As fotografias de Jorge Bacelar, o médico veterinário que quer eternizar os seus amigos agricultores através da arte, para a qual despertou na sua profunda relação de amizade e profissional, com o ambiente rural em que capta a vida dura das pessoas, as frinchas de luz num armazém ou numa cozinha e os vários animais, foram perpetuadas num primeiro livro de fotografias “Ruralidades / Ruralities”.
Dste premiado a nível nacional e internacional, com edição da Centro Atlântico, que fez a primeira apresentação em Lisboa seguindo-se um périplo pelo país, em que, Murtosa, Estarreja e Ovar mereceram particular atenção e carinho do autor, que no Museu de Ovar, no dia 24 de novembro, numa sala em ambiente rural, decorada com elementos do espólio alusivos à agricultura da região, assumiu que “este livro não é meu. É deles!”, referindo-se aos principais protagonistas da sua obra fotográfica, os agricultores, para quem, “tudo isto é uma homenagem para eles” insistiu Jorge Bacelar.
Foi assim neste ambiente, num final de tarde de um domingo, que reuniu muitos admiradores da obra de Jorge Bacelar, cujas fotografias das gentes do campo, são contempladas como parecendo pinturas, o que já levou o médico veterinário a ser considerado o principal retratista da ruralidade portuguesa, que o livro “Ruralidades” foi também apresentado em Ovar, em que o autor do prefácio, António Filipe Pimentel, começou por dizer que, quando chegou ao fotógrafo Jorge Bacelar, “as homenagens já estavam feitas”, referindo-se aos muitos prémios a quem capta condições em que se trabalha no mundo rural, “que podiam acabar se não ficassem no livro”.
A obra e o autor mereceram palavras de muita estima, desde logo dos membros da direção do Museu de Ovar, da qual também faz parte, presentes na mesa, como Manuel Cleto e António Dias, que destacaram a sua disponibilidade, simplicidade e paixão por o que faz. O que se traduz nas suas fotografias, como realçou Manuel Cleto, ao despertar a sala cheia para a sensação de que, “estas fotografias têm som! Nós captamos o som!”, enquanto Carlos Nuno Granja, que também inclui a equipa do Museu de Ovar, acrescentou, “a tua fotografia representa a vida”.
Entre os presentes, o presidente da Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira, José Fragateiro, destacou igualmente o “amor, a cumplicidade do Jorge com as pessoas”, ao mesmo tempo que lamentou, que ao contrário do Vereador da Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo, a quem agradeceu ter vindo a Ovar, o Município local tenha estado ausente.
Como admitiu Jorge Bacelar, “gosto sempre de dizer como as coisas começaram”, e assim partilhou com os presentes como evoluiu da imagem de vídeo que fazia, dedicada há vida da Ria e sua “avifauna, biodiversidade, pesca, moliceiros…”, até ao dia em que um amigo fotografo o despertou, a quando de uma visita a casa de um agricultor, para a “luz especial da casa” e o motivou a registar em fotografia. Um momento determinante na sua carreira como fotografo, para quem, referindo-se ao seu livro de fotografia, “as imagens não têm texto, cada foto tem que contar a história”, afirmou o fotógrafo que, “consegue imortalizar o momento”, como foi também dito na sessão.
Jorge Bacelar nasceu a 12 de junho de 1966, em Figueira de Castelo Rodrigo. É médico veterinário, tendo por isso o privilégio de conhecer o mundo rural e conviver com pessoas com quem mantem uma relação profissional e de amizade profunda, tendo encontrado na fotografia uma forma de enaltecer e perpetuar a imagem dos “seus agricultores” como gosta de se referir aos autênticos “modelos” de gente simples e humilde que trabalha a terra, de volta dos campos e dos animais, proporcionando imagens que, pela sensibilidade e arte de Jorge Bacelar correm o país e o mundo.
Nesta sua ainda curta relação com a fotografia, desde 2013 como assume o próprio Jorge Bacelar, o seu “trabalho único” como também realçou o fotografo e diretor do Museu de Ovar, António Dias, o autor da obra “Ruralidades / Ruralities”, livro editado pela Centro Atlântico que reúne parte do seu trabalho junto de agricultores da Murtosa, Estarreja e Ovar, terras ribeirinhas, sem esquecer a gente da sua terra natal, foi exposto em inúmeras exposições no país, como Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa) e já venceu competições da UNESCO e na World Photographic Cup.
Entre os importantes prémios e distinções que Jorge Bacelar tem recebido, pelo seu trabalho fotográfico, com fotografias finalistas em certames como ainda este ano no concurso HIPA no Dubai, sob o tema “My Family”, podem-se destacar os seguintes:
2015, o prémio “Nomination Award HPA 2015”, no concurso “HPA2015 9th Humanity Photo Awards”, organizado pela UNESCO e CFPA, em Pequim, China.
2016, tornou-se campeão do mundo ao integrar a equipa portuguesa no “World Photographic Cup”, recebendo o prémio “Photographic Cup Reportage Bronze Medal 2016”.
– Vencedor europeu do concurso fotográfico internacional “2016 OIE Photo Competition”.
– Finalista no Dubai do concurso “The Hamdan bin Mohammed bin Rashid Al Maktoum International Photography Award (HIPA)” – fifth edition of HIPA no tema “Happiness” em duas categorias “Father and son” e “General”.
2017, foi convidado a estar presente na China para a cerimónia de entrega de prémios no concurso “HPA2017 10th Humanity Photo Awards” organizado pela UNESCO e pela CFPA, ao ser premiado na categoria “Portrait & Costume” com o prémio Documentary Award e foi nomeado para o Grand Award, cuja cerimónia de entrega de prémios decorreu em setembro de 2018 na China.
– No concurso “1st International Art Photographic Salon “Varadinum” em Oradea na ROMANIA 2017”, ganhou a medalha de ouro da “Global Photographic Union (GPU GOLD) na categoria “pessoas”.
– No Salão Internacional “Singapura Photo Cup” em Digirap, Singapura, ganhou a medalha de ouro e uma menção honrosa na categoria “Viagens”.
– Na “5th Circular Exhibition of Photography – Three Country 2017”, na Irlanda, ganhou a medalha de ouro da “Photographic Society of America” na categoria de “Fotojornalismo” e menções honrosas na categoria “Pessoas” e “Crianças”.
– Na Sérvia, ganhou a medalha de ouro da “Photographic Society of America” na categoria “Crianças”, uma medalha de bronze na categoria “Pessoas” e uma menção honrosa em “Fotojornalismo”.
– No “IUP 5th Anniversary Celebration Photo Circuits 2017”, na China, na categoria “Fotografia de Viagem”, ganhou a medalha de ouro da “RPS – The Royal Photographic Society of Great Britain”, uma medalha de prata e uma medalha de bronze da “IUP- International United Photographers”. Também recebeu uma menção honrosa na categoria “Cor”.
2018, foi selecionado como finalista no concurso “The Hamdan bin Mohammed bin Rashid Al Maktoum International Photography Award (HIPA) – seventh edition of HIPA”, no Dubai, com o tema “The Moment” na categoria portefólio.
– Foi finalista no concurso internacional “Siena International Photography Awards 2018”, em Itália.
Texto e fotos: José Lopes
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