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“CRUZ VERMELHA” NO PORTO – “AQUI, HÁ UMA PORTA ABERTA PARA TODAS AS PESSOAS E A TODAS AS PESSOAS DAMOS RESPOSTA!”

É longa a história, e, evidentemente, a presença da Cruz Vermelha na cidade do Porto. A delegação sediada na Invita foi fundada em 1897, trinta e dois anos depois de a instituição ter surgido pela primeira vez em Portugal, mais concretamente, em Lisboa.

A verdade é que, com 223 anos, a Delegação do Porto da Cruz Vermelha Portuguesa se encontra de boa saúde e recomenda-se. Aliás, esta foi sempre uma instituição a ter em conta, principalmente em situações difíceis, e parecidas com a que estamos a viver. Mas, não só nesses momentos…

José Gonçalves                       Mariana Malheiro

(texto)                                                  (fotos)

Humanista, voluntária, presente e solidária, entre muitos outros adjetivos que a podem qualificar, a Cruz Vermelha é, acima de tudo, uma instituição de respeito e que, com respeito, desenvolve as suas diversas atividades.

No Porto, a Delegação é liderada por uma Mulher, que abraçou o projeto há dois anos e alguns meses, e que, com uma equipa ativa e colaborante, vai fazendo coisas bonitas, mesmo em tempos de redobradas exigências a que a luta contra a pandemia obriga.

Fomos, então, à Rua de Nossa Senhora de Fátima, precisamente no dia 13 de maio (coincidências), saber um pouco mais sobre a atividade que tem vindo a ser desenvolvida, nos últimos tempos, pela delegação, em conversa (muito interessente, diga-se de passagem), com a presidente Fernanda Rodrigues e com Cristina Petiz, membro da direção ligada, essencialmente, à ação social.

A nossa reportagem foi ao encontro, essencialmente, do que de importante, no terreno e junto das populações, a instituição, no Porto, tem vindo a realizar numa altura de respostas imediatas, redobrados esforços, e de muito voluntariado.

Fernanda Rodrigues

Há quanto tempo se encontra a liderar a Delegação do Porto da Cruz Vermelha Portuguesa, e quais foram as razões que a levaram a aceitar o cargo?

Fernanda Rodrigues (FR) – “Fez em abril último, dois anos que estou à frente dos destinos da Delegação do Porto da Cruz Vermelha Portuguesa. O convite para assumir do cargo, foi um tanto um quanto inesperado. Fui a primeira pessoa a ser contactada pelo presidente da Direção Nacional, Francisco George, que teria preferência para incumbir-me desta tarefa.  Fiz aquela pergunta tradicional: «por quê eu?!» Depois de um «pois»… foi um «então vamos!»” E assim foi. Deram-me liberdade – que na Cruz Vermelha é normal -, para escolher a equipa com quem queria trabalhar, toda ela formada por voluntários. E isso foi, e é, muito bom porque permite criar uma equipa de coerência, o que não quer dizer que toda a gente pense da mesma forma, mas são pessoas que, nos seus respetivos campos, são muito comprometidas. A Dr.ª Cristina, que é da Ação Social, Habitação e de um conjunto de outras áreas sociais, mais um economista, um engenheiro e uma professora universitária, formamos, assim, una equipa que se distribui pelas diversas áreas de ação da Cruz Vermelha…

E, pronto, cá estamos há dois anos, numa dupla tarefa: por um lado, continuar aquilo que nos deixaram… o legado institucional foi bom. Digamos que em termos de gestão, cada um tem a sua nota, a sua particularidade. Por outro lado, fizemos questão de alterar algumas coisas, mas viemos conduzidos pela confiança que merecia e merece uma instituição como esta….”

Uma instituição com peso, não só histórico, mas também pela sua presença ativa, e constante, na sociedade…

“As pessoas costumam acrescentar a isso, a frase: «uma instituição rica», e a nossa experiência diz-nos que a Cruz Vermelha é uma instituição rica, sim, mas de ideias. Quando se é rico de ideias, muita das vezes, consegue-se encontrar os meios necessários para as concretizar, mas nada é dado de partida. Tudo isto é muito feito no quotidiano e é assim que temos funcionado.”

“NO PORTO, A ÁREA DE EMERGÊNCIA E SOCORRO É MUITO IMPORTANTE!”

A delegação do Porto tem autonomia em relação à sede central em Lisboa, quanto ao desenvolvimento das suas atividades?

