Num concelho, como o do Porto, que tem registado, frequentemente, o maior número de casos de infetados pelo novo coronavírus a nível nacional, pergunta-se: que comportamento tem vindo a verificar-se por parte da população nas sete freguesias que o compõem, em tempos de confinamento doméstico e outras regras profiláticas? Qual tem sido o trabalho desenvolvido pelas juntas? E… há apoios suficientes para que esse trabalho possa continuar por mais tempo? Eis as questões colocadas aos presidentes das autarquias mais próximas dos cidadãos, neste caso dos portuenses, sendo que à última questão é fácil de adivinhar a maioria das respostas: não!
O problema, agora, é que o trabalho das autarquias não se circunscreve ao ataque direto à covid-19, estende-se também ao apoio a dar ao crescente número de novos carenciados, vítimas da crise económica que já se faz sentir, e que a doença, criada pelo novo coronavírus, originou de forma colateral.
O que lerá neste trabalho é o verdadeiro retrato social da cidade do Porto, a 01 de maio de 2020, registado esse conjunto de realidades por quem convive diária e diretamente com as suas gentes, os seus problemas, esperanças e vivências. As autarquias, com a colaboração de voluntários e de diversas instituições, estão a fazer um trabalho digno de registo, esperando também, e no caso do combate ao vírus, mais colaboração e apoio não só do Estado (ainda que, essencialmente, deste), mas também de certas camadas de população que desrespeitam, à descarada, as medidas profiláticas criadas para combater a pandemia e salvaguardar a saúde da comunidade.
José Gonçalves
(texto)
O “Etc e Tal jornal” entrou em contacto (telefónico, teve de ser!) com os seis presidentes, e uma presidente, das sete juntas e uniões de freguesia da cidade do Porto, isto num momento de relativa e positiva acalmia em relação à propagação do novo coronavírus, mas, ao mesmo tempo – e porque “um mal nunca vem só – com o emergir de um outro “vírus”, que está a afetar a vida de muitas pessoas, incluindo famílias inteiras… o da crise económica e financeira.
Atentos fiquem, então e de seguidas, às palavras de Alberto Machado, António Fonseca, António Gouveia, Ernesto Santos, José Manuel Carvalho, Nuno Ortigão e Sofia Maia… os autarcas mais próximos de quem vive na cidade Invicta, e que unidos deixaram uma certeza… “contem connosco!”.
JF BONFIM
JOSÉ MANUEL CARVALHO: “ESTAMOS A FAZER UM TRABALHO ENORME COM A COLABORAÇÃO DE VOLUNTÁRIOS E ASSOCIAÇÕES…”

A colaboração das instituições e voluntários da freguesia do Bonfim, mas também a desenvoltura da própria Junta em resolver certos casos, têm sido determinantes na luta contra a propagação da covid-19 nesta zona da cidade do Porto.
José Manuel Carvalho, o presidente da Junta, fala num “trabalho enorme” que tem vindo a ser efetuado, envolvendo, pelos vistos, toda, ou praticamente toda, a comunidade. Comunidade essa que se tem portado bem em relação ao cumprimento com as normas profiláticas de combate ao novo coronavírus.
“Em relação às regras profiláticas de combate à pandemia, s pessoas estão a portar-se dentro daquilo que tem sido o comportamento da generalidade do povo português. Não lhe posso apontar diferenças. Por tudo que me apercebo, e conheço, o Bonfim está na linha desse comportamento.”
“Temos implementado muitas ações de combate ao vírus nas áreas da Coesão Social, Saúde e Educação”

Uma atitude a relevar, numa freguesia em que a autarquia tem desenvolvido um importante trabalho no combate à pandemia, como especificou José Manuel Carvalho.
“A Junta de Freguesia do Bonfim tem implementado muitas ações de combate à propagação da covid-19, sobretudo nas áreas da Coesão Social, Saúde e Educação. Na área da Coesão Social temos, em conjugação com outras entidades, e com voluntários que se nos ofereceram, temos em funcionamento um serviço de distribuição de alimentação muito para além do que é normal; apoio a pessoas infetadas com equipamento que compramos para voluntários, de modo a estes deslocarem-se, com todas as precauções, junto de infetados, levando-lhes alimentos, medicação, etc. Portanto, na área da Coesão Social estamos a fazer um trabalho enorme.
Na área da Saúde igualmente. Temos, nesta vertente, uma série de medidas, já tomadas, para a reabertura da Junta, tendo em conta a proteção dos que estão lá dentro e para os que vêm de fora. Em princípio a Junta reabrirá as suas portas, a partir de 02 de maio. A forma como abrirá, e porque temos autonomia para isso, vamos definir, talvez com alguma rotatividade de pessoal, etc. Mas, atenção que todos os serviços da Junta estão a funcionar. Mesmo estando a Junta fechada, temos formas de contacto quer via telefónica, quer via e-mail, para quem quiser pedir aquilo que precisa. Por exemplo: os atestados são passados na mesma como o eram antes, tudo isso funciona.”
Relativamente à Educação, “temos uma série de miúdos da freguesia que não têm meios para o ensino à distância, como computadores e outros meios próprios para esse efeito. Tendo em conta esse facto, a Junta conseguiu, por ofertas e empréstimos e compras – também compramos alguma coisa! – adquirir esses meios.
Portanto, e basicamente, na Coesão Social, na Saúde e na Educação estamos a ter um trabalho muito intenso, com muitos voluntários e associações que se juntaram a nós, com meios que temos procurado mobilizar. Por exemplo: só temos duas carrinhas, mas o Sporting Clube S. Vítor cedeu-nos a sua para podermos acorrer a determinadas situações. Assim como, os escuteiros da freguesia que fazem parte de um dos grupos de voluntariado, mas há mais…”
“Não temos capacidade para dar resposta a um infetado que viva numa «ilha»! Ainda assim…”

Quanto a outros problemas, de ordem financeira ou estrutural que eventualmente possam condicionar ou impedir as ações da autarquia nesta luta, a Junta de Freguesia do Bonfim não tem, segundo o seu presidente, “capacidade para, por exemplo, dar resposta a um infetado que resida numa das muitas «ilhas» que existem na freguesia. O infetado que viva numa casa de uma dessas «ilhas» dificilmente consegue sobreviver sem contaminar as pessoas que residem com ele ou perto dele. Mas, este é um dos problemas que já colocamos quer a responsáveis da Saúde, quer à Câmara Municipal, pois, nós próprios, não temos maneira de os resolver. Mas, na medida do possível, já temos ajudado alguns”.
E ainda sobre “infetados”, José Manuel Carvalho realça, o bom exemplo da IPSS Senhor do Bonfim…
“O que lhe posso dizer é que a IPSS mais próxima da Junta, que é a IPSS Senhor do Bonfim, não tem, felizmente, nem no seu pessoal, nem nos seus utentes, um caso que seja de contaminação pela covid-19. É um lar onde não existe nenhum contaminação!”
JF CAMPANHÃ
ERNESTO SANTOS: “HÁ UMA CAMADA DA POPULAÇÃO QUE NÃO CUMPRE COM AS REGRAS COMUNITÁRIAS DE COMBATE À PANDEMIA! QUEM VIVE DO MUNDO DA DROGA NÃO QUER TER PREJUÍZO…”

O presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, Ernesto Santos, está deveras preocupado com a situação de pandemia que se vive em todo mundo, mas em particular com o que está a acontecer no concelho do Porto, tendo em conta o elevado número de infetados que o mesmo tem vindo a registar.
