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Páscoa 2020

Fernanda Ferreira

(texto e fotos)

 

Todos os anos, em Amarante, o dia de Páscoa começa cedo a fazer-se anunciar por foguetes e, logo de manhã, se ouve a banda de música que acompanha durante todo o dia o Compasso, percorrendo as ruas da freguesia, visitando as casas que tenham a porta de entrada aberta e adornada com um tapete de flores, em que não falta o rosmaninho.

A celebração eucarística também é sempre festiva e florida.

O almoço em família costuma incluir cabrito ou anho assado no forno, acompanhado por um bom vinho português e, à sobremesa não costumam faltar o pão de ló e as amêndoas.

Ao fim da tarde há o encontro das cruzes, que é a altura em que todos os grupos se reúnem após completaram todas as visitas pascais, recolhendo-se em festa ao Mosteiro de S. Gonçalo.

Este ano éramos só três: eu, o meu marido e a minha mãe, de 93 anos, mas felizmente ativa, ainda que muito limitada, como seria de esperar para a idade.

Comecei a pensar:

“Porque tem esta Páscoa de ser triste, se temos razão para estarmos gratos porque estamos vivos? Tenho de fazer qualquer coisa para a tornar feliz.”

Decidi, em primeiro lugar, que ao almoço faríamos o tradicional cabrito assado, que também teríamos direito a um pão de ló feito em casa, daquele que a massa tem de ser muito tempo batida para o pão de ló ficar grande, fofo e delicioso e que faria umas sobremesas saudáveis. O resto depois veria…

Este ano não acordamos com os foguetes matinais nem a música da banda, nem as sinetas do Compasso, porque a quarentena os silenciou, mas nós os três merecíamos comemorar a Páscoa numa versão “seja feliz cá dentro”.

Caprichei na mesa, que foi posta “a preceito”, não como mesa de gala, mas como mesa de festa, decorada com amor e, penso, com um bom gosto simples e alegre.

Após a cerimónia eucarística transmitida pela TV e antes de nos sentarmos à mesa, peguei numa sineta e agitei-a como vejo fazer na visita Pascal e li a pagela que foi distribuída pela paróquia.

Esses momentos foram gravados em vídeo, juntamente com os votos de boa Páscoa e momentos de boa disposição, com a intenção de os enviarmos depois para os familiares e amigos, aproveitando as redes sociais.

A tarde foi passada entretidos a ver uns bons programas de televisão e a trocar divertidas vídeo-chamadas com o nosso filho e familiares que este ano se viram impedidos de estar presencialmente connosco.

Foi um dia em que o aconchego e amor se fizeram sentir porque, querendo, do longe se fez perto e com pouco se faz muito, desde que utilizemos as ferramentas positivas da nossa imaginação e, assim, podemos passar uma boa Páscoa, mesmo em período de quarentena.

Nesta Páscoa renascemos em fé, esperança e amor.

Este ano aprendemos a ser gratos e solidários.

Este ano, reinventámos-nos.

 

01mai20

 

 

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