“Temos uma autonomia relativa, porque estamos sujeitos ao mesmo articulado de princípios da instituição. O que realmente faz sentido. Depois, cada delegação vai desenvolvendo ao longo do tempo aquilo que considera ser as áreas fundamentais. Nós esperamos que as áreas fundamentais sejam aquelas que mais respondem às necessidades do lugar onde se está, o que faz com que a Cruz Vermelha tenha, ao longo do país, uma grande diversidade de delegações. Desde delegações que se ocupam mais do socorro e da emergência; outras que se orientam para as respostas sociais, e ainda outras que têm na formação um peso substantivo…”

E aqui no Porto?

“Aqui no Porto não há uma área em destaque, posso é referir as áreas que temos. A área de socorro e emergência é muito importante, e a circunstância que estamos a viver diz-nos isso. É muito bom ter pessoas disponíveis, prontas e preparadas! Isso é outra coisa que a Cruz Vermelha tem! Outra coisa, que ajuda a ter razões para estar confiante, é o facto de nos termos voluntários, os quais são aqui formados. Aqui, não chega ter vontade, é preciso que essa vontade seja ancorada a conhecimentos vários, e isso acontece na área de socorro e de emergência. Temos, depois, uma área de respostas sociais, e para idosos, com um Centro de Dia e Apoio Domiciliário, que, também nesta fase de pandemia, foi posto muito à prova. Depois, há ainda, o Apoio à Infância. É uma instituição que é gerida pela delegação do Porto, que se situa em Gondomar, e que é resultante de uma iniciativa que a Segurança Social tomou em determinada altura, ao colocar os seus equipamentos à disposição da comunidade que os quisesse gerir…”

…qual é a instituição?

“O Centro Infantil de Valbom. É originariamente da Segurança Social, mas que, de momento, está a ser gerido pela Delegação do Porto da Cruz Vermelha Portuguesa. Temos outra área que também é importante. Trata-se  da formação que – com algumas precauções – irá voltar a arrancar. Fazemos muita formação no suporte básico, quer para pessoas que, individualmente, por ela se interessam; quer para empresas que tenham como obrigação preparar os seus colaboradores para saberem lidar com alguma situação de emergência A Cristina pode dar mais exemplos e outros pormenores…”

O NÚMERO DE FAMÍLIAS A NECESSITAR DE APOIO AUMENTOU CERCA DE TRINTA POR CENTO…

Cristina Petiz

Cristina Petiz (CP) – “Temos a área social onde desenvolvemos, por exemplo, uma importante ação na distribuição de géneros alimentares.”

Não deve faltar quem de alimentos precise nesta altura, face aos problemas económicos e financeiros em consequência da pandemia?!

“Não faltam! Nesta fase, o número de famílias que necessitam deste serviço, aumentou cerca de trinta por cento! Portanto, temos essa distribuição alimentar que fazemos ao longo do ano. Acompanhamos cerca de cem famílias por nós sinalizadas, como sinalizadas também são pela Raiz – Associação de Luta Contra a Pobreza e a Exclusão Social, ou pelas juntas de freguesia. Essas famílias são apoiadas com bens alimentares. Também temos outro tipo de acompanhamento, o qual complementa aquilo que essas instituições sinalizam e encaminham para nós. Essas instituições acompanham as referidas famílias no mercado de trabalho, questões educacionais etc. e, depois, nós investimos em outras áreas.

Temos ainda um protocolo com o «Mundo a Sorrir», em que investimos na medicina dentária, que é uma das áreas que, normalmente, fica muito à margem dos cuidados de saúde públicos, possibilitando, assim, às famílias, acesso a consultas por um preço muito simbólico, e, depois, aos respetivos tratamentos, os quais são gratuitos.

Há a registar ainda, um protocolo com a Faculdade de Economia para a gestão de orçamentos, que é, por assim dizer, uma área a desenvolver. É claro que os orçamentos dessas famílias são parcos, mas, mesmo assim, há forma de conseguir alguma gestão mais autonomizada.

CAMPANHA “CONSIGO DAMOS «+» A QUEM PRECISA” CONSEGUIU 75 TONELADAS DE BENS ALIMENTARES

“Este ano”, continua Cristina Petiz, “ tínhamos pensado, e queríamos investir na sustentabilidade ambiental, quer do ponto de vista da reciclagem dos resíduos e da sua gestão; mas também do ponto de vista energético, da forma como se usa os alimentos… o desperdício alimentar. Como, entretanto, se meteu esta situação de pandemia, dificilmente poderíamos fazer uma interação com terceiros e, assim, não realizamos qualquer tipo de protocolo.

