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ESTÁ AÍ A PRIMEIRA “PORTO DESIGN BIENNALE” – NOVAS IDEIAS, TECNOLOGIAS E MUITA CRIATIVIDADE QUE RELEVAM AS “TENSÕES DO NOVO MILÉNIO” DE PORTAS ABERTAS PARA O MUNDO… NA INVICTA E EM MATOSINHOS

A primeira edição daPorto Design Biennaleestá aí, e por aqui – Porto e Matosinhos – ficará até ao próximo dia 08 de dezembro. São diversos os locais de eleições, onde os diversos estilos da arte do design estarão expostos ao público, esperando os organizadores (ESAD-IDEA) a visita de cerca de 100 mil pessoas.

E a verdade, é que logo no dia da inauguração das primeiras exposições (19set19), uma intitulada “Frontiere-Expressão do Design Contemporâneo”, na Casa do Design (Matosinhos), e outra de “Millenniais-Design do Novo Milénio”, na Galeria Municipal do Porto, se registaram verdadeiras enchentes.

Este evento, orçado em um milhão e quatrocentos mil euros (860 mil por parte da Câmara Municipal do Porto, e 540 mil pela de Matosinhos), promete, assim, responder aos desafios que lhe foram criados, e que passam, no essencial, pela promoção do design português aquém e além-fronteiras.

José Gonçalves             Mariana Malheiro

(texto)                                         (fotos)

As “tensões do novo Milénio” são, como que, a base temática desta primeira bienal de design do Porto, incluindo a autarquia de Matosinhos, numa parceria “pouco comum” no nosso país, como fez questão de realçar Luísa Salgueiro, presidente da edilidade matosinhense, e que espera abranger um vasto leque de público que não só o ligado à arte em questão.

O “lamiré” foi dado, e as coisas, pelos vistos, têm corrido bem em termos de adesão às muitas iniciativas que se concentram em diversos locais dos dois concelhos. A meta, como atrás se referiu é, para a organização, atingir os 100 mil visitantes. Para já, estão lançados os dados …

RUI MOREIRA: “A IDEIA DE ALAVANCARMOS ESTE PROJETO ACABA POR SER O COROLÁRIO NATURAL DE UMA POLÍTICA DE APOIO AO DESIGN

Na apresentação da PDB à comunicação social, a 18 de setembro último, na Galeria Municipal do Porto, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, salientou, entre outros factos, a importância e a consequente aposta da autarquia no design, como um dos “aspetos mais significativos da cultura contemporânea da cidade e da região”, considerando de elevada importância este projeto de modo a “explicar e potenciar toda esta energia a diferentes níveis”, com o objetivo de “juntar público e interlocutores nacionais e internacionais”.

“Quando falamos na primeira edição da Porto Design Biennale, estamos a falar de um evento que tem um orçamento de um milhão e quatro centos mil euros – 860 mil euros pela parte da Câmara Municipal do Porto e da CMM 5400 mil euros. É, portanto, um projeto de grande relevância para estes dois municípios. Assim sendo, há uma prática de grande colaboração entre autarquias vizinhas, que têm uma estratégia comum,  as quais se afirmam também com a Frente Atlântica em diferentes atividades como o desporto, e, naturalmente, com a cultura, que é fundamental”, começou por referir o edil portuense.

Ainda de acordo com Rui Moreira “o apoio da nossa Câmara à Bienal de Design foi concedido, por unanimidade, em reunião de Câmara, e depois retificado pela Assembleia Municipal, de 09 de junho de 2018. Este apoio surge a partir do facto de reconhecermos a importância da prática do design, algo que hoje se transformou numa evidência que todos compreendem. O design é um dos aspetos mais significativos da cultura contemporânea da cidade e da região, e uma disciplina que tem um valor caraterístico económico e que nos vai destacando a nível nacional e internacional”.

“A ideia de alavancarmos e apoiarmos este projeto”, continuou Rui Moreira, “acaba por ser o corolário natural de uma política de apoio ao design, e ao reconhecimento do seu valor para o ecossistema do Porto. Há pouco mais de dois anos o «Design By Porto; Porto by Design» mostrou a nossa ligação à construção dos nossos projetos e à visão que a cidade tem sobre a matéria”.

Assim sendo, e ainda de acordo com o autarca, “era importante apoiar um projeto que pudesse explicar e potenciar toda esta energia, a diferentes níveis, juntando público e outros interlocutores nacionais e internacionais”. Nesse aspeto, “a escolha da Itália foi natural, pela relevância que a Itália tem e por outro lado pela ligação que com ela temos mantido”, concluiu Rui Moreira.

