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Parabéns, “Etc e Tal jornal”

Joaquim Castro

Por ocasião do 10.º aniversário do Etc e Tal Jornal, é de enaltecer o trabalho do director, José Gonçalves, em prol da Informação rigorosa, assim como pelo espaço que criou para a publicação e divulgação de temas diversos, que, certamente, vão ao encontro dos leitores mais exigentes. Com todo o gosto, faço parte de um grupo de colaboradores, voluntários, em que, cada qual se debruça sobre os mais diversos temas da Sociedade. Pela minha parte, tenho a meu cargo a rubrica “Pontapés na Gramática”, o que, com todo o gosto, partilho mensalmente no Etc e Tal Jornal, que é já um jornal digital de referência, com sede na cidade do Porto.

ATROPELOS À LÍNGUA DE CAMÕES

A propósito, a comunicação social tem a obrigação de bem cuidar da Língua Portuguesa, tal como se procura fazer no nosso Jornal. Contudo, esse cuidado nem sempre é seguido por todos os meios de comunicação, com prejuízo da nossa Língua-Mãe. Os jornais, as televisões, as rádios e até os letreiros dos estabelecimentos comerciais, enchem os seus espaços com verdadeiros atropelos à língua de Camões, sem que se veja que alguém repara e corrija esses atropelos linguísticos. Ninguém é perfeito, mas “nem tanto ao mar, nem tanto à serra!”.

“QUAIS E QUE SÃO?!”

Num jornal da noite da SIC Notícias, um irrequieto jornalista fartou-se de disparar perguntas a dois convidados, sobre a disputa eleitoral entre Rui Rio e Luís Montenegro, para a presidência do PSD. Às tantas, questionou: “quais é que são os motivos…de (qualquer coisa)?”. Estou convencido de que a referida frase é incorrecta, considerando que a forma correcta seria “Quais são”. Mas não é caso único, pois esta forma de questionar é muito ouvida nas televisões e nas rádios. O que acha o leitor desta questão?

OCHENCHA E OCHO!

É conhecida a peculiaridade do treinador de futebol Jorge Jesus no uso da Língua Portuguesa, para quem a gramática é outra! Mas o “espanholês” do técnico português também se tornou famoso, quando foi entrevistado por uma televisão espanhola, após um jogo contra o Real Madrid, que o seu clube, o Sporting, perdeu. E tudo se fica a dever à célebre expressão “minuto ochenca e ocho”, dessa partida. Há dias, quando estava entre outros clientes, à espera de comprar o almoço, o funcionário, provavelmente, oriundo da Venezuela, chamou pela senha “ochencha e ocho”! Ora, foi uma risada colectiva, certamente, por fazer lembrar Jorge Jesus.

“AQUILO QUE…”

Nos últimos tempos, alguns comunicadores agarraram-se à frase “aquilo que…” e a outras da mesma família, como, por exemplo, “daqueles que…”. São comentadores de futebol, comentadores políticos, treinadores de futebol, políticos e muitos outros, a quem dão tempo de antena. Contudo, a primeira pessoa em quem reparei usar e abusar desta expressão, que não é errada, foi e é a ministra da Saúde, Marta Temida, que considero uma precursora desta frase. Hoje em dia, são inúmeros os comunicadores que a usam, quase como se fosse uma epidemia, a caminho da pandemia!

CANTAR DOS REIS OU CANTAR OS REIS

Uma das tradições mais populares e mais antigas de Ovar, onde resido, é o “Cantar os Reis”. Esta velha tradição nasceu, “em 1883, pela vontade de meia dúzia de reiseiros, entre eles Alves Cerqueira, que escolhia as músicas, e António Dias Simões, o poeta que escrevia as letras. Todos saíram à rua cantando lindas melodias a evocar o verdadeiro espírito de Natal e a mensagem de Reis, visitando amigos e famílias que os recebiam (jornal João Semana – 18.01.2019). No entanto, a expressão “Cantar os Reis” tem vindo, também a ser referida, como “Cantar dos Reis”. Mas segundo as fontes mais antigas, a denominação correcta é “Cantar os Reis”. Mais a norte, no Minho, desde pequeno que ouço falar no “Cantar as Janeiras”, nunca tendo ouvido “Cantar das Janeiras”.

PERCURSO PERCORRIDO!

O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, valorizou, em 10 de janeiro de 2020, o trabalho político do Governo, referindo como positivo o “percurso percorrido”. Tratou-se, certamente, de uma frase mal pensada, que soa mal, sendo preferível, por exemplo, dizer o trajecto ou o caminho percorrido. Mas isto é o mal de muitos governantes e de outros políticos, que se mostram incapazes, muitas vezes, de articular um bom discurso. Por isso, seria necessário, que, entre os muitos assessores contratados pelo Governo, houvesse especialistas em Língua Portuguesa, para alertar os políticos sobre os pontapés na gramática que vão cometendo.

A MORAL E O MORAL

Quando alguém está optimista sobre determinado assunto, diz-se que está com “a” moral em cima, ou que está com “o” moral em cima? Moral é uma palavra de origem latina, que provém do termo moris (“costume”). Sobre a diferença entre a moral e o moral escreveu Rodrigo de Sá Nogueira, no seu Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem (Livraria Clássica Editora, Lisboa, 2.ª edição, 1974): “Moral (no feminino) é “a parte da filosofia que trata dos costumes, deveres e modo de proceder dos homens para com os outros homens”; no masculino (…) é “tudo que diz respeito à inteligência ou espírito por oposição ao que é material”. Dizemos com propriedade: “F… tem uma moral detestável”, isto é, “um sentimento e um procedimento contrários aos bons costumes”; “F… está com um moral desgraçado”, isto é, “num estado de espírito de desalento, de derrotismo”. Em conclusão, podemos afirmar que um exército que esteja optimista está com o “moral” em cima. Por sua vez, a “moral” é o conjunto dos costumes e opiniões de um indivíduo ou de um grupo social respeitantes a comportamento.

Nota: Por vezes, o autor também erra!

 

Fotos: pesquisa Google

01fev20

 

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