o acesso direto ao piso subterrâneo de logística do Mercado do Bolhão, que, por seu turno, se encontra, há um ano e pouco meses, em obras de restauro.
José Gonçalves Roberto L. Fernando
(texto) (fotos)
O túnel ligará a Rua do Ateneu Comercial do Porto à de Alexandre Braga, sob a Rua Formosa, sendo que os trabalhos, entretanto iniciados, encontram-se em três frentes (ou seja, em pontos localizados nas referidas artérias).
Concluída a obra (daqui a, mais ou menos, um ano), a mesma servirá para o abastecimento – cargas e descargas – dos comerciantes do Bolhão, sem que os veículos criem, assim, transtornos à mobilidade (à superfície) na zona envolvente do mercado.

A construção do túnel – adjudicada à empresa Teixeira Duarte, por 4,4 milhões de euros e com gestão entregue à empresa municipal de Gestão e Obras Públicas do Porto -, decorrerá em paralelo com as obras de restauro do Mercado do Bolhão, facto que obrigou – isto a partir do dia 13 de agosto, mas com especial incidência, desde o passado dia 20 – a significativas alterações no trânsito rodoviário e pedonal da área.
A saber:
– corte de trânsito automóvel e de peões na Rua Formosa, entre as ruas de Sá da Bandeira e Santa Catarina;
– introdução de dois sentidos de trânsito na Rua de Fernandes Tomás. O sentido Poente-Nascente é autorizado a todos os veículos. O sentido Nascente-Poente é exclusivo a BUS, entre as ruas de D. João IV e Sá da Bandeira, sendo o acesso aos parques de estacionamento autorizado a partir da Rua da Alegria.
– a Rua da Firmeza passa a dar entrada na Baixa, adotando para tal o sentido Nascente-Poente;
– na Rua de Anselmo Braancamp, o trânsito passa a ser feito no sentido ascendente (Sul-Norte);
– a Rua do Moreira passa a dar escoamento para saída da cidade, pelo que o trânsito será feito no sentido Poente-Nascente.
Ao mesmo tempo, registaram-se algumas modificações na rede da STCP, nomeadamente com a criação de duas novas paragens com abrigos que vêm substituir as que se torna necessário suprimir por forma a respeitar a nova orientação da circulação.
Foram, assim, desativadas duas paragens na Rua Formosa e passam a funcionar duas novas na Rua de Fernandes Tomás, que dizem respeito às linhas 301, 305, 401, 700, 800, 801, 7M e 8M.
Movimentações
E a reportagem “Etc e Tal jornal” esteve lá, na manhã do primeiro dia de trabalhos, verificando alguma movimentação – até de alguns (poucos) jornalistas – na Rua de Alexandre Braga, onde uma senhora arquiteta (ninguém revelou o nome) deu a conhecer alguns pormenores de localização do início das obras, mas nada mais do que isso, aconselhando os interessados, a consultarem o “site” da Câmara Municipal do Porto. Ao certo, ficamos sem saber, na verdade, qual era o papel da senhora naquele local, mas para dar informações aos jornalistas, não era de certeza.
“Rodonorte”… um caso sério!
E na Rua do Ateneu Comercial do Porto, logo ali à beira do terminal da “Rodonorte”, era visível, como provam as imagens, o início dos trabalhos de demolição de um prédio, onde arrancará o túnel, que ligará esta artéria até ao Mercado do Bolhão.
Contactada pelo “Etc e Tal jornal”, um responsável da “Rodonorte”, referiu, por e-mail, que as obras e os condicionamentos de trânsito, previstos na Rua do Ateneu Comercial do Porto “implicam sem qualquer dúvida com a nossa atividade e notório desconforto para os nossos Clientes, face ao condicionamento”, não só na referida artéria, mas também “na travessa Passos Manuel para aceder ao nosso terminal”.
Certo é que a Rodonorte, pela informação recebida, não detalhou ou fez referência a qualquer deslocalização de serviços, pelo que os mesmos, ainda que com as conhecidas condicionantes, continuará a ser efetuado no local.
Refira-se que esta empresa (juntamente com a “Santos”) transporta milhares de pessoas, diariamente, do Porto, e tendo o Porto como destino (ou seja, o terminal na Rua do Ateneu Comercial do Porto), para, entre outras cidades, Amarante, Vila Real, Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Bragança, facto releva a sua importância neste contexto de impedimentos ou cortes de trânsito durante as obras para a construção do túnel.
O corte na Rua Formosa
O trânsito rodoviário na Rua Formosa foi, então, cortado às 10h45 do passado dia 20 de agosto, com a, natural, presença de agentes policiais, enquanto na Rua de Fernandes Tomás a agitação era visível, sem que as alterações verificadas no trânsito, e principalmente quanto às novas paragens da STCP, tenham criado alvoroço nos utentes, isto por aquilo que presenciamos durante, praticamente, uma hora.
Aliás, refira-se que, pelo que constatamos, foi com agrado que os passageiros da STCP receberam a nova paragem junto à saída para a Rua de Santa Catarina da estação do Bolhão do Metro do Porto.
Os elogios estenderam-se também ao facto de os autocarros passarem a circular pela Rua de Fernandes Tomás, que, segundo, um passageiro “é mais cómoda, pois não tem tantos buracos como a da Rua Formosa, e é mais central. Penso que este trajeto devia manter-se mesmo depois de concluídas as obras”, fica a sugestão.
E assim se vai transformando a zona do Bolhão, com as necessárias ainda que, de início, incómodas obras que têm de ser feitas para que sejam cumpridas as promessas em relação à revitalização e restauro o emblemático Mercado do Bolhão.
01set19


