LUÍSA SALGUEIRO: “É IMPORTANTE QUE OS RESPONSÁVEIS PELA ECONOMIA OLHEM PARA O DESIGN COMO ALGO QUE ACRESCENTA VALOR

Já a presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, começou por salientar o facto de “não ser corrente, nos nossos dias, duas autarquias se juntarem para promover uma iniciativa deste género, e dividir orçamentos, para estar ao lado de instituições tão importantes como estas e depois se apresentarem em conjunto”. Mais: “não é comum ainda juntarmo-nos para promovermos uma coisa tão importante como é o design”.

De acordo com a edil matosinhense “os poderes públicos têm um papel decisivo para fazer com que o desgin faça ainda mais parte da vida das pessoas”, considerando “natural” que a PDB “tenha a marca do Porto. Porto que é a grande cidade em termos internacionais e nós não queremos competir com isso”, independentemente de em Matosinhos estar sedeada “a ESAD e termos transformado alguns espaços do concelho na casa do design.”

Luísa Salgueiros referiu ainda, enfatizando, que “a arquitetura e o design são as novas marcas de Matosinhos e a Bienal faz sentido, uma vez que é algo coerente com o trabalho que vamos desenvolvendo. Esta não é, portanto, uma iniciativa isolada. Ela surge na sequência de um trabalho consolidado e programado nas contínuas exposições que fazemos na Casa do Design, e da programação de um trabalho científico que se realiza.

A finalizar, a presidente da Câmara Municipal de Matosinhos disse que “enquanto autarcas, temos que agradecer às instituições e aos protagonistas que temos ao nosso lado e que nos permitiram fazer parte de um projeto tão importante como este.

Ainda não é fácil trabalhar o design na economia nacional, é, assim, importante que os responsáveis pela economia olhem para o design como algo que acrescenta valor e que as indústrias portuguesas o utilizem no seu trabalho. Temos setores, como o calçado e os têxteis, que foram capazes de se afirmar internacionalmente pelo design que conseguiram incorporar.

JOSÉ BÁRTOLO:É A ESTRATÉGIA PÚBLICA QUE FAZ COM QUE SEJA POSSÍVEL REALIZAR ESTA BIENAL EM PORTUGAL

José Bártolo, curador-geral da PDB, depois de muitos agradecimentos, destacou, na apresentação do evento à comunicação social, que “a Porto Design Biennal só é possível, porque existe uma estratégia pública para o design que os dois municípios partilham”.

“É essa estratégia pública, que associam-se depois um conjunto de elementos, fatores e condições – existem equipamentos culturais, curadores, programadores e designers”, que, em seu entender, “faz com que seja possível realizar esta bienal em Portugal”.

Referindo-se ao tema da PDB, José Bártolo explica que com “as tensões do novo milénio nós pretendemos situar o programa dentro de um espaço muito concreto. Este presente, marcado por processos instáveis de transformação, gravitando entre o local e o global, caraterizado por tensões algumas com uma aparência negativa, e outras que abrem sinais mais otimistas, mas, em todo o caso, tensões, transformações, que afetam a nossa realidade e tocam o nosso quotidiano, no ponto de vista social, profissional, tecnológico, político e climático. “

“Como curador-geral desta primeira PDB permiti-me, ainda na véspera do lançamento desta primeira edição, afirmar que este será o evento mais importante na área da cultura contemporânea realizado em Portugal”, continuou José Bártolo referindo ainda que “a nossa expectativa é a de que consigamos atrair aproximadamente cem mil visitantes nos mais variados eventos, num desenho programático muito diversificado”.

“Desenho” esse que “foi uma preocupação muito forte desde o primeiro momento. Por um lado acreditamos que a programação permitirá, a públicos especializados, um contacto com abordagens muito recentes do ponto de vista crítica. Por outro lado, houve uma atenção para um público mais alargado e creio que dentro da diversidade da nossa programação, alcançaremos um espetro de público grande”.

E, por fim uma “última nota: uma bienal é um evento efémero. Procuramos com a equipa curatorial encontrar estratégias para contrariar essa efemeridade, A formação de públicos e a aposta no serviço educativo é em muitos aspetos algo que pode contrariar essa efemeridade. Depois, uma estratégia de preservação da memória; quer uma edição que vai para um espaço de produção e partilha de conhecimentos”

E o programa deste PDB, que decorrer até dezembro, é vasto e pode ser, facilmente, consultado no site portodesignbiennale.pt para que, na realidade, se já um dos muitos visitantes que este projeto espera alcançar.

01out19

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