Para fazermos a distribuição de géneros alimentares, temos duas grandes recolhas anuais. Uma é feita em abril, outra em outubro. Este ano, não pudemos fazer a de abril devido à Covid-19, acabando por recorrer à campanha «Consigo Damos Mais a Quem Precisa!», levada a cabo pela nossa sede nacional e pela Sonae, entre outras parcerias. A Cruz Vermelha conseguiu angariar, nessa campanha, 75 toneladas de bens, que serão distribuídos por todas as nossas delegações, as quais, como disse a doutora Fernanda, são muitas as que dão esse apoio às famílias em situação de desfavorecimento. Alguns desses bens já foram chegando, e, entretanto, vão chegando mais para serem distribuídos.

Depois, damos também algum apoio de frescos, que é feito através do Banco Alimentar, com o qual tivemos uma parceria – bastante sólida, diga-se de passagem – até novembro de 2019. Era um local onde íamos recolher esses géneros alimentares para as famílias. Mas, entretanto, e pelo próprio volume de solicitações que o Banco Alimentar tem tido diretamente, e, por outro lado, atendendo que as nossas recolhas anuais eram bastante fortes, essa assídua relação foi deixada um pouco de lado, por forma a que o Banco Alimentar pudesse atender outras instituições com mais necessidades a esse nível”.

No fundo, há um bom relacionamento institucional…

“…sim! Também temos uma parceria com a «Longa Vida», distribuindo os seus iogurtes pelas famílias.Para além desta questão de géneros alimentares, temos duas lojas solidárias…

Lojas solidárias?! Onde se situam?

“ Uma, aqui na sede da Delegação do Porto, e outra na zona das Galerias de Miguel Bombarda, mais concretamente na Rua de Adolfo Casais Monteiro. Temos um protocolo com o «Ultriplo», uma empresa que faz reciclagem de vestuário. Nós temos uns contentores, onde as pessoas depositam as roupas que não querem utilizar, nós fazemos uma recolha dessas roupas, e depois do devido tratamento, colocamos à venda ao público nas referidas lojas solidárias. Essa venda tem dois destinatários específicos: tem o destinatário que se interessa por uma determinada peça de vestuário; e o destinatário que tem dificuldades em aceder ao comércio de vestuário corrente, e, possa ter, aí, a possibilidade de comprar algo digno.”

A PRIMEIRA REAÇÃO (À COVID-19) FOI DE PERPLEXIDADE POR NINGUÉM ENTENDER O QUE ESTAVA A ACONTECER…

Estas já eram atividades que estavam a ser desenvolvidas pela Delegação do Porto da Cruz Vermelha, até que aparece este desconhecido, que não pede autorização para matar… o novo coronavírus. Como é que reagiram a esta guerra?

FR – “Não fomos muito originais na reação, porque a primeira grande reação foi de enorme perplexidade por ninguém entender o que estava a acontecer. Mas, compreendido isso, foram criadas importantes orientações relativamente à proteção e ao trabalho do pessoal”.

Estamos a falar de quantas pessoas?

“No conjunto de pessoas que trabalham na Cruz Vermelha do Porto, cinquenta e cinco a sessenta”.

Mais de meia centena! Já não é, como se costuma dizer, brincadeira nenhuma?!

“Não, não é! E numa situação como a que se está a viver,  em algumas das áreas que foram mencionadas, e que nos deixavam alguma receita, registou-se um abaixamento muito significativo. Aconteceu em todo o lado, e nós não fugimos à regra. Esse facto tem-nos levado a pensarmos em formas de rentabilizar e, inclusivamente, de aproximar algumas pessoas para conseguirmos repor aquilo de que temos necessidade. Uma primeira medida foi a de quem puder ficar em teletrabalho, fica; e relativamente ao pessoal que está na linha da frente – que é pessoal de socorro e de emergência -, foi providenciar, desde o primeiro dia, a sua formação específica em relação à Covid-19, em articulação com a Proteção Civil da cidade. A dada altura, já os nossos socorristas distribuíam a informação recebida para ajudar outras pessoas.

Outra adaptação que tivemos de fazer, e que também não foi de pequena monta, foi no Centro de Dia, o qual deixou de funcionar, e a maior parte das pessoas que lá eram atendidas, tiveram de passar a  atendimento domiciliário. Isto, com tudo o que significa de adaptação das pessoas aos espaços que elas têm; da própria forma como se serviam as refeições, pois tivemos de nos munir, para o bem e para o mal, de «kits» descartáveis… Portanto, tudo foi feito muito rapidamente! E, aoo mesmo tempo que fazíamos isto, a bolsa ficava cada vez menos recheada…

Mas, a verdade, é que tudo foi feito! A própria Segurança Social tem estado atenta a algumas destas circunstâncias e tem-nos feito chegar algumas coisas. E, então… eis, que nos aparece aqui uma pessoa e nos diz que tem uma oferta de mil máscaras! Este tipo de coisas ainda se passam hoje, e é bom saber isso, até porque estamos numa sociedade tão comercializada, que, de facto, ações destas fazem-nos ter esperança que isto pode ter um caminho diferente.”

