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COVIDências, inquiCOVIDetações, opiCOVIDniões e outras COVIDs

“1 – Quem me conhece sabe que não navego num mar de rosas. De modo que me julgo insuspeito. A resposta dada pelos governantes à situação pandémica é no meu entender, do ponto de vista da gestão de recursos, irrepreensível. Quando falo aqui de governantes estendo a apreciação a todos os dirigentes da coisa pública. Naturalmente que críticas sempre haverá. Quanto mais não seja vindas daqueles de quem não se conhece intervenções decisivas. Para uma situação de todo em todo inesperada a resposta dada foi a adequada atenta o grau de conhecimento e o conjunto de meios técnicos e humanos disponíveis. Tem havido quem se queira pôr em bicos de pé. Natural. Sempre os haverá. De alguns não se desejaria tal atitude, mas sim resposta firme e atempada a situações que têm e tinham entre portas. Refiro-me claramente aos responsáveis técnicos da rede assistencialista dirigida aos seniores residentes das suas instituições.

2 – Tem sido demonstrada a capacidade dos nossos jovens cientistas para se adaptarem às novas exigências. Mais ainda procurando inovar com produtos que se têm vindo a revelar verdadeiramente imprescindíveis para o ataque à doença. Bom exemplo disso são os ventiladores pensados e produzidos em Matosinhos. Agora é necessário que a indústria seja capaz de absorver esse conhecimento e técnica para dar resposta às necessidades nacionais e internacionais.

3 – O relacionamento entre as pessoas alterou-se radicalmente. Enquanto que para uns tratou-se de um novo tipo de isolamento, já que em consciência o praticavam dentro dos seus apartamentos, isolados até da restante família, e/ou à volta de uma mesas de um centro comercial, de um restaurante em que o barulho entre eles e elas era o estalar dos músculos digitais sobre os teclados dos telemóveis, para outros tem sido mais dramático. Estes outros, nos quais me enquadro, a situação está a ser mais difícil. Privilegiamos muito o toque, o olhar frente a frente. Quando recuperaremos esta forma de relacionamento?

4 – Parece que o ambiente tem agradecido a forte diminuição da agressão que lhe temos feito. Não voltaram a ouvir os pássaros nas vossas redondezas? São prolíferas as flores silvestres e as ervas ao longo dos caminhos que vamos fazendo, mesmo limitados. Porém tem aumentado a produção de lixos domésticos. Não há bela sem senão. Quem ganha e perde nesta dicotomia?

5 – O nosso léxico passou a integrar expressões que não usamos habitualmente tipo: distanciamento social, etiqueta respiratória, máscaras – as cirúrgicas vá que não vá – mas as comunitárias. Enfim e outras expressões.

6 – Qual a imagem mais próxima das viaturas da proteção civil e das autoridades a recomendarem/imporem o recolhimento, a combateram a formação de grupos? Não associam às imagens da(s) guerra(s) com o toque estridentes das sirenes a anunciarem ataques aéreos e em consequência a recolha aos abrigos subterrâneos?

7 – Para mim, utilizador marginal das modernas plataformas difusoras de notícias, tem-me surpreendido a iniciativa com que as pessoas recorrem ao WhatsApp para trocarem e fomentarem sorrisos, abraço e inquietações. Fico com a perceção clara de quanto este e outros meios podem ser maldosamente utilizados. Até para difundirem notícias falsas. Apercebo-me agora o seu poder multiplicador que favoreceram as campanhas eleitorais de alguns dirigentes do mundo de hoje.

8 – Considero-me um eterno aprendiz e acredito na bondade do Homem. Este é um tempo que nos aconselha profunda reflexão. Tenhamos a humildade suficiente para nos interrogarmos o que queremos para diante depois de passada a tempestade. Os tempos de bonança virão e a/os mais jovens terão de, passada esta aprendizagem, refletirem sobre o que desejam para o Mundo, sendo que não deixará de ser cada vez mais global. Com todas as consequências que o ser global implica. Até na doença!”

 

Cristóvão Sá Pimenta

 

 

01jun20

 

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