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FESTAS DO MAR FURADOURO: A TRADIÇÃO DO TAPETE COLORIDO…

A tradição de tapetes coloridos elaborados pelas populações locais no pavimento de arruamentos, com quadros sobre motivos locais e religiosos alusivos a alguns dos santos devotos, transportados por grupos de homens e de mulheres em andores que integram as procissões das Festas do Mar, são já um património cultural e um ex-libris característico destas festas e essencialmente de comunidades piscatórias em vários pontos do país.

José Lopes

(texto e fotos)

Nas Festas do Mar do Furadouro em honra do Senhor e Senhora da Piedade, que tiveram este ano como pontos altos os dias 6 com realização da Procissão das Velas, e os dias 7, 8 e 9 de setrembro. Entre a sua antiga tradição e religiosidade da população, ainda que, com alguns episódios temporais que foram quebrando a regularidade dos festejos religiosos e profanos, têm dependido nas últimas décadas de forma regular, da evolução da entidade organizadora, que, de Comissão de Melhoramentos e Comissão Organizadora das Festas, passou já alguns anos a ser assumida por uma nova, Comissão Amigos do Furadouro. Evolução a que se veio ajustando igualmente, o empenho e dedicação na decoração da Avenida da República com o tradicional tapete colorido assumido pelos Amigos do Tapete das Festas do Mar.

Com recurso a diferentes materiais ao longo dos tempos, a construção sempre imaginativa do tapete, no caso do Furadouro, tem habitualmente numa das suas bases, as flores, que, com serradura ou mais recentemente o recurso a areia e corantes, dão forma com muita sensibilidade aos quadros previamente planeados e desenhados, como figuras e símbolos religiosos e característicos da relação com o mar, ou o quadro em que tradicionalmente são homenageados os Bombeiros Voluntários de Ovar, que os vários participantes nesta obra vão construindo desde madrugada, só dando por terminado o trabalho artesanal poucas horas antes da passagem da procissão, como momento alto das Festas do Mar, em que as ruas e particularmente esta do tapete colorido atrai uma enorme onda humana.

Os cerca de 200 metros de cumprimento, do tapete colorido na Avenida da República, há várias décadas tornou-se também um motivo de interesse para quem se desloca ao Furadouro no domingo da festa. O cenário recheado de cor, sempre teve como suporte para sua elaboração o envolvimento e participação dos moradores, mas esta tradição assumiu-se com regularidade a partir dos anos 90 com o reconhecido entusiasmo do então comerciante local, João Rocha (Casa Rocha), que assumia o papel de autentico arquiteto do tapete colorido, destacando-se igualmente Rosa Sabina ou o veterano Álvaro Duque que, desta forma ajudou a manter uma das raras manifestações espontâneas de participação popular, e assim também mantinha uma profunda ligação ao Furadouro e suas gentes apesar da idade que já tinha.

Nesta longa caminhada em que várias gerações se foram cruzando na passagem de testemunho para manter este património e ex-libris das Festas do Mar do Furadouro que o tapete colorido representa. Mais de vinte anos depois em que esta obra criativa se consolidou, a Casa Rocha continua a ser o ponto de referência e de encontro de um grupo de amigos que acabou por se organizar em, os Amigos do Tapete das Festas do Mar, que vem garantindo com natural bairrismo uma das indispensáveis componentes culturais da festa do Senhor e Senhora da Piedade que, este ano à entrada da Capela do Furadouro, surpreenderam ainda com uma imagem em memória do Padre Aníbal Duarte Pereira, falecido em 2013, que ali exerceu suas funções de pároco de S. Pedro de Ovar (Furadouro, Carregal, Marinha e Torrão de Lameiro), durante mais de 40 anos em que presidiu a muitas das cerimónias religiosas nestes festejos, como a Bênção do Mar.

01out19

 

 

 

 

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