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PROJETO “FEMINISMOS SOBRE RODAS” ESTEVE À CONVERSA COM MULHERES DO CARNAVAL DE OVAR

Com a mensagem em fundo, “quem tem medo das mulheres sem medo?” o projeto Feminismos Sobre Rodas, que entre 8 de novembro e 8 de dezembro tem feito e fará várias paragens no Norte e Centro do país, promovendo diferentes atividades, como: sessões de cinema, rodas de tricot com as mulheres do meu país, sensibilização nas escolas, festas feministas e intervenção de rua. Ações que culminarão num Encontro Internacional Feminista no Porto nos dias 13 a 15 de dezembro. Em Ovar esteve à conversa sobre feminismo, numa “Roda de Tricot com as “Mulheres do Carnaval”.

A “Roda” que decorreu no dia 16 de novembro no Bar do Centro de Artes de Ovar, reuniu mulheres folionas de diferentes intervenções carnavalescas, em que partilharam opiniões sobre as temáticas colocadas à discussão sob condução de Inês Barbosa, investigadora de Sociologia da FLUP, depois da apresentação do projeto Feminismos Sobre Rodas, pelas ativistas Inês Ferreira e Patrícia Monteiro, como “um movimento político e social que engloba várias linhas de pensamento, e que defende a equidade entre homens e mulheres”.

Tendo como ponto de partida a “importância das mulheres no Carnaval de Ovar”, o diálogo foi facilitado e permitiu várias partilhas de experiencias das diferentes gerações de mulheres presentes nesta iniciativa. Falou-se da evolução da participação das mulheres no carnaval, que durante muitos anos esteve reduzida aos bastidores, como o trabalho de costureiras num tempo em que para brincar a folia, só podia ser mascaradas, em que se utilizava a fantasia do “dominó” para não serem conhecidas. Curiosamente nos carros alegóricos dos bairros e empresas, só as mulheres começaram por desfilar.

Mas as mulheres só assumiram papel por inteiro no Carnaval de Ovar com a introdução das escolas de samba, lembrando as intervenientes a postura “arrojada”, referindo-se a “mini-saia”, que marcou a influência brasileira do ritmo do samba, em que as mulheres vieram a conquistar liberdade e a ocupar diferentes patamares na organização das estruturas das escolas de samba. O debate deixou mesmo a dúvida se, a dificuldade de afirmação dos “passistas” no Carnaval de Ovar, “é a questão de ser questionado sexualmente”.

O lugar da mulher no “casal real” do Carnaval, foi outra das curiosidades debatidas, em que foi reconhecido que, até uma certa época só havia “rei” e quando começou a ser “casal real”, a “rainha” tinha papel secundário. Situação que se tem vindo a alterar, como concluíram algumas das ex-protagonistas do papel de “rainha” de Carnaval de Ovar.

Relativamente ao tema da xenofobia, as folionas intervenientes, ainda que afirmem que “o país era mais preconceituoso”, no caso do ambiente carnavalesco concordam que, “o Carnaval é uma ferramenta politica para esbater diferenças”, bem como “xenofobia e machismo”.

Esta foi uma “roda” de debate em que, para lá da participação das mulheres no Carnaval de Ovar, procurou falar de feminismo sem definições muito estanques, porque, como assume este projeto, “mais importante do que qualquer definição que possamos dar, é a forma como cada uma de vós sente e vive o feminismo”, ainda que lembre, que, “o feminismo faz-nos lutar contra todas as injustiças e desigualdades sociais, pelos direitos de todas e todos e liberta tanto homens, como mulheres, das pressões e opressões sociais a que estão sujeitos (…)”

Feminismos Sobre Rodas nesta passagem por Ovar no fim de semana de 15 e 16 de novembro, teve um programa cultural que começou com uma sessão no Auditório da Casa do Povo dedicada ao cinema, “CineRodas”, com os filmes, “Rupa´s Boutique” e “Índios e Comboys”. O programa terminou com o convite, “As Chicas vão ÓChico” numa alusão ao bar da cidade em que se deu a Festa Feminista.

Texto e fotos: José Lopes

01dez19

 

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