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MUSEU DE OVAR ASSINALOU O 59.º ANIVERSÁRIO COM MEMÓRIAS DO SEU ESPÓLIO FOTOGRÁFICO ANOS 60 E 70

Para assinalar o 59.º aniversário do Museu de Ovar e os seus fundadores, foi realizada no dia 11 de janeiro uma mostra de fotografia com recurso ao seu espólio alusiva aos anos 60 e 70, trazendo à memória as duas décadas iniciais de vida do Museu de Ovar e do reconhecimento institucional por parte de figuras do próprio regime da época, como Marcelo Caetano então Presidente do Conselho do Estado Novo, que faz parte do álbum fotográfico desta instituição na década de 70, ou os presidentes da Câmara Municipal de Ovar, Carlos Nunes da Silva (1966) e Correia de Almeida (década de 70).

Destas memórias a preto e branco, destacavam-se no entanto vultos das artes e da cultura que o Museu de Ovar teve o raro privilégio de os ter como amigos e de ter enriquecido as suas coleções de pintura, cerâmica e escultura, com obras de arte dos artistas que nestas duas primeiras décadas inauguraram exposições. Nas fotos que estiveram expostas lá estavam o ceramista Jorge Barradas (1966), pintor Júlio Pomar (1967), escultor Luís Ferreira de Matos (anos 70), pintora Clotilde Costa Carvalho (1971), pintora e ceramista Beatriz Campos (1971), pintor Zé Penicheiro (1972), ou ainda a visita do presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Azeredo Perdigão. Personalidades políticas e das artes, que alguns dos fundadores do Museu de Ovar, como, José Augusto de Almeida e Manuel Silva receberam em cerimónias, com a humildade, a determinação e a paixão pela edificação desta Casa da Cultura que rapidamente transbordou de arte e estimulou o sonho de uma nova sede do Museu de Ovar, que até hoje não passou de um sonho.

Deste sonho e da reconhecida necessidade de se pensar na falta de espaços no Museu de Ovar para mostrar muitas das coleções do seu espólio e de receber coleções de artistas que mostram disponibilidade e interesse em doarem obras de arte, não para serem guardadas, mas para poderem ficar em exposições permanentes, como chamou a atenção o artista plástico e diretor do Museu de Ovar, Emerenciano Rodrigues, que, participou nesta breve tertúlia sobre o 59.º aniversário, reafirmando que, “o sonho de José Augusto de Almeida foi importante, mas ainda está muito por realizar como o edifício”.

Na tertúlia comemorativa foram também intervenientes, Oliveira Dias, presidente da Assembleia Geral, diretor António Dias, vereador da cultura da Câmara Municipal de Ovar, Alexandre Rosas, Nuno Pinto, da União Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira, e do único fundador vivo, Manuel Silva, cuja emoção o impediu de acrescentar algumas curiosidades sobre como nasceu e cresceu o Museu. Momento de emoção, que levou o também membro dos órgãos sociais, Manuel Almeida Brandão a lembrar a edição do livro “Museu de Ovar como nasceu e cresceu” no âmbito dos 50 anos, em que colaborou com Manuel Silva e suas memórias passadas a papel.

Nesta cerimónia marcada pela simplicidade, como começou por realçar António Dias, mas, “lembrando sempre todos, que por esta instituição passaram, a eles se deve muito”. Acrescentou também, que, “o nome de Ovar onde quer que se fale de Cultura, o Museu de Ovar é logo referenciado. Prova disso é os mais recentes protocolos com Museu de Arte Sacra da Covilhã e Museu Bordalo Pinheiro”.

Nesta sessão mais “intimista” como referiu Oliveira Dias, a obra deixada pelos fundadores foi enaltecida, nomeadamente “o espirito inventivo para arranjar meios”, salientando ainda a necessidade de apoio ao Museu de Ovar para elaboração de um projeto de candidatura que lhe permita alcançar o sonho de um espaço museológico mais adequado e que dignifique a exposição das coleções. Caminho que deve ser para continuar o trabalho de engrandecimento de uma Instituição, que, como assumiu Nuno Pinto, “merece a nossa atenção e apoio”. Já Alexandre Rosas deixou um apelo para que todos os presentes, se, “disponibilizem e se envolvam num projeto para o Museu de Ovar ao qual o Município não deixará de colaborar”. Breves palavras de reconhecimento ao trabalho desenvolvido, deixou por fim o presidente da Junta de Freguesia de Válega, Jaime Almeida, representando uma das freguesias em que a ruralidade e a etnografia têm ainda muitas afinidades com grande parte do espólio desta instituição museológica.

Texto e fotos: José Lopes

01fev20

 

 

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