O autarca de Campanhã informou-nos, ainda que sem provas, de momento, muito concretas, que a sua “é das freguesias com mais casos de infetados pela covid-19. Ainda que não tenha confirmação, pois não tive acesso a esses dados, mas informaram-me de tal”.
Palavras de um autarca que, por outros motivos que não os da doença que origina a pandemia, se encontrava hospitalizado aquando do nosso contacto, mas que, mesmo assim, não tem parado e tudo tem feito para que o combate à propagação da doença covid-19 seja cada vez mais eficaz.
“As ações que se tem feito em Campanhã -, além das desenvolvidas pela própria Junta -, têm partido de algumas instituições, nomeadamente, da «Benéfica» de Campanhã, que tem distribuído material de proteção, como máscaras, luvas, botas, viseiras, isto através de um extraordinário serviço ao domicílio. As coisas, nesse aspeto estão acorrer bem”.
“Logo nos primeiros dias da pandemia, a Polícia Municipal foi chamada ao Lagarteiro…”
A mesma reação positiva, já Ernesto Santos não pôde ter em relação ao comportamento de um leque considerável de pessoas, isto quanto ao respeito pelas medidas profiláticas de combate à pandemia, e inerentes ao decretado Estado de Emergência.
“Logo nos primeiros dias a Polícia Municipal foi chamada ao Lagarteiro e, mais recentemente, já no de Estado d Emergência, foi, não sei quantas vezes, ao bairro do Cerco.”
“De facto”, e ainda de acordo com o presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, “há uma camada da população que não cumpre com as regras comunitárias. Algumas já têm, por natureza, dificuldades em viver em comunidade, e, agora, ter de cumprir com as regras da outra comunidade não é com eles! Esta não é uma situação geral, mas as pessoas a que me refiro, vivem à margem da sociedade… vivem do mundo da droga, e não querem ter prejuízo com a pandemia. Pelo que, fazem o seu dia-a-dia dentro da normalidade, não tendo em conta os riscos que correm e fazem os outros correr…”
“Estado devia criar um Plano de Ajuda para as freguesias”

Ernesto Santos aproveitou, entretanto, o nosso contacto para fazer como que um aviso ao Estado quanto ao trabalho que as juntas de freguesia têm vindo a realizar por esse país fora e a um apoio que seria necessário lhes dar.
A Câmara do Porto, ou o Estado, devia criar planos de ajuda – como fazem com os planos destinados a pequenos empresários, etc. – destinados às juntas de freguesia, e já não falo só da de Campanhã. É importante, e mais que necessário, um reforço orçamental para que o combate à covid-19, que está a ser efetuado com muito esforço pelos autarcas das juntas, seja mais eficaz. Como é que se podem desenvolver estas ações sem dinheiro? É dinheiro para uma arca frigorífica; é dinheiro para o aluguer de uma carrinha, e por aí fora… e o dinheiro que temos não dá para tudo”, fica o repto.
JF PARANHOS
ALBERTO MACHADO: “ESTAMOS A ALOCAR TODAS AS VERBAS, DESTINADAS A ATIVIDADES QUE ERAM REGULARES , NA AÇÃO SOCIAL”
Alberto Machado, presidente da Junta de Freguesia de Paranhos, a mais populosa da cidade do Porto, com cerca de 50 mil habitantes, começou por relevar o facto que tem vindo a ser desenvolvido pela autarquia “um conjunto muito vasto de ações”, no combate à propagação da covid-19, “as quais temos vindo a alongar no tempo”.
“Desde o dia 16 de março que temos encerrados ao público todos os serviços e equipamentos, e o cancelamento de todas as atividades que junta desenvolve. Primeiro, cancelamos por quinze dias e temos vindo, a cada quinzena, a alargar esse cancelamento”
Assim sendo, e segundo o presidente da Junta de Paranhos, “está tudo cancelado até ao mês de junho, com avaliação daqui por mais uns dias para vermos se alargaremos os cancelamentos até final do mês de julho, ou até mais. É consoante isto for evoluindo”.
Alberto Machado refere a propósito das ações tomadas, que “não quisemos tomar medidas drásticas, porque também não queríamos estar a cancelar atividades importantes. Fizemos tudo isso à medida! Fizemos também trabalho interno, no sentido de colocarmos os nossos trabalhadores a exercer as suas funções em segurança, com alguns em teletrabalho, outros em casa, e ainda outros, em serviços essenciais, a fazer trabalho em rotatividade para proteger ao máximo os nossos colaboradores e podermos continuar a prestar esses serviços essenciais à população”.
“A nossa preocupação foi criar espaços de retaguarda para apoiar naquilo que fosse necessário”
De momento, “temos todos os equipamentos fechados e fazemos o atendimento por marcação nas duas secretarias que temos, quer aqui, quer no cemitério. Depois, procuramos, em relação às questões mais externas, com as instituições que fazem parte da comissão social; com as nossas IPSS, e com os nossos centros sociais, criar uma linha de retaguarda para apoio às pessoas que, vivendo sós, estão a passar por situações de algumas dificuldades”.
Relevando um facto – “a nossa freguesia tem cerca de 50 mil habitantes” -, Alberto Machado revela outros dados importantes: “a população idosa de Paranhos é de 10 mil, ou seja pessoas com mais de 65 anos, que vive já isolada e, em outros casos que não sendo isolada, sobrevivem duas pessoas com bastante idade. Nestes casos, a fragilidade também é grande. Portanto, a nossa primeira preocupação foi, a nível de todas as instituições da freguesia, criar espaços de retaguarda para apoiar naquilo que for necessário”.
E todo o o processo desenvolvido pela Junta de Freguesia de Paranhos, não fica por aqui. “Contactamos também o comércio tradicional e estabelecemos uma ligação direta com todos os serviços de apoio domiciliário. Refiro-me a talhos, mercearias, farmácias, restaurantes take way, etc.. Temos isso disponível telefonicamente de modo a dar nota desses serviços, e dos que mais próximo da área de residência de quem os solicita se encontram. Essa informação está também disponível na nossa página no Facebook”.
Além disso, e ainda segundo Alberto Machado, “temos feito um contacto telefónico diário com os idosos que são utentes mais assíduos, como por exemplo aqueles que fazem hidroginástica. Ou seja, aqueles dos quais nós temos contacto telefónico com autorização em o podermos utilizar. Estamos a falar de mais de mil idosos, que é no fundo uma população de risco”.
“Temos feito também”, continua o nosso entrevistado, “a entrega de máscaras, cedidas pela Fundação Manuel Pinto de Azevedo, máscaras cirúrgicas e P2, aos lares da freguesia. Temos ainda isentado de todas as taxas as atividades permanentes que a junta de freguesia levava a efeito com regularidade, como as aulas de hidroginástica, assegurando a Junta o pagamento aos professores para que a atividade não colapse”.
