Esta rubrica dá a conhecer a toponímia portuense, através de interessantes artigos publicados em “O Primeiro de Janeiro”, na década de setenta do século passado. Assina…
Cunha e Freitas (*)
“O escritor Sant’Anna Dionísio ocupou-se recentemente no Janeiro (20-XI-1971) do general Bernardo de Sá Nogueira, barão, visconde de marquês de Sá da Bandeira, um dos mais notáveis cabos da guerra civil, em 1833, e depois estadista de relevo.
Aproveitamos a oportunidade para dizer alguma coisa acerca da rua a que ele deu nome.
A rua começou a rasgar-se em 1836 na cerca ou monte dos Congregados – “Quinta dos Congregados no Monte de Santa Catarina” -, lhe chamava em 1833 a Crónica Constitucional do Porto. Mas, em1840 e ainda não se encontra na Vista do Porto, de Sousa e Vasconcelos.
Com início das obras a partir de 1842, desapareceu o troço da Rua do Bonjardim até à Porta de Carros e Rua de Santo António, abrindo-se ao trânsito a nova rua, onde em breve se começaram a edificar prédios.
Em 1874 ainda estava por concluir o primeiro troço, que iria até à Rua Formosa, desaparecendo a Viela da Neta e oferecendo a Câmara terrenos seus para esses trabalhos (1875).
Estava pronto e aberto ao público em 1879 ou 80. O prolongamento até à Rua de Fernandes Tomás, anunciado em 1904, só se efectivou em 1911.
Neste mesmo ano, um projecto de alargamento das ruas de Sá da Bandeira e Santo António, que implicava a demolição de parte da Igreja dos Congregados – a casa dos padres de S. Filipe Néri, fundada em 1660 – provocou um largo pleito judicial, e não teve efeito por serem aceites os embargos postos. É dos nossos dias a abertura da rua até à de Gonçalo Cristóvão.
Em 1877, a Rua de Sá da Bandeira comunicava com a Rua de D. Pedro (hoje incorporada na Avenida dos Aliados) por uma serventia denominada Viela dos Congregados. Existia esta mais de um século antes, pois figura na Planta do Bairro dos Laranjais, de cerca de 1760.
Foi determinado alargar-se no plano de melhoramentos, de João de Almeida, de 1784.
A actual Rua de Sampaio Bruno, mandada alinhar em 1915, chamava-se, em 1875, Travessa de Sá da Bandeira, e Rua de Sá da Bandeira também, na Planta de Mangeon (último quartel do séc. XIX) e na de 1902.
In “O Primeiro de Janeiro” de 17-12-1971
Fotos: pesquisa Google
Na próxima edição de “RUAS” DO PORTO destaque para a “RUA DE SAMPAIO BRUNO”
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