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Uma aldeia na duplicidade do (São) Xisto

Lurdes Pereira

(texto e fotos)

Inserida no concelho de S. João da Pesqueira, São Xisto é um lugar na freguesia do Vale da Figueira. Podia ser um nome comum entre tantos outros nas freguesias de Portugal, mas São Xisto é um aldeamento que reserva vários encantos, repousada numa falésia sobranceira ao majestoso rio Douro. De origem castrense, marcou geografia onde vinha a ser região classificada pela UNESCO como Património Mundial.

Entre as múltiplas terras de Xisto encontram-se pequenos núcleos que parecem pedaços de paraísos, colocados pelos anjos a mando da Natureza que as protegeu. Não por serem de Xisto, mas porque toda a geografia comunga de uma paz tão tranquila que faz embalar as núpcias dos próprios deuses.

Banhada na frescura dos efeitos da Valeira, ninguém pode ficar indiferente ao conjunto natural onde a aldeia marca o seu território. Tudo se combina numa perfeita e harmoniosa tela viva com as águas brandas do Douro, com sumptuosa ponte de Ferradosa, ícone local da arquitetura do ferro.

É na suave falésia, a mergulhar o rio, que São Xisto se espreguiça pela encosta exibindo, com vaidade, as suas casas típicas, os pormenores, as cores d´outrora. Lembram as profissões, vestem o xisto perfumado por um punhado de rosas que o Estio soube cuidar. Decorando as paredes, rentinho aos telhados, as pequenas aves refletem memórias musicalizadas do alegre canto da Primavera num tempo em que toda a natureza explode os risos de um novo ciclo. Estão os vasos cerâmicos a suportar pequenas e delicadas flores, aromas inalados no ambiente puro, longe da civilização. As casas, de pequenas ou grandes dimensões, preservam memórias do modo de vida, da economia e das profissões. Cada habitação tem uma identidade, tem uma história paralela, tem o espelho de Portugal profundo.

A capela de São Xisto toma a sua posição como elemento singular neste conjunto harmonioso coroado pelo xisto, contrastando a pureza do caiado branco e onde até os raios de Sol ajudam a duplicar os encantos como reflexos da própria fé.

O silêncio é nobre, o espaço é mágico que contagia os nossos olhares até ao horizonte. Há pouca gente na aldeia, mas está tudo tão bem recuperado e tão belo que assalta as emoções de quem a visita porque daqui, deste lugar de esplêndida unicidade, há um Anjo num miradouro a guardar a alma viva de São Xisto, aldeia de Portugal, e o seu espelho de água até ao infinto!

01mar20

 

2 Comments

  1. Lurdes Pereira

    Nuno Furet
    Obrigada por este elogio, obrigada pela sensibilidade de entederes cada palavra deste depoimento porque, independentemente da estação do ano, cada recanto do Douro, é um poema.

  2. Nuno Furet

    Quem diz que uma imagem vale mais do que mil palavras, acaba de ser desmentido por este excelente texto. Fotografias e escrita complementam-se na perfeição e erguem-se mutuamente graças à apurada sensibilidade artística e poética da autora.
    Muitos parabéns, Lurdes!

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