DEZENAS DE VOLUNTÁRIOS… FORMADOS

Foto: CVP

Há pouco falamos em voluntários. Qual é o seu número?

“Cerca de quarenta. Trinta a quarenta. Refiro-me a esta margem porque a equipa é variável, depende, muita das vezes, dos ciclos de férias. Temos estudantes de medicina, de enfermagem, etc. que ficam muito condicionados aos seus tempos, o que é normal. E é normal porque o voluntário, por definição, não é pago. Eles podem ter, por exemplo, um apoio para o almoço, se fizeram a retaguarda como se faz normalmente – agora, não, porque está tudo parado – em grandes eventos. Aqui, na cidade, temos o Pavilhão Rosa Mota e tudo o que lá acontece; temos também os grandes eventos de futebol… ou seja, todos os grandes eventos para os quais, normalmente, a Cruz Vermelha é recrutada”.

Fazem, no fundo, o acompanhamento…

“Sim, com uma ou duas ambulâncias… é conforme a dimensão do evento. Portanto, só nessas circunstâncias é que há um apoio mais direto a quem connosco colabora, e que não desvirtua, de maneira nenhuma, a sua condição de voluntário, porque é a sua atitude que conta.

Outra das consequências da pandemia, foi o encerramento do Centro Infantil de Valbom. O pessoal teve, assim, de readaptar o seu modo de funcionar dando, por exemplo, trabalhos para casa; fazendo o acompanhamento das crianças à distância, assim como o dos pais, para que eles estivessem junto das crianças. Tudo isto foi feito, uma vez mais, caminhando… Hoje, temos em cima da mesa, as instruções que foram dadas pela Direção-Geral da Saúde para a abertura das creches…

Alterações que não são poucas.

“E bem! Já dizia a diretora-geral, e com razão, que esta não é uma alteração para risco zero. Nada na vida é risco zero. É preciso prevenir o mais possível. Mas, com certeza, que vamos ter mais coisas para resolver no entretanto. E reportando-me ainda ao dia, hoje (13mai20) ainda tivemos a notícia que podemos iniciar a Formação. Mas, uma vez mais, ela já não vai poder ser o que era, já que se a fazia, por grupos, com muitos dispositivos, e isso acabou, ou seja, acabaram os grupos. Terão de ser dispositivos individuais. As experiências que se faziam no corpo uns dos outros, terão de se fazer no próprio corpo. Tudo isto é uma adaptação constante…”

A SITUAÇÃO DE ABANDONO VIVIDA POR ALGUNS IDOSOS É TÃO LESIVA COMO A COVID

As pessoas têm reagido bem às novas exigências?

“Sim. Acho que as pessoas que estão mais tristes com tudo o que está a acontecer, são os idosos, porque, de um momento para o outro, não conseguiram entender o que se estava a passar. Se calhar, também não lhes foi devidamente explicado. E, assim, muitos deles viveram a situação de abandono, e isso de facto é algo de muito lesivo. É tão lesivo como a Covid. Isso foi também um papel que os próprios profissionais tiveram que ter. Ou seja, tiveram que estar bem atentos às pessoas que ficaram a ter um olhar mais para dentro do que para fora. Temos, inclusivamente, um dos profissionais que estava a trabalhar no Centro de Dia e que tinha ao seu encargo cerca de dez idosos. O que ele faz, é ir a casa deles, ver como as coisas estão, desenvolvendo, então, algumas atividades de entretenimento, tentando, desse modo, cortar com a solidão  em que, de um momento para o outro, eles se encontraram”.

Psicologicamente ficaram afetados?

“Não sei se foram completamente abaixo, mas a sensação que nos dá é que ficaram muito entristecidos com o que estava, e está, acontecer. Repare que nós funcionamos com um grupo de população muito particular. Nós funcionamos, diretamente, com algumas pessoas que têm dificuldades no seu dia-a-dia, e, dessa forma, dificuldade acresce a dificuldade, e dá uma grande dificuldade.”

São os novos pobres, ou os novos carenciados…

CP – “Tivemos, como já disse, um aumento de 30 por cento no número de famílias que solicitaram, nos últimos meses, o apoio da Cruz Vermelha, pois necessitavam de géneros alimentares e roupas. Há comunidades também, como a do Bangladesh, que pediu um apoio específico, e que respondemos para o satisfazer.”.