“Atribuímos ainda uma verba aos Bombeiros Voluntários Portuenses para a compra de garrafas de oxigénio; cerca de 15 mil euros às IPSS e aos centros sociais da freguesia, para que eles possam ter mais algum dinheiro que lhes permita fazer face às maiores despesas que estão a ter. Estamos a falar em despesas de apoio alimentar situações urgentes para pagamento da eletricidade…”
“Triplicamos a verba disponível no setor social para socorrermos os agregados familiares mais carenciados”
Quanto a uma ideia já defendida por alguns autarcas de freguesia, quanto ao Estado poder (ou dever) criar um plano de apoio às juntas de freguesia pelo trabalho que têm vindo a desenvolver – tal como faz com as empresas -, Alberto Machado considerada que esse apoio era “o ideal, ou seja o Estado poder reforçar o apoio financeiro às juntas”, mas “nesta fase, nós estamos a alocar verbas que estariam a ser despendidas para atividades normais da junta de freguesia, isto na área da Educação, Cultura e Desporto, uma vez que não estamos a gastar verbas nesses setores, e assim estamos a canaliza-las todas para o pelouro de Ação Social.
“Temos assim”, explica Alberto Machado, “alguma flexibilidade financeira, porque, deixando de fazer um conjunto de atividades – já não as promovemos há mais de um mês, e também, proximamente, já não haverá S. João, entre muitos outros exemplos –, estamos a canalizar, assim, essas vergas para um fundo de emergência social. Portanto, triplicamos a verba disponível no setor social que vai permitir a que a junta diretamente possa socorrer os agregados familiares mais carenciados”.
E tendo em conta esses e outros factos, “estamos também a fazer algumas alterações nas secretarias, para podermos regressar o quanto antes. Se o Estado de Emergência terminar no dia 02 de maio, queremos abrir as portas da junta no dia 04, pelo que, já estamos a instalar acrílicos para divisórias de segurança aquando do atendimento ao público. Ainda que esse atendimento continue a ser feito, mas não de forma presencial, até porque, entre outras situações, é sempre precisa a assinatura deste ou daquele documento.
“A concentração populacional no Porto é um risco, principalmente pela forma como se vive em comunidade”

Quanto ao preocupante número de infetados pela covid-19 no concelho do Porto, Alberto Machado é da opinião que “ tudo tem a ver com uma questão epidemiológica territorial”
E explica: “o concelho do Porto é dos mais pequenos do país em termos de área territorial, e mesmo o mais pequeno do distrito. A sua territorialidade é pequena e tem grande densidade populacional. Moram no Porto cerca de 2000 mil pessoas, muitas delas em bairros sociais. Isto faz com que haja uma grande concentração de pessoas por metro quadrado, e, assim, mais propícias à infeção”.
“A vivência no Porto é completamente diferente de qualquer outro concelho. Por exemplo, Vila Nova de Gaia tem pouco mais de cento e poucos mil eleitores que o Porto (320 mil) e a sua área territorial de cerca de quatro vezes maior. Lá, as pessoas estão mais diluídas no território. Portanto, essa concentração populacional no Porto é um risco, devido, principalmente pela forma como elas vivem em comunidade”.
“Já temos instituições cheias com pessoas à procura de apoios básicos, como para a alimentação e pagamento de despesas fixas”
Mas se o número de infetados foi preocupante nas últimas semanas, a verdade é que, no Porto, tem sido realizado um importante combate à pandemia, até, por vezes, com métodos pioneiros em Portugal.
“Os números, que temos hoje, são reflexo de um importante facto: apesar das pessoas terem compreendido e terem acatado de uma forma genérica as recomendações, também é certo que moram em 49 bairros sociais e também nas «ilhas» tradicionais do Porto. Portanto, há aqui, o risco da proximidade e, consequentemente, de infeção”, explica Alberto Machado, salientando que a sua maior preocupação reside “para futuro!”.
“Se o Estado, e depois as autarquias, não conseguirem tomar as medidas necessárias para colmatar a crise económica que aí e vem, e que jã está a dar sinais de vida, a verdade é que depois de uma crise sanitária estaremos a viver uma a crise nas pessoas que estão em lay-off, ou seja, que não recebem o seu ordenado por inteiro. Depois, há uma grande parte da população que vive no limiar da pobreza. É necessário, assim, intervir o mais rápido possível com apoios financeiros a estas famílias. Nós já o estamos a fazer… espero que o Estado e a Câmara tomem esse tipo de medidas”.
É que, e de acordo com o autarca de Paranhos, “as coisas vão acontecendo em casos distintos. No Porto vai ser difícil tratar do problema, tal como o foi há cerca de dez anos. Só aqui juntamos cinco mil pessoas a receber apoio alimentar nas cantinas sociais, e, já neste momento, temos as instituições sociais cheias para dar respostas aos pedidos mais básicos: a alimentação e o pagamento de despesas fixas. O que lhe posso, para já dizer, é que a Junta de Freguesia de Paranhos está para cumprir com a sua parte nesta travessia”.
A rematar, Alberto Machado, salienta o facto de alguns alunos estarem “a ser discriminados, pela razão dos seus pais não terem posses para ter uma ligação à internet, e assim poderem acompanhar, com professores, as aulas do terceiro período. A telescola é uma ajuda, é melhor que nada, mas não chega! Falta a relação professor-aluno que alguns já estão a ter porque têm meios para isso, e os que não os têm estão a ser literalmente discriminados. Esta é também uma consequência da covid-19 que não está a ser acautelada pelo Estado”, fica o alerta!
JF RAMALDE
ANTÓNIO GOUVEIA: “ A JUNTA ESTÁ PREPARADA E TEM MEIOS PRÓPRIOS PARA AGUENTAR A CRISE… UM ANO!”

“Estamos a trabalhar para acudir! Este é um problema com o qual não estávamos habituados e ao qual estamos a responder fortemente. A Junta de Ramalde já tinha a distribuição de uma refeição quente por dia, para cerca de cinquenta famílias de um estrato mais carenciado; pessoas que não têm qualquer tipo de condições. Esse sistema foi reforçado, porque há muita gente, agora, que também vem buscar uma refeição quente, e que não era costume vir cá. Depois, estamos a assistir a muitas pessoas que ficaram sem emprego por causa da pandemia e das regras profiláticas criadas para a combater”, começou por referir ao “Etc e Tal jornal”, o presidente da Junta de Freguesia de Ramalde, António Gouveia, no que concerne ao combate que a sua autarquia tem efetuado contra a propagação da covid-19.
E a crise, que se começa a fazer sentir, começa também a criar as primeiras vítimas. O presidente da Junta de Freguesia de Ramalde foi testemunha de alguns casos…
“Vou dar-lhe um exemplo, que até fiquei de boca aberta: uma família; quarenta e sete anos a senhora; quarenta e nove, o marido, e um filho com dezassete anos. A senhora era empregada numa distribuidora e, há coisa de um ano, decidiu lançar-se por conta própria numa loja. Pronto. Com esta crise teve de fechar as portas do estabelecimento. Ou seja, agora, estão os três a viver à custa de um vencimento de 115 euros que vem por parte do marido da tal senhora. Pagam 650 euros de renda, imagine! Quiseram um cabaz, e muito bem. Deu-se o cabaz, agora veja o que aquela família está a passar! Uma família destas que de repente fica com pouco mais de cem euros, como é que eles se vão desenrascar?
Outro caso: um arquiteto, que fazia a sua vidinha, que tinha a sua pensão de reforma pequena, com os seus 92 anos. Agora, nem um cafezinho pode tomar fora de casa… isto mexe com a vida das pessoas. Os cafés e os locais onde as pessoas se iam abastecer fecharam”. Realidades.
“Digo-lhe com franqueza”, continua António Gouveia, “fui bancário toda a minha vida e sei muito bem o que são os índices económicos. Sou uma pessoa já com uma certa idade, tenho 75 anos, e nunca vi nada parecido com o que está acontecer. Faz-me lembrar a altura em que o Bispo D. Manuel Martins alertou para a fome! Vamos passar outra vez por uma crise dessas!”.
“O Estado não se devia só lembrar-se um pouco mais das juntas de freguesia. “Um pouco mais” é favor!”
Mesmo a viver de perto este quadro real de pandemia e início de grave crise económica, António Gouveia sente-se orgulhoso com algo que reflete o seu trabalho à frente da Junta de Freguesia. “Em Ramalde temos uma situação financeira muito boa. Tenho, até, uma proposta para reforçar fortemente o Fundo de Emergência Social. Agora, como sabe, uma junta, como todas as juntas, não tem muito por onde esticar. O Estado tem de compreender que a junta de freguesia é a autarquia de maior proximidade, são elas que conhecem os dramas, e as pessoas… mas são as que menos poder têm, não só financeiro. O Estado não se devia só lembrar-se um pouco mais das juntas de freguesia, “um pouco mais” é favor! E eu sou presidente de uma junta das maiores do País. É claro que há juntas pequeninas, no interior, mas elas também têm os seus problemas, e o Estado também delas se deve lembrar!”.
No entender de António Gouveia, “a administração pública tem de levar uma grande reforma. Há gente a mais. Há gente a fazer tudo e a nada resolver. Da própria Segurança Social só se vê a parte administrativa, não se vai ao encontro dos problemas; não se fazem planos…
“Vamos ter por aí problemas graves…”
E estar à frente de uma Junta como a de Ramalde não é assim tão fácil como, à priori, se pode crer… “Ramalde é uma freguesia muito heterogénea. Tem classe média alta, mas também tem bairros sociais. Nós temos 12 bairros sociais, e um deles o maior do Porto… o Bairro das Campinas. Mas, nos bairros sociais, as pessoas ainda se vão safando, o pior é todo este desemprego das pessoas da classe média, e também daquelas pessoas que viviam de uma chamada economia paralela, das limpezas etc. e que, de repente, viram tudo fechar”. Palavras de António Gouveia que não prevê um futuro risonho…
“Há muita empresa que vai fechar, mas isso é normal tendo em conta o contexto em que atualmente vivemos. Isso não é novidade. Este problema é da própria economia, das chamadas dívidas soberanas, isso aconteceu em 2011 e vai rebentar outra vez, e, por certo, vai ser mais grave que a pandemia. Vamos ter aí, no mínimo, três anos, com sérios problemas.
Mesmo assim, “a junta está preparada. Tem meios próprios para aguentar isto um ano. Agora, também temos de ser criteriosos, sabe que há muito oportunismo nestas alturas, só que nós, aí, somos muito exigentes: fazemos muitas perguntamos; vamos indagar e com o mesmo rigor que aprovamos mais apoio etc. Em valores de apoio já passamos os 25 mil euros. O Fundo de Emergência Social é tanto como nos dois últimos anos, porque sempre tivemos essa situação muito controlada. Por exemplo, essas cinquenta refeições diárias já faziam parte da nossa distribuição, agora isto aumentou fortemente e vai continuar a aumentar”.
“O primeiro-ministro tem sido muito corajoso”
Relativamente ao comportamento das pessoas em relação à pandemia e às obrigações às quais estão sujeitas para a combater, António Gouveia é da opinião que “apesar de tudo as pessoas não se têm portado mal”.
“Os óbitos não são em número de assustar. O número de funerais em Ramalde cresceu um pouco, mas nada de alarmante. Claro que alguns podem ir para a cremação e isso passa-nos ao lado. Acho que o País reagiu bem. O próprio Governo, e eu não sou socialista, está bem. O primeiro-ministro tem sido muito corajoso. Aliás, simpatizo com ele; ele que já foi autarca, como presidente da Câmara de Lisboa, e isso conta. As juntas de freguesia em Lisboa são como deviam ser todas no Porto. É que, em Lisboa já têm condições para trabalhar, e foi o António Costa que criou essas funcionalidades, que nada têm a ver com o que se passa nas freguesias do Porto”.
E António Gouveia alerta para o facto, mais que previsível, de que “num futuro próximo já nada será como dantes e nós temos de aproveitar esta epidemia para termos de mudar um bocado o nosso estilo de vida: gastamos muito dinheiro; andamos por aí feitos tolos. Quando a diretora da Saúde, logo no princípio, falou nas hortas comunitárias, falou e bem… é esse o caminho. Há quem não concorde, eu sei, mas isto vai doer, e as pessoas que seguirem esse exemplo das hortas ainda se vão safar. Vamos ter três anos apertados.”
“Temos de preparar o futuro! Acredito que a pandemia vá atenuar, mas a economia é que vai ser uma chatice…”

Entretanto, “a Junta de Freguesia de Ramalde tem dado resposta às exigências. Nós, ainda hoje (21abr20), estivemos nas Escola Fontes Pereira de Melo a dar caixas de leite a contar com os alunos, mas os alunos não vão à escola, pelo que nos devolveram para distribuir o leite por algumas instituições. Instituições que estão sempre prontas para ajudar. Não é só a Junta que está no terreno. São também voluntários e as referidas instituições.”
“Agora”, continua António Gouveia, “vamos preparar o futuro porque isto vai durar um bocado. Acredito que a pandemia vai atenuar, mas a economia é que vai ser uma chatice. Mas, atenção que as juntas não são câmaras municipais, Ramalde tem um orçamento que não chega a dois milhões de euros.
Eu sou o presidente que está ao serviço da população. Quando miúdo, andei a estudar para missionário, e não perdi a vocação, ela mantém-se! Depois de reformado, como tinha tempo para dar alguma coisa à sociedade, cá estou eu a fazer o que é preciso fazer. Vou ver se termino o mandato com um livrinho a contar as histórias destas vivências.
Uma das razões pelas quais aceitei o convite do Rui Moreira foi também para perceber como isto funciona e funciona muito bem num lado, mas muito mal no outro, eu pensava que isto era melhor. Não haverá recandidatura. Já chega!”
“Nas Atividades de Enriquecimento Curricular somos 50, e tudo funciona!”
E pronto: “A população de Ramalde pode contar e confiar na sua Junta de Freguesia. A Junta está fechada pelos serviços administrativos, queria ver se a partir do dia dois de maio já temos algumas possibilidades para reabrir as portas. O único setor que está a trabalhar fortemente é o da Ação Social. O resto, ou estão em casa em teletrabalho. As Atividades de Enriquecimento Curricular – AEC – junto das escolas, somos a única freguesia a tê-las a funcionar. Nas outras freguesias é a Câmara que as faz diretamente. Em 2015 tive logo o azar de ter um corte de 40 por cento por parte do Ministério da Educação, mas é um investimento, e como tal continuamos. E a vantagem nas escolas é saber através dos alunos e professores aquilo que as famílias passam”.
“Estamos a funcionar bem. Somos 50 pessoas na Junta. Tudo funciona. Entre pessoas na parte administrativa e professores nas AEC. Estamos a montar plataformas para ver se fazermos videoconferências com os alunos. Os miúdos estão a tentar perceber o que se está a passar. Vamos acreditar. Vamos conseguir…”, concluiu António Gouveia.
UF ALDOAR, FOZ DO DOURO E NEVOGILDE
NUNO ORTIGÃO: “ESTAMOS A TRABALHAR DE FORMA A GARANTIR QUE AS PESSOAS E FAMÍLIAS VULNERÁVEIS TENHAM OS APOIOS QUE NECESSITAM”
O presidente da União de Freguesia de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, Nuno Ortigão, preferiu (era uma opção) enviar por escrito (e-mail), uma “breve descrição das ações que têm sido levadas a cabo no âmbito social” pela sua autarquia, isto no que concerne ao combata à propagação da covid-19, e já de apoio a quem sofre as consequências da pandemia…
Assim sendo, e relativamente ao Serviço de Ação Social (SAS), Nuno Ortigão informa que “ as técnicas SAS têm estado em articulação e contacto com as organizações e serviços locais, quer IPSS e associações, quer o SAAS (Serviço de Apoio e Acompanhamento Social) quer os Centros de Saúde – de modo a garantir que todas as pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade têm os apoios de que necessitam e de forma a irmos acompanhando as necessidades ou problemas que vão surgindo.
As instituições que dão apoio alimentar estão a manter a entrega de cabazes e/ou apoio monetário. As outras IPSS, que realizam Serviço de Apoio Domiciliário (SAD), mantêm a sua atividade, tal como referido anteriormente.
Temos também estado em contacto com as associações de moradores, que se têm organizado e dado apoio às pessoas em situação de maior fragilidade.”
Destaque, entretanto, para o facto de já terem sido “ identificadas algumas pessoas e famílias que precisam de apoio. Consoante o tipo de necessidades, é feita articulação com as entidades locais de modo a darem resposta adequada. Nos casos em que as pessoas/famílias precisam de apoio alimentar (e não estejam já a receber apoio por parte de outras organizações), estes casos são sinalizados para a Rede de Emergência Alimentar (REA).Para além das sinalizações do nosso SAS, qualquer pessoa pode fazer o registo no website: https://emergencia.bancoalimentar.pt/” informa Nuno Ortigão.
Quanto ao referido SAS, ele “mantém-se operacional e, em caso de dúvida ou sinalização de alguma pessoa ou família que precise de ajuda, podem ligar diretamente para as assistentes sociais: Natália Pedrosa (Aldoar): 917010025, ou Adelaide Lopes (Foz do Douro e Nevogilde): 933517688”.
“Foi feita a atribuição global de 6 900 máscaras a organizações locais”
Quanto ao apoio financeiro, ou material, a organizações, o autarca da União de Freguesias mais ocidental do Porto refere que “algumas organizações locais têm efetuado pedidos de apoio financeiro e em material (ex.: máscaras, viseiras, luvas, gel, álcool, etc.) e temos dado resposta a esses pedidos. Iremos também dar um apoio financeiro a algumas entidades, no sentido de reforçarem os cabazes alimentares às famílias carenciadas”. A autarquia fez também uma “ articulação entre a Fundação Belmiro de Azevedo e as IPSS que referiram precisar de máscaras cirúrgicas. Tendo sido feita a atribuição global de 6 900 máscaras a organizações locais.
Os apoios da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde chega também ao Ensino à distância. Assim sendo, e pelo que nos informou Nuno Ortigão, a autarquia contactou “os Agrupamentos de Escolas (AE) do território, para tentar perceber as reais necessidades dos alunos, e qual a forma de ajudar a resolver eventuais problemas.
Até ao momento, no AE Manoel de Oliveira foram sinalizados mais de 80 alunos que têm dificuldades no acompanhamento do Ensino à Distância, devido à falta de equipamentos eletrónicos.
Face à dimensão do problema, e tendo em conta as declarações do Governo no sentido de atribuição de computadores a todos os alunos no próximo ano letivo, foi constituída uma equipa (formada por elementos da UFAFDN, do Agrupamento de Escolas e de outras instituições, bem como por voluntários) que está a montar um serviço de acompanhamento a esses alunos que passa pela entrega e recolha em casa, de fichas de trabalho elaboradas pelos respetivos professores, assim como apoio ao estudo à distância”.
“Projeto «Trajetórias» terá também um formato de ensino à distância”
A alimentação e medicação ao domicílio, assim como um permanente informação à população foram outras atividades a ter em conta pela autarquia.
“Continua a ser disseminada uma imagem com contactos de estabelecimentos com entregas ao domicílio de bens de primeira necessidade, para que as pessoas idosas e outras que integram grupos de risco, não tenham que sair de casa. A listagem tem circulado por SMS, whatsapp, facebook e email. Temos também dado estas informações às pessoas que têm telefonado a requisitar estas informações.
Colocámos na nossa página de facebook uma listagem dos restaurantes e cafés locais que têm entregas ao domicílio ou take-away. Esta é uma forma de ajudar não só a população em risco/isolada mas também as empresas que continuam a trabalhar”, refere Nuno Ortigão, salientando ainda que “temos também um serviço de passeio de cães de pessoas idosas ou em situação de risco (efetuado por voluntários), para que não tenham de sair de casa”.
“Informo ainda”, continua Nuno Ortigão, “que temos mantido o contacto com os alunos do Projeto Sénior «Trajetórias», por telefone e sms, de forma a reduzir o isolamento destes idosos, assim como a disseminação de informações relevantes. Constatando também que os próprios alunos têm mantido o contacto entre si (fruto da rede de proximidade que se tem criado com este projeto).
Prevemos ainda a abertura do «Trajetórias» num formato de ensino à distância, através da internet, nos módulos em que este registo seja possível – estando já a haver algumas aulas a acontecer nesse registo (aulas de yoga e grupo de informática)”.
UF CENTRO HISTÓRICO
ANTÓNIO FONSECA: “O ESTADO ABANDONOU AS FREGUESIAS!”
Liderada por António Fonseca, a União de Freguesias do Centro Histórico do Porto, que reúne Cedofeita, Miragaia, Santo Ildefonso, São Nicolau, Sé e Vitória, tem um papel fundamental na vida da cidade, quanto mais não seja, por ser um atrativo em termos de turismo, e, para além da crise que se adivinha no setor, hoje, concentrar forças no combate à covid-19. O presidente da União é, neste aspeto, perentório: “não fosse o trabalho de maior proximidade, desenvolvido pelas juntas de freguesia, a pandemia, hoje, teria por certo, maiores proporções”.
Relativamente a dados mais concretos em relação ao “Centro Histórico do Porto”, desde que “ este maldito «corona» apareceu aí, triplicaram os pedidos, quer para o Banco Alimentar, quer para a nossa autarquia, passando a haver a necessidade, de a própria junta, ter de confecionar refeições”, revela António Fonseca, que enfatiza ainda o facto de “pessoas que nunca precisaram de recorrer a estes serviços, o estarem, agora, a fazer, ou seja, pessoas que, de um momento para o outro, deixaram de ter o seu ordenado, o seu emprego”.
O presidente da UF do Centro Histórico refere ainda que a sua junta, “além de estar a fazer este trabalho às suas custas, e com a colaboração de parceiros e do Banco Alimentar”, ainda distribuiu mantimentos, ação essa que “está mais ou menos equilibrada”. Quando se fala em mantimentos, António Fonseca destaca “os chamados cabazes para as pessoas levarem para casa e lá confecionarem as suas refeições.” E, a verdade, é que tanta foi a procura que, “há umas semanas, estivemos sem dispensa, o que levou algumas funcionárias da Junta a fazerem uma «vaquinha» para se comprar mantimentos. Por aí já vê a situação a que se chegou com a pandemia”.
“Perdemos 70 mil euros em receitas…”

Alertando para o facto de a “Junta ter perdido em receitas 70 mil euros”, o autarca salienta que o “trabalho que já fazia, triplicou. “A ação social por nós desenvolvida não tem tido qualquer ajuda por parte do Governo”. Para António Fonseca, “o Governo abandonou as juntas de freguesia! O Governo esquece-se que – e isto independentemente de quem lá está –, se não fosse o trabalho de 3 091 freguesias, e cada uma a atuar em função da realidade do seu território, o problema da pandemia seria muito mais grave, que o que atualmente é. e se regista”.
De acordo com o autarca, outro dos problemas que a sua junta enfrenta é o de “voluntariado”. De momento, diz-nos, “só trabalhamos com a prata da casa. As cozinheiras são prata da casa; tudo é desenvolvido com a prata da casa, e com o Banco Alimentar.” Assim sendo, o presidente da UF do Centro Histórico quer “louvar esta equipa que. comigo. tem estado no terreno, porque sem ela tudo isto seria impossível de se realizar. E o Governo desconhece que isto está a acontecer!”
“O Governo”, continua, “abandonou-nos! Eles ainda não tiveram uma medida que fosse para apoiar os encargos e os recursos humanos das juntas de freguesia! O pessoal continua por cá, mas, mesmo que esteja em casa, somos nós que temos que lhes pagar. Nas Juntas, ninguém está a aplicar o lay-off, e se calhar até se justificava, mas, a verdade, é que os funcionários também não têm culpa!”.
“Ao contrário de outras juntas de freguesia, nós não temos receitas extras”
António Fonseca especifica que “ao contrário de outras juntas de freguesia, nós não temos receitas extras. Em Lisboa, a maior parte das juntas tem uma série de competências que lhes permite amealharem algum dinheiro para fazer face a estas situações. Nós, não! Não só continuamos a receber o mesmo que se recebia há cinco anos, e, ainda por cima, houve atualização de salários. Em 2019, tudo isto custou 75 mil euros, e o Estado em nada nos compensou. Em 2020, esse montante vai ser ultrapassado, pois continuamos a apoiar a população com sacrifícios. Por isso, o meu manifesto de desagrado”.
E o autarca volta à carga contra o Governo: “alguma vez ouviu uma intervenção de um ministro, fosse quem ele fosse, a dizer que ia haver uma medida de apoio para as juntas de freguesia? Nenhuma! Tenho estado calado até este momento, até porque, até aqui, tínhamos que dar tempo ao tempo, mas já passaram quase dois meses que começou a pandemia e até hoje… nada! Daqui a uns meses vamos ter de pagar o subsídio de férias… e depois? isto é lamentável.”
“Oitenta por cento do nosso orçamento vai para salários”
António Fonseca garante, contudo, que, independentemente das dificuldades reveladas, a sua junta vai “continuar a fazer tudo para apoiar a população, mas isto é revoltante, porque a nossa autarquia recebe menos dinheiro que o que recebia e, agora, tem mais trabalho e encargos. É preciso ver que oitenta por cento do nosso orçamento vai para salários, portanto, a partir daí, já vê a ginástica financeira que temos de fazer para satisfazermos as exigências”
“Nós, até estamos a entregar o jornal do dia às pessoas, às tais pessoas que gostavam de ir ler o jornal ao café; café que está fechado. E ainda estamos a entregar, a quem é contemplado com as refeições, garrafas com álcool-gel. Não fazemos o mesmo com as máscaras, primeiro porque temos custos, e, depois, o que é que adiantava a população da nossa freguesia andar com máscara se a das outras andam sem ela?”
“Há pessoas – mais idosas – que continuam a sair à rua sem preocupações”
Quanto ao comportamento social das gentes do Centro Histórico, o nosso entrevistado refere que “as pessoas, de início, regiram ao confinamento com algum espírito de humor, mas, como em tudo, chega-se a uma altura que satura… a coisa cansa! Assim, verificamos que alguma população idosa continua a ser teimosa, e continua a vir para a rua. Compreendemos isso, porque parte delas não está liga às novas tecnologias e têm pouca informação sobre po que se passa, e, depois, estavam habituadas a determinadas rotinas, pelo que continuam a cumpri-las sem preocupação”.
António Fonseca destaca, entretanto, o apoio dado, no terreno, à população, por duas psicólogas e uma socióloga. “Elas até têm atendido pessoas que contactam de fora da cidade, como de Sintra ou de Lisboa, para saberem como estão os seus familiares. Portanto, para além do apoio que acabei de referir, estamos a distribuir refeições confecionadas pela Junta e ainda outras duas confecionadas por restaurantes; entregamos o gel; estamos a dar os jornais do dia para as pessoas irem acompanhando as notícias; oferecemos um Boletim Informativo com os alertas e os cuidados a ter com a pandemia e também não deixamos de prestar o serviço administrativo online, ou seja, através do nosso site.”
“Fomos a primeira junta a fechar portas, pois, nesta zona, o convívio com os turistas era constante e podíamos ficar infetados…”
Sobre o elevado número de infetados no concelho do Porto, António Fonseca considera-o “preocupante”, mas considera esse facto natural uma vez que “o nosso concelho tem uma maior concentração de população. No Alentejo, por exemplo, é tipo: eu moro aqui e o outro a cinco quilómetros”.
Devido a essa preocupação, “é que esta Junta, não sei se sabe, foi a primeira a fechar portas por causa da pandemia. Na altura, acusaram-nos de precipitação. Só uma semana depois é que os outros começaram a fazer o mesmo. Nós fizemos antes, e fizemos antes porque estamos no terreno e convivemos com muitos turistas estrangeiros, e estávamos, assim, muito mais sujeitos a ser infetados, daí que eu, num fim-de-semana, falei com os colegas e decidi encerrar as portas na segunda-feira seguinte. Foi uma atitude pró-ativa, da mesma forma que poderemos ser a última Junta a abrir: o importante é a segurança das pessoas!”
Depois, “também temos centros de convívio e essa é uma das minhas preocupações. Tenho um corpo na Junta constituído por 50 pessoas – uma senhora tem já 90 e tal anos -, e todas elas, até à hora que estou a falar consigo, não foram infetadas. Nem ninguém do coro!”
“Há lojistas que, por aqui, pagam de quatro a cinco mil euros de renda mensal”
O problema que aí vem, ou já está a fazer-se sentir, é, porém, outro. O vírus-económico, e logo para a indústria do Turismo que, nesta zona central e histórica da cidade, tem muito que se lhe diga.
António Fonseca tem consciência disso. “Muita gente tinha, por aqui, o seu emprego à custa do turismo. Agora, já algumas lojas nem abrir vão. Repare, que algumas tinham de renda 4 a 5 mil euros mensais. Era isso que os lojistas pagavam. Há bares”, detalha António Fonseca, “que, na zona movida, tinham como renda o valor de 11 mil a nove mil euros. Há loucuras de especulação!”.
