A paisagem natural e urbana da praia do Furadouro, em qualquer dia ou em qualquer época do ano, pela sua beleza e ambiente regenerador, típico lugar de veraneio, em que se guardam memórias da ligação umbilical da sua população tradicional com a vida do mar através da pesca da arte xávega. Como património humano, social, cultural e ambiental, que dão forma a um cenário privilegiado, desperta a sensibilidade de qualquer amante da arte de fotografar. Mas é de um exercício que se tornou rotina, praticado pelo fotógrafo ali residente, Henrique Oliveira, que através da sua página no facebook, chegam imagens do Furadouro, em que nasceu no ano de 1959, para através do seu olhar, matar saudades de quem está longe da sua terra de pescadores que povoaram e desenvolveram a arte xávega em comunidades a norte e a sul do litoral vareiro.
O olhar diário registado pelo Henrique Oliveira, gerido no tempo em função da sua relação hoteleira e familiar com “O Tasco” há várias décadas. Acrescenta sempre ao espólio fotográfico e vídeo que partilha nas redes sociais, momentos quase únicos, como resultado da sua sensibilidade e paciência, com que dispara a inseparável Canon 100D (digital), que fez questão de nos confidenciar, ser a máquina fotográfica que adquiriu já há muitos anos, desde que voltou a praticar o gosto pela fotografia que lhe tinha surgido ainda na era do analógico, por volta dos 20 anos de idade.
Sobre esta relação com a fotografia no início dos anos 80, que começou muito esporádica e ao fim de semana, porque trabalhava então na empresa do ramo automóvel em Ovar, Salvador Caetano, como soldador por pontos. Mais tarde, “com a chegada dos telemóveis com camara, reativei o gosto e fui contatando com gente da fotografia. Fui adquirindo alguns conhecimentos, e à medida que o tempo ia passando, fui conhecendo mais pessoas bem dotadas nesta arte”, contatos e amizades no acolhedor ambiente lúdico e paisagístico do Furadouro, que incluíram um amigo dos bancos de escola, que o Henrique Oliveira não sabia que fazia fotografia, mas que acabaria por proporcionar uma nova fase nesta sua paixão de fotografar a sua praia de sempre.
Como reconhece, “a partir daí foi sempre a aprender coisas novas, que vou continuando a aprender”, exercitando tal gosto ao serviço “da terra que me viu nascer e da qual gosto muito”, afirma com a sua habitual serenidade.
Através desta relação, entre o gosto de fotografar e divulgar a beleza natural e paisagística do Furadouro, que o Henrique Oliveira tem o privilégio de captar em cada estação do ano, a partir deste “miradouro” com a imensidão do oceano como cenário natural. Procura também, “minimizar a saudade de quem está longe”, referindo, “essencialmente os emigrantes, que assim vão atenuando essa saudade. E também dar a conhecer o Furadouro, aqueles que não conhecem esta praia”, que, como realçou com satisfação, “começam a vir ao Furadouro”. Trata-se assim, na sua humilde opinião ou como exemplo de exercício de cidadania, de, “uma forma de promover e divulgar o Furadouro”.
Furadouro em “reflexos” poderia ser o título de uma exposição de fotografia do Henrique Oliveira, mas como esclarece o fotógrafo aos 60 anos de idade, “não tenho qualquer participação em concursos fotográficos, nem em exposições”, limita-se a divulgar em alguns grupos de fotografia do facebook. E é através desta rede social que partilha os seus “reflexos”, que resultam de uma motivação pessoal, “especialmente pela cor, vida e movimento. Às vezes são surpreendentes, até para nós próprios, as sombras ao cair da noite, sobretudo pelos contrastes. Adoro contraste.”
Mas se durante o dia, “gosto de fotografar em qualquer hora, desde que, com uma boa luz solar”, a época do ano em mais gosta de fotografar “é no outono, nomeadamente os pôr-do-sol, porque para mim, são os mais surpreendentes, essencialmente em cor”, justificando assim a razão de grande parte do seu trabalho fotográfico, em que explora os momentos de luz proporcionados pelo lusco-fusco e cores gradiantes, entre o azul do dia e o escuro da noite.
É assim neste cenário de beleza natural e humana, que o Henrique Oliveira, não se cansa de fotografar, a praia das suas origens familiares, com “muita relação com o mar e com a arte xávega, tanto do lado paterno como materno. Já meus avós tinham essa relação. Meu avô paterno era mestre redeiro, meu pai também lhe seguiu as pisadas. Minha avó paterna também trabalhava em redes para a arte xávega. Meu avô materno era arrais do mar e minha avó era varina”, por isso, “esta relação das minhas origens, influencia-me muito”.
Também pelas suas origens, não resistiu a mostrar alguma tristeza pelo desaparecimento da atividade da arte xávega na sua terra, em que, como realçou, “o Furadouro em tempos foi uma potência da arte xávega. Entristece-me vê-la ter desaparecido,” mas como concluiu, “neste momento, alegro-me um pouco ao saber que o barco que aqui operava, voltou e iniciará logo que possível”, referindo-se ao barco “Jovem” que regressou a esta praia, onde aguarda as condições para iniciar a safra de pesca da arte xávega que sempre proporciona momentos únicos na arte da fotografia.
Texto: José Lopes
Fotos: Henrique Oliveira/facebook
01mai20
















Lindo comentário do nosso furadouro lindo parabens Henrique