A CRUZ VERMELHA CONSEGUE TER UM FLUÍDO DE RELAÇÕES QUE É BOM PARA AS PESSOAS

E deve ser natural as pessoas recorrerem à Cruz Vermelha quando necessitam de apoio, até porque é uma instituição mundialmente reconhecida, e, dessa forma, sintam-se seguras ao contactar-vos.

FR – “Sim. E há uma coisa que a Cruz Vermelha tem – e que, por enquanto, acho que é bom -, é que não tem uma grande estrutura burocrática, o que significa que, quando uma pessoa cá vem, fala facilmente com um profissional. Não tem de fazer marcação para vir… daqui a quinze dias, ou coisa do género, não! Há, aqui, uma porta aberta, que, para situações como as que se vivem, faz muito sentido. Em outras instituições, as pessoas fazem uma peregrinação constante, e a Cruz Vermelha apesar de tudo; apesar de já ser uma média empresa, a verdade é que ainda consegue ter um fluído de relações que é bom para as pessoas. Apesar do edifício…”

… precisar de obras?

(risos)

FR – “Não. Ser, assim, imponente!”

CP – “A nosso proximidade com as pessoas é grande. Não se deixa ninguém sem dar uma resposta…”

QUALQUER PESSOA (NÃO PRECISA DE SER SÓCIO) PODE SOLICITAR-NOS AJUDAS TÉCNICAS, COMO CAMAS ARTICULADAS, CADEIRA DE RODAS…

É bom referir, e são dados que dispomos que foram por vós publicados, que a Cruz Vermelha, a nível nacional, dá apoio a mais de 47 mil famílias vulneráveis; a quatro mil e duzentas vítimas de violência doméstica; ainda a cerca de quatro mil idosos e a perto de sete mil crianças, em jardins-de-infância e centros de acolhimento…

FR – “Aqui, na delegação, podemos ter a sinalização de vítimas de violência doméstica, mas não temos uma linha específica de atendimento, porque há outras instituições que o fazem. A nossa delegação de Matosinhos tem uma Casa-Abrigo. De certa maneira, nas respostas sociais, não é preciso repeti-las em todo o lado e da mesma maneira. No fundo, o que é preciso é que elas sejam adequadas para cada momento e em qualquer lugar.

Por falar em «adequadas», queria falar noutra coisa: as ajudas técnicas. Ou seja, aquilo que as pessoas necessitam quando estão mais dependentes, permanente ou provisoriamente. Nós fazemos a recolha de materiais que deixam de ser utilizados. É tudo tratado e desinfetado e ficam à disposição para novas situações. As pessoas podem vir cá solicitarem ajudas técnicas como camas articuladas, cadeiras de rodas, tudo isso…”

Portanto qualquer pessoa pode solicitar esse apoio?! Não precisa de ser sócio?

“Não. Qualquer pessoa pode cá vir. O que normalmente se faz, é ver, junto dessa pessoa, se tem possibilidade de comparticipação. Se tem, muito bem. Se não tem, não deixa de levar o que necessita. E é muito pouco habitual que uma pessoa, que tenha possibilidades de comparticipar, diga que não tem.

Temos também – e nesta fase tivemos muitas – doações. Acabamos de receber algo da Benetton. Também a Associação Sócio-Cultural Italiana de Portugal, no Porto, fez uma campanha junto dos seus associados e mandou-nos um donativo financeiro. Isto não são coisas insignificantes! De maneira alguma! Tudo isto tem muito significado para nós”.

OS “ESTRANHOS”E INESPERADOS ADIAMENTOS DA CAMPANHA PARA A COMPRA DE AMBULÂNCIAS

“Entretanto”, continua Fernanda Rodrigues, “temos sido «trucidados», e isto porque já por três vezes temos iniciado uma campanha para a compra de ambulâncias, e que é sempre interrompida por uma coisa qualquer extraordinária.

Primeiro, foi pela operação «Imbondeiro» em Moçambique. Ora, a verdade é que as nossas ambulâncias não tinham nada de comparável com aquilo que era preciso fazer em Moçambique, portanto suspendemos a campanha. A propósito fizemos, na altura, uma conferência de imprensa, na qual estiveram presentes o nosso padrinho e a nossa madrinha, o professor Luís Portela, da Bial, e a Rosa Mota, respetivamente.

Foto CVP

Depois, quando íamos a arrancar, uma vez mais, com a campanha, eis que surgem os fogos florestais. Quando decidimos que íamos arrancar , definitivamente, com a campanha para a compra de ambulâncias e, eis, que … chega a Covid! Bem… vamos ter mesmo ambulâncