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JÚLIO COUTO – DEIXOU-NOS O TRIPEIRO, O HISTORIADOR, O HOMEM DOS “SETE OFÍCIOS”… UM NOSSO AMIGO!

Júlio Couto faleceu, com 85 anos de idade, no passado dia 24 de abril, vítima da covid-19, na sua cidade natal, a de sempre e do coração: o Porto. O “Etc e Tal jornal” acaba de perder um amigo …

Eis a sua apresentação na entrevista que nos concedeu para a edição de setembro de 2011… conduzida e com texto de José Gonçalves e com fotos de António Amen…

Júlio Couto, o historiador, o homem… o tripeiro.

A entrevista é extensa, mas imperdível.

Comunicador por excelência, homem dos sete ofícios, o nosso entrevistado esquece os seus respeitáveis setenta e seis anos e avança. Avança rumo ao futuro, fazendo relembrar o passado histórico das gentes da sua terra.

Se há que fazer críticas, ele fá-las! Se há que aconselhar, ele aconselha!

Enfim, Júlio Couto retrata o Porto atual.

O homem que já foi economista, e que ama o teatro, a poesia, a cultura popular, o povo e a identidade de uma região que não pode ser perdida; é também o homem que, nesta entrevista, se revela como um ser humano que escreve e escreve e sempre escreverá. Já lá vão vinte e tal livros.

É um verdadeiro homem do “puârto…” e, como tal, não tem papas na língua.

Júlio Couto é também o homem do “fado vadio”, do folclore, da televisão, dos jornais… da “ilha” onde nasceu. De contacto fácil… sem peneiras. De coração aberto, sempre com a “pena” na mão e o vozeirão que o identifica e com o qual sempre se serve para alertar… ler algo.

Foi com este Senhor que, durante algum tempo, conversamos.

Sem censura, aí vai a entrevista com alguém a quem o Porto deve ficar sempre grato.

E um pequeno excerto da entrevista…

Júlio Couto apresenta-se aos nossos leitores como: o economista…

“Era! Já não sou…”

… o historiador?

“Júlio Couto, um portuense, com 76 anos de vida.”

Nasceu em que sítio?

“Numa “ilha” da rua de Miguel Bombarda.

Isso, uma vez, deu-me um gozo especial quando fui, numa das seis ou sete vezes a convite do Governo Regional da Madeira, fazer diversas atividades ao Funchal – cursos de teatro, exposições de fotos, recitais de poesia e etc -. E acedi, então, a dar uma entrevista – naquela altura, Emissora Nacional e isto de microfone aberto -, a uma senhora que também me perguntou onde tinha nascido. Respondi: numa ilha. A senhora que me fez a pergunta quis saber mais pormenores: foi na ilha de Porto Santo, ou aqui no Funchal? Respondi-lhe: Foi na ilha de Campo Pequeno! Depois tive de lhe explicar o que era uma “ilha” à maneira portuense, para que ela entende-se a história. Essa “ilha” já não há. Aliás, agora, “Miguel Bombarda” tem tantas galerias de artes, como “ilhas” no meu tempo. Não desapareceram todas… mas quase!”

Sobre o Porto tem vários livros…

“…vinte e tal.”

Alguns traduzidos em diversas línguas…

Só há um traduzido em sete línguas: O “Porto e o Norte de Portugal”.

O que é que o leva a ligar-se de forma tão apaixonada à cidade do Porto?

Sou portuense! Acho que esta cidade, independentemente de muitas coisas, entre as quais a má política diretiva camarária atual – e não só! -, tem sido maltratada! Nós queixamo-nos, hoje, da nossa pobreza, da nossa dependência de Lisboa, mas, no fundo, esquecemos que fomos nós que criámos essa situação, uma vez que voltamos as costas ao rio, que foi a nossa fonte de riqueza. Se é verdade que as pontes unem as duas margens, eu sou partidário em acabar com duas cidades…”

Para ler o resto, é consultar/pesquisar o nosso jornal, na edição de setembro de 2011

Foto: “Viva Porto”

Júlio Couto, que nasceu a 12 de março de 1935, para além do que sobre ele já se escreveu, foi ainda sócio fundador da já extinta revista “Paisagem”, e como professor de dicção, autor do livro “Arte de Dizer”, publicando ainda obras como

“O Guia da Fosfoforeira Espanhola”; Tradução e prefácio da peça infantil “As Maçãs de D. Abúndio”; “Guia de Aldoar”; “Guia de Miragaia”; “Monografia de Massarelos”; “O Porto em 7 dias”; “O Porto e o Norte de Portugal”, para a Editorial Bonechi com traduções em espanhol, francês, inglês, italiano e alemão; “O Riso Ao Virar Da Esquina”; “O Cerco do Porto” e “S. Pedro Gonçalves Telmo”.

Como encenador teatral recebeu em 1996 o respetivo troféu no “Amasporto 96”. Foi-lhe atribuída a medalha de ouro da cidade do Porto e a medalha da cidade da Guarda. Participou em inúmeras atividades culturais a convite das várias instituições da cidade. Fez parte do Júri de cascatas de S. João e de presépios, durante vários anos, e das rusgas da cidade pelo S. João.

Foto: Diogo Lopes (Observador)

Júlio Couto colaborou em atividades culturais do Lar do Comércio durante 25 anos, organizou vários passeios pela cidade sempre com o prazer de a dar a conhecer melhor e como colecionador de filumenismo recebeu um prémio mundial por uma das coleções apresentadas

Para o “26 de Janeiro” escreveu a peça “As Bodas” (não editada), mas levada à cena em 1996. De salientar, por último, que durante cerca de 20 anos, gravou livros para invisuais, na Biblioteca Sonora da Câmara Municipal do Porto.

Ao Júlio Couto… paz eterna.

 

Texto: Etc e Tal Jornal

Fotos: Arquivo EeTj, pesquisa Google

 

01mai20

 

 

1 Comment

  1. Dora de Paiva inacio

    Recebi hj um presente,direto de PT pelo filho do Julio Couto…o Victor Couto.Pedi uma lembrança pois queria saber mais sobre este escritor…Sua irma Bia é sogra de minha neta que mora em Porto..Quero mais livros dele.Se quiserem doar eu aceito

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