Por isso, é de esperar “que muita gente vá perder o seu emprego. No espaço de um mês e tal temos pessoas que nunca nada pediram à Junta e agora estão a pedir. Estou preocupado com o que aí vem. O desemprego vai aumentar, e vai ser de longa duração. A realidade ultrapassou a ficção quanto ao que vivíamos há trinta anos. Nada será como dantes! As necessidades vão agravar-se! As juntas deixaram de ter receitas. O Estado tem de apoiar as juntas justificando o trabalho que elas têm desenvolvido, o Estado estaria com mais e mais graves problemas…”
UF LORDELO DO OURO, MASSARELOS
SOFIA MAIA: “SE VIER UMA SEGUNDA VAGA DE PANDEMIA CÁ ESTAREMOS, OUTRA VEZ, PARA A COMBATER!“
Sofia Maia é a única mulher presidente de uma junta, neste caso de uma União de Freguesias, no concelho do Porto. Mas, e tendo em conta a entrevista que se segue, é mais do que isso: é uma lutadora! Uma mulher para “todo-o-terreno”, sempre a pensar na comunidade e nas pessoas que mais de ajuda precisam.
Foi difícil encontrar um momento para esta entrevista, e só porque, Sofia Maia se encontrava na rua a distribuir algo de importante, ora pelos idosos, ora pelos sem-abrigo, que nesta altura em que a pandemia de covid-19 dita leis – ainda que já sem a força de há umas semanas -, precisam, mais do que nunca, de apoio… solidariedade!
E a verdade é que a Junta que une Lordelo do Ouro e Massarelos tem vindo a trabalhar a “todo gás” na área social, e de apoio direto e permanente aos seus fregueses. No fundo, e como nos disse Sofia Maia, “estamos a dar continuidade a um trabalho que já vínhamos desenvolvendo, como acontece com a entrega diária de almoços e lanches a cerca de 100 idosos, assim como, com as mais de cinquenta refeições diárias a sem-abrigo. De momento, estamos também a começar a distribuir uns kits de prevenção, que consiste em máscaras, luvas e um gel desinfetante. Criámos também uma linha de apoio, na qual colabora uma enfermeira tem por função esclarecer dúvidas que lhe são colocadas em relação à covid-19, e ainda um apoio contabilístico e jurídico. Ou seja, qualquer freguês liga para essa linha; é feita uma triagem, faz-se um estudo da situação, e depois, damos apoio a todos os fregueses consoante o assunto apresentado. Criamos ainda uma bolsa de voluntários, 35 pessoas, as quais formam uma rede para irem fazer as compras; ir à farmácia, e buscar tudo o que é necessário para as pessoas que estão em casa e que dela não podem sair”.
“Já não só sem-abrigo as pessoas que se encontram na rua à espera do nosso apoio”
Além da pandemia, propriamente dita, e das medidas de prevenção que têm de ser colocadas em prática, outro vírus surge, agora, na sociedade e que também se está a tornar pandémico, mas, desta feita, ligado à economia. Sofia Maia diz estar a sentir o efeitos desse “novo vírus”… e de que maneira!
“Estamos a sentir esse vírus, e muito! Nós, já tínhamos um Fundo Social de Emergência. Esse fundo consiste, perante os fundamentos das nossas assistentes sociais e da Segurança Social, em dar apoio a quem necessite, para medicamentos, pagamento de eletricidade, água e afins. E, a verdade, é que o número de necessitados aumentou imenso em relação a anos anteriores. Temos também um plano em articulação com a rede de emergência social, com a qual fazemos distribuição para as famílias, como agora se diz, «em novas dificuldades», e já temos mais cinquenta pessoas que o que tínhamos há umas semanas.
Temos ainda, e cada vez mais, situações de pedidos. São empresários que ficaram sem nada, que tinham o seu café, o seu cabeleireiro; são empregados de hotéis; empregadas de limpeza… enfim! Esta é uma situação que temos sentido todos os dias. As pessoas na rua a quem damos alimentação, já não são, em muito dos casos, sem-abrigo, já são pessoas que têm abrigo, mas nada para colocar na mesa. E essas pessoas também estão na rua à espera do nosso apoio, e, na realidade, o número tem crescido imenso. Nós vamos à Rua de Júlio Dinis e vemos! Se, há uns tempos, eram seis as pessoas na rua, agora são por aí umas trinta.
“Ginástica financeira?!”
Mas, de apoios a Junta da União das Freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos não fica por aqui. “Estamos também a dar apoio a todos os nossos lares e centros de saúde. Uma vez que não está a chegar o material de proteção a esses locais, nós estamos a dar todo o material desde viseiras, gel desinfetantes, luvas e máscaras…”
Será que isso obriga a alguma e difícil ginástica financeira? perguntamos.
“Ginástica financeira? A ginástica financeira foi uma opção do executivo fazendo uma alteração orçamental, ou seja, as verbas que estavam destinadas a atividades que, este ano, não poderão ser desenvolvidas – devido aos condicionalismos criados pela pandemia -, revertem para a área social. Apoiamos também os dois centros de saúde da área, ao disponibilizarmos alguns gabinetes da autarquia ao Centro de Saúde de Lordelo, para aí poderem socorrer doentes infetados. Na verdade, há um mês foi a altura mais complexa deste nosso trabalho. Entretanto, a situação, em colaboração com a Segurança Social e com a Câmara, melhorou, com os infetados encaminhados para a Pousada da Juventude, onde eles, aos poucos, estão a recuperar”.
“Vamos todos os dias a casa dos idosos”
A autarquia liderada por Sofia Maia está também a dar suporte a três instituições, como “a Obra da Nossa senhora da Boa Viagem, Casa de Lordelo, Santíssimo Sacramento e Obra Diocesana com materiais de prevenção”, e tudo isto no momento, em que a autarca, um tanto ou quanto esgotada com todo este trabalho, está “mortinha” – como pelo burgo invicto se costuma dizer -, a “ir para casa dois ou três dias! Tenho andado sempre no terreno.”
Mas, a nossa entrevista não está, e não anda, sozinha. “Temos sempre psicólogas e assistentes sociais que vão todos os dias a casas dos idosos, num total de 250 pessoas, e depois também estamos a apoiar com projeto “Conforto”, os toxicodependentes e sem-abrigo. E neste último caso, porque começamos a reparar nesta zona ocidental da cidade do Porto, que as equipas de rua de voluntários deixaram de lá estar, e a situação estava a tornar-se complicada para os sem-abrigo que estavam mesmo com fome, Criamos, então, esse programa “Conforto”, que é temporário – espero eu! -, isto até voltarem as equipas de voluntários. Assim, fornecemos cerca de 50 refeições, mais os kits com leite e água todos os dias”.


Estas ações revelam relevando, no fundo, o trabalho das autarquias mais próximas da população, como são os casos das juntas de freguesia. No entanto é-lhes também essencial, um intercâmbio com os outros órgãos autárquicos, designadamente a Câmara Municipal, como Sofia Maia faz questão de frisar, dando um exemplo: “já encaminhamos quatro ou cinco sem-abrigo para a Câmara de modo a serem recolhidos no Hospital Joaquim Urbano.” Este encaminhamento traz uma outra história dramática nesta região do Porto: a toxicodependência.
“Ao contrário do que parece, esta freguesia tem dez bairros sociais, alguns dos quais emblemáticos pelos piores motivos, como Pinheiro Torres ou Pasteleira Nova. E tudo devido a problemas com as drogas; problemas esses que são complexos. Inclusive pedi uma reunião com urgência à superintendente da PSP, porque esta é a questão que as pessoas mais se queixam, e é, sem dúvida, extremamente grave.
