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MUSEU DE OVAR ENCERROU CICLO LITERÁRIO DE “CONVERSAS ÚTEIS” NA 88.ª TERTÚLIA

O escritor Fernando Esteves Pinto, que para alguns críticos, a sua obra literária, tem, “uma sintaxe intricada, algumas vezes responsável por uma deficiente legibilidade da mensagem”. Foi o convidado, em dupla com a escritora Adília César, que fez a apresentação do seu novo livro “Arte Humana”, para a 88.ª tertúlia no Museu de Ovar (9 de novembro), “Conversas Úteis”, que teve ainda a participação do editor Wladimir Vaz (Editora Urutau). Um editor brasileiro a viver na Galiza que veio a Ovar partilhar como conheceu Fernando Esteves Pinto e a sua obra Arte Humana, que destacou como “texto intenso”.

Foi uma tertúlia poética intensa, mesmo com o fim anunciado deste ciclo literário no Museu de Ovar, pelo moderador e reconhecidamente o seu impulsionador e dinamizador, o escritor ovarense Carlos Nuno Granja, que, agradeceu a todos os patrocinadores que tornaram possível este evento durante seis anos, e que agora por falta do apoio financeiro indispensável por parte da União de Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente, de Pereira, assim termina na 88.ª edição com a participação de mais de cem escritores, poetas e fotógrafos. Para este momento Carlos Nuno Granja desabafou que, “gostava que estivessem outras pessoas, para partilharem este final”, referindo-se aos muitos amantes dos livros, “que acompanharam este projeto”, afirmou, com lamentos aos políticos que na gestão dos “dinheiros públicos”, não dão atenção a tais eventos culturais de promoção da literatura. Mas como concluiu o escritor ovarense, “foi uma experiência maravilhosa”.

A intensidade desta última tertúlia das “Conversas Úteis”, foi também marcada pela esperança deixada pela poetisa Adília César, de que “é o fim de um ciclo, mas pode ser o princípio de outro”. Uma mensagem deixada por quem, em conjunto com Fernando Esteves Pinto, como casal que a poesia permitiu unir através do facebook, como confessou o escritor, desenvolvem e dinamizam vários projetos culturais e literários no Algarve em que residem. Dando o exemplo do projeto cultural LÓGOS – Biblioteca do Tempo, com duas edições por ano abertas à participação de escritores convidados, conhecidos e desconhecidos na literatura.

O que é a poesia, como se explica ou para que serve a poesia, levou mesmo o editor Wladimir Vaz a referir que, “acho perigoso um discurso, para que serve a poesia”, mas foram inquietações que acabaram por dominar esta simbólica tertúlia. E tal como em tantas outras animadas sessões, o tempo passa demasiado rápido para aprofundar as várias opiniões que o tema suscita, neste caso, que resultaram da apresentação do livro Arte Humana, feita por Adília César, que animou a sessão, arrancando do autor Fernando Esteves Pinto, respostas tão surpreendentes, sintéticas e sem rodeios, como, “não escrevo com emoção”, afirmando que, “se me emocionar sobre um verso, adultero-o”. Aliás, só escreve sem ninguém em casa. E continuando a responder às perguntas da sua companheira poetisa com quem casou há quatro anos, diz, “sei o que faço, mas não sei explicar o que faço”, porque, “a poesia não se explica”. Ainda que admita, que, “pode ser complicado o poema. Tenho confiança nos leitores, que compreenderão”, adiantando que, “nunca escrevi para mim. Escrevo para o leitor, mesmo não o conhecendo”.

Para Fernando Esteves Pinto que não hesita em afirmar sem rodeios, que, “a poesia está banalizada”, assume que o elogio de que mais gota é o de que, “sou diferente”, definição que lhe foi atribuída por um critico e que o escritor diz que nem ele próprio sabe o que isso de ser “diferente”. Foi assim uma noite poética sintetizada nas palavras de Adília César sobre o livro Arte Humana, integrado numa trilogia, em que diz, “Fernando Esteves Pinto fala connosco com uma voz única e provocadora, num estilo denso e inteligente, imbuído de esperança: uma poesia que evidência o que a literatura tem de melhor – intervenção social, beleza estética e verdade”.

Fernando Esteves Pinto, nasceu em Cascais em 1961. Tem livros publicados, como: “Na Escrita e no Rosto” (poesia); “Siete Planos Coreográficos” (poesia, edição bilingue, Huelva); “Ensaio Entre Portas” (poesia); “Conversas Terminais” (romance); “Sexo Entre Mentiras” (romance); “Privado” (novela); “Área Afectada” (poesia); “Brutal” (romance); “O Tempo que Falta (poesia); “Identidade e Conflito” (micro-ensaios); “Dispensar o Vazio” (antologia poética); “Património Bukowski” (contos e outras estórias); “O Carteiro de Fernando Pessoa” (romance); “Humanidade” (poesia); “A Caverna de Deus” (romance) e o agora editado “Arte Humana” (poesia).

Em 1990 recebeu o Prémio Inasset Revelação de Poesia do Centro Nacional de Cultura e em 2016 Obteve o Prémio Literário Cidade de Almada, pelo romance “A Caverna de Deus”.

Adília César, nasceu em Lagos (Faro) em 1959. Exerce atividade profissional como educadora de infância na rede pública. Na sua formação académica é ainda Mestre em Teatro e Educação, pela Universidade do Algarve.

Publicou dois livros de poesia: “O que se ergue do fogo” (2016) e “Lugar-Corpo” (2017). Colaborou na antologia “Fronteiras Humanas – O Drama dos Refugiados” (2016) e desenvolve um projeto de educação literária no âmbito da Poesia para a Infância com um grupo de 25 crianças no Jardim-de-Infância da Conceição de Faro, desde Setembro de 2017.

Texto e fotos: José Lopes

01dez19

 

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