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Relatório do IPCC: a pobreza gera o aquecimento global – e contra a pobreza não há nada para dizer?

“Alguém anda preocupado com outra coisa qualquer, além do aquecimento global? Para quem ainda assiste a todo o tipo de conflitos militares, guerras antigas pelo mundo, preparativos para novas guerras, o Irão, agora também na Índia / Paquistão, países com bombas nucleares extinguindo facilmente a humanidade, novas bombas contra a China, novos mísseis a apontar para a Rússia, e assim por diante, quem se importa? Quantos milhões de pessoas no mundo estão a morrer de fome todos os dias? Quantos milhões de pessoas podem fugir de onde não podem viver mais?

Tudo vem em notas de rodapé, na comunicação social para a parte rica do mundo. O que incomoda a humanidade, ou pelo menos aquela parte da humanidade que vive na parte rica do mundo, é o clima. Temos aquecimento global 24 horas por dia e em todos os canais.

As últimas descobertas científicas alarmantes foram desencadeadas pelo “Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática”, IPCC. Escândalo após escândalo: não polua o mundo com monóxido de carbono ao comer carne e arroz!

Você sabia que é você e eu, a poluir o mundo com monóxido de carbono? Como? Porque você come comida; mais precisamente, você come carne ou arroz. Depois de ser acusado de conduzir um carro poluente, agora é você de novo: agora é o que você come! Você é o único a emitir veneno para o céu – a comer, especialmente a comer carne.

Você não entende como comer carne ou arroz gera monóxido de carbono na atmosfera?

Você pode ser parte da população mundial entre os quais estão os que morrem de fome e gostariam de comer alguma coisa. Quantos milhões de pessoas neste mundo estão a morrer de fome e não têm nada para comer? Com que frequência crianças no mundo morrem de fome? Você não entende? Você gostaria de ter sempre o suficiente para comer? É o contrário, comer é o escândalo! Comer comida é o que causa o aquecimento global e, por via do aquecimento global, também é a razão pela qual haverá menos comida no futuro.

Os especialistas em aquecimento global dizem nos, no seu relatório, que é a população mundial que é a primeira responsável pelo aquecimento global, por causa do que eles comem. Em segundo lugar, a população mundial também é responsável quando houver menos para comer no futuro, devido às mudanças climáticas, tudo por causa dos seus hábitos alimentares.

Você não entende como comer comida pode ser responsável por não haver comida no futuro? Você acha que, de qualquer maneira, só pode comer aquilo que pode comprar? E você só pode comprar o que você pode pagar? Você pode pensar que definitivamente não produz nenhum monóxido de carbono quando come – dado que você tem algo para comer? Você sempre pensou que é a indústria, as suas chaminés, os carros que produz, a produção de energia elétrica, todos a usar o mundo como uma lixeira para seus resíduos, mas não pensou ser você a causa por causa do que come? Também é verdade que eles fazem a produção industrial de bens, energia, etc. Os especialistas dizem-nos isso no relatório. Mas uma grande contribuição, cerca de 23%, vem de nós, você e eu, por causa do que comemos. E esses especialistas em mudança climática global são aqueles que sabem explicar, no seu relatório, porque é você e eu, a população mundial, quem cospe esse gás na atmosfera quando comemos.

Você pode perguntar: como diabos produz monóxido de carbono a comer, por exemplo, arroz ou, pior ainda, carne? A arte do conhecimento especializado que torna as pessoas do mundo responsáveis pela poluição do mundo com monóxido de carbono devido ao que comem é apresentar essa poluição como resultado de um equilíbrio de produtos que emitem e consomem CO2. Isso funciona assim:

Você soma todo o monóxido de carbono produzido durante a produção de qualquer produto, e vice-versa, você também soma os elementos sumidouros de monóxido de carbono e, em seguida, faz um balanço entre ambos. Isso é o que eles chamam balanço de avaliação do ciclo de vida (ACV) do monóxido de carbono dos produtos que você come, dos alimentos. Obviamente, esta maneira de olhar para a comida, medindo o monóxido de carbono que é emitido e o que é consumido durante a produção de alimentos, em primeiro lugar, implica não apenas todos o tipo de definições políticas do que conta para cada um dos fatores em apreciação, isto é, a determinação de prioridades políticas / economicamente bem definidas: o que inclui, quais são os ingredientes para produzir alimentos, onde começa e termina o ciclo de vida dos alimentos?

Em segundo lugar, e mais importante, definindo o que incluir como fatores causadores e compensadores desse equilíbrio a medir, essa visão da comida finge que o alimento é produzido tendo em conta a quantidade de monóxido de carbono que a produção cria, o que, todos sabemos, não é o caso. Esse indicador do monóxido de carbono na produção de mercadorias é um capricho científico e, esse capricho, elimina quaisquer interesses e critérios económicos ou políticos, que são responsáveis, se é que o são, de como tudo é produzido.

Acima de tudo, escamoteia que é o cálculo de negócios em qualquer ponto da produção desses produtos que decide o quê e como é produzido para o mercado qualquer produto. Tira isso do balanço de ciclo de vida (AVC) e, portanto, do próprio mundo, o mundo dos negócios, que é quem, na realidade, decide, ao longo do processo produtivo, o que é e o que não é produzido. Nesta visão especializada, o mundo dos negócios é excluído de quaisquer considerações sobre o que causa a poluição.