Repare que já convivo com essa situação há onze anos, o tempo em que me encontro na Junta. Ao princípio, eles estavam todos no Aleixo, mas agora, sem Aleixo, dispersaram-se. Não deixa também de ser verdade que há nesses bairros gente fantástica, e se assim é, também a temos de apoiar, como temos de apoiar todas as pessoas que de nós precisam! Ainda agora, demos kits de prevenção às associações locais. É preciso pensarmos nesta questão como um todo. Há zonas do Porto que, sei, serem mais complexas que as daqui, com mais violência ao nível dos toxicodependentes. Isto aqui acaba sempre por ser considerada uma zona nobre. Já o Viso ou o Cerco, por exemplo, são zonas mais complexas. O certo, o real, é que aqui nunca tive ninguém a dizer-me “aquele agrediu-me” ou “aquele roubou-me…”, palavras de Sofia Maia que está, assim, preocupada com uma situação visível… a olho nu.
Os toxicodependentes, por cá, estão junto, ou no meio, da classe mais alta da cidade, a tal que reside em zonas como Serralves ou Fluvial. Enquanto havia o Aleixo, eles estavam, por assim dizer, no seu canto, agora não, agora dispersaram-se e estão mesmo na rua. Pelo que a minha preocupação, nesta altura, e já disso falei com a PSP, com a Polícia Municipal e com a Câmara Municipal, é que ao estarem na via pública podem infetar ou serem infetados por quem lá passa. Era importante avisa-los de que, conforme eu não posso estar na rua, eles também não podem… ou seja, a PSP devia aconselhá-los a sair dali, para bem deles! Eles estão a apropriar-se dos passeios da via pública. Qualquer pessoa que passe por esses locais, mesmo com uma criança pela mão., é impossível não ver alguém a injetar-se.”
“Adoro estar no terreno!”
E como nunca é demais referir, Sofia Maia é a única autarca presidente de uma Junta na cidade do Porto. Uma mulher que não pára, nem faz questão de o fazer tão cedo… e logo numa altura em que são precisas respostas imediatas para certos e sérios problemas…
“Temos de dar respostas novas; pensar novo e, como digo muitas vezes, ninguém de nós aprendeu isto nos livros. Quem me conhece sabe que adoro estar no terreno! Nesta altura de crise, estive sempre de manhã, à tarde e à noite na linha da frente com as pessoas. Ainda agora, estou a falar consigo, e preparo-me para distribuir lanches.
Isto depois também acaba por ser gratificante, como por exemplo aconteceu com a Escola Básica Paulo da Gama, que, não vão ter mais aulas este ano letivo, optaram por fazer uma doação à Junta, dos leites que tinham para os meninos, para nós darmos aos sem-abrigo. Isto é tudo novo. Há momentos em que vamos de coração triste mas alma cheia. Quando alguns sem-abrigo ou famílias carenciadas nos agradecem… nós ficamos radiantes!”
“Mesmo no domingo de Páscoa fomos levar o cabrito a casa das pessoas”
E, Sofia Maia, continua…
“Quando vamos para uma profissão temos de estar preparados para bem e para o mal. Talvez pelo facto de os meus tios terem sido polícias, e o meu pai para-quedista, e estar habituada ao SOS (risos), me sinta bem a fazer o que faço na linha da frente, no terreno. Ando sempre com máscara, com luvas, pois não podemos dar maus exemplos , e depois também não nos podemos refugiar. Se assim fosse, as pessoas não morriam por causa do vírus… as pessoas morriam de fome”.
Mais: “A maior parte dos nossos colaboradores estão em casa, em teletrabalho, tirando dois colaboradores que conduzem as carrinhas e nos ajudam nesta tarefa. Há uma psicóloga que também quis ficar connosco. Nem em dias de folga estivemos em casa. Aliás, no domingo de Páscoa fomos levar o cabrito a casa das pessoas Estamos sempre a pensar no que é que podemos fazer, no que não podemos! Mas, são nestes momentos que somos mais necessários que nunca. Temos de estar preparados para a «bola de neve» que aí está, isto pela parte económica…”
“Até o Infante de Sagres e o Fluvial estão a precisar de apoio”
E os pedidos de apoio à autarquia não param, e alguns vêm até de instituições com história na cidade. “Temos tido pedidos de algumas associações e até de clubes, para pagar a renda, para pagar a luz. E quando falo em clubes, refiro-me a alguns de referência, como o Clube Infante de Sagres, que deixou de ter jogos, e o Fluvial. Estamos a falar de dois grandes clubes, que vivem das quotas, é certo, mas que chegaram a este ponto. Isto é drástico! Nós damos sempre um subsídio anual, mas este apoio imediato foi uma outra deliberação que nós fizemos, assim como o fizemos com as escolas. Ou seja, abrimos uma exceção. Criamos uma verba para poderem comprar computadores, para estarem ligados à Internet… aquelas coisas para os meninos”.
A presidente da União das Freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos tem, de momento, uma visão diferente da política.
“Na política todos criticamos todos. Neste momento não tenho motivos para criticar seja quem for e de que partido for, porque isto é mesmo complexo e não conseguimos chegar nem a tudo nem a todos. Se isto é complexo numa «gota» que somos nós, imaginemos ter o País inteiro para gerir. É precisa muita coragem. A pressão é diária!” E depois, “é bom receber, como recebi, um e-mail tão bonito da Casa da Saúde pela forma como os estamos a trabalhar. Isso enche o coração. É que nós começamos às sete da manhã e acabamos às tantas!”
“Quem tem de fazer este trabalho, somo nós, políticos, porque os colaboradores têm de estar salvaguardados!”
Trabalho esse que passa também pelo intercâmbio institucional…
“Contacto muito com a Raquel Castelo Branco, da Câmara Municipal do Porto, principalmente por causa dos sem-abrigo, como também com o doutor Fernando Paulo, pessoa pela qual tenho grande admiração, uma vez que ele está a fazer um grande trabalho; um trabalho que não é fácil, porque tem áreas bastante complexas. E, assim, vamos sempre interagindo com a Câmara Municipal. Mas, quem tem de fazer este trabalho de rua somos nós, não são os vereadores. Esses fazem um trabalho com outra dimensão”.
E no “terreno”, fique o leitor a saber – e em especial quem vive em Lordelo do Ouro ou em Massarelos – que, informa a presidente Sofia Maia, “vamos abrir os Correio na segunda-feira (04mai20) para fazer o pagamento dos vales das reformas. Quem tem de fazer este trabalho são os políticos, somos nós, porque os colaboradores eu tenho de os salvaguardar. Se vier uma segunda vaga de pandemia, nós estaremos prontos, uma vez mais, para a combater!”
Dito e feito!
Montagem (destaque): Hugo Sousa
Fotos: arquivo EeTj (Mariana Malheiro; Pedro Abreu e Pedro N. Silva); pesquisa Google e Facbook
01mai20

























Muita parra e pouca uva!
A pandemia trouxe-os à ribalta das luzes e ainda fizeram alguma coisa. No entanto, de forma geral a intervenção a todos os níveis tem sido muito pouca.
Obras começam a ver-se agora: claro as eleições autárquicas estão à porta…