Os cálculos de negócios e os assuntos de negócios, assim como os cálculos e negócios políticos, que decidem sobre os padrões de produção de bens, são assim excluídos graças a essa visão sobre os produtos, como se eles não existissem e não desempenhassem qualquer papel na decisão do que é e de como tudo é produzido. Em vez disso, com a ajuda do AVC de monóxido de carbono medido para os diferentes produtos, é transferido para o consumidor dos produtos a causa de todo o mal; porque ele consome os produtos, perante os quais o próprio consumidor, na realidade, não tem a menor influência.

Nós, os consumidores de toda a comida poluída que a indústria alimentícia produz no respeito, ou não, dos requisitos estabelecidos por políticos para a produção, com todo o veneno que eles colocam na comida e no lixo que eles criam, quando eles produzem, nós, os consumidores, não temos outra possibilidade senão comer o que pode ser comprado, sem termos a menor influência sobre o que comprar e comer. Porém, nós, os consumidores da comida, graças a esta visão desses mesmos especialistas, somos responsáveis pelo aquecimento global. Genial! Possivelmente, com exceção de alguns ricos, que podem comprar produtos super-orgânicos em qualquer loja de artigos de luxo. Existirão alguns desses consumidores de luxo entre os especialistas em aquecimento global do IPCC, que têm essa escolha?

E, para não esquecer: graças a essa maneira de ver o que causa o aquecimento global através do balanço de CO2 dos produtos e, portanto, ao mudar o foco para o consumo, os fatores económicos e políticos que realmente definem os critérios para o que é produzido e como são produzidos os produtos alimentares são excluídos de quaisquer considerações, deixando assim intocadas as verdadeiras razões do aquecimento global e dando a sua contribuição ideológica para que todas as razões reais continuem a causar o que preocupa todos os ativistas do aquecimento global.

Sem surpresa, as elites políticas imediatamente perceberam a mensagem por trás deste relatório e as opções políticas que ele oferece para sua propaganda: graças a este cálculo da poluição de monóxido de carbono na produção, o consumidor de alimentos entra em cena como aquele que é responsável por ela. A ele devem também ser cobradas responsabilidades pelos danos pelos quais é responsável: não foi preciso um dia para que os políticos de todo o mundo começassem a discutir avidamente em todos os partidos políticos como usar o balanço de CO2 dos produtos agrícolas para culpar os consumidores de alimentos por seus crimes ecológicos e multar os consumidores de alimentos pelo que comem, com um novo imposto sobre a carne.

Esta apresentação do que causa o aquecimento global pelo balanço de CO2 dos produtos oferece uma outra saída: transformar os interesses económicos nacionais, que causam o aquecimento global, em atores da batalha contra o aquecimento global. Os homens de negócios não só convidam Greta e apreciam encontrar-se com ela, mas também se apresentam como ajuda voluntária da história de balanço do CO2 criada pelos cientistas: apresentam as suas atividades económicas como parte da batalha das economias nacionais concorrentes para combater o aquecimento global.

As economias nacionais de muitos países do chamado mundo em desenvolvimento foram tão arruinadas pelos produtos que compram das economias do mundo imperial que muitas vezes a única coisa que ficaram com que fazer negócio, para poderem vender qualquer coisa no mercado global, algo que as economias do mundo imperial precisam e compram, são recursos naturais ou bens alimentares que produzem para as economias do mundo imperial. A avaliação do ciclo de vida (AVC) da poluição de monóxido de carbono dos produtos apresentada pelos especialistas globais oferece ao mundo imperial a culpa não apenas dos consumidores de produtos, mas também a culpa das economias do mundo em desenvolvimento.

Ainda que estas só produzem devido à procura determinada pelas economias do mundo imperial. Usar este modo de apresentar a poluição do mundo, proíbe aqueles produtos poluídos de qualquer país em desenvolvimento alegando quererem vender os produtos agrícolas muito limpos, criados pelas indústrias de comida no mundo imperial.

O desmatamento de terras florestais, apresentado na balança de carbono 2 como um fator negativo do balanço de produtos, é assim atribuído a um ato do produtor. Isso liberta o comprador do mundo rico dos produtos produzidos nas terras desmatadas e coloca a culpa pelo aquecimento global nos negócios dos países em desenvolvimento. Apresenta os produtos limpos produzidos no mundo imperial como uma contribuição contra o mercado contra o aquecimento global. Graças à AVC, como o derrube da floresta não é um crime, qualquer país imperial, porque possui terras desmatadas suficientes para sua indústria alimentícia ficar fora de mira, pode comprometer-se com o comprador estar a respeitar os critérios e acusar o concorrente de provocar o aquecimento global e, assim, o mundo imperial torna-se uma contribuição para a batalha contra o aquecimento global.

Então, graças à apresentação das medidas do balanço de CO2, fica claro:

– é, primeiramente, a responsabilidade é do consumidor mundial de produtos agrícolas, nunca dos produtores, nunca do mundo dos negócios e de seus companheiros políticos;

– e quanto aos produtores dos produtos poluentes do CO2, também os há, mas apenas os dos países em desenvolvimento (nunca os compradores e produtores agrícolas do mundo imperial). São eles os responsáveis pelo aquecimento global e, portanto, devem pagar pelo que custa reduzir a poluição do mundo com o monóxido de carbono.

Um muito caloroso agradecimento do mundo imperial ao painel de especialistas do IPCC contra o aquecimento global.”

Texto: Michael Kuhn  

– tradução de António Pedro Dores do blog do Knowwhy

Foto: pesquisa Google

01set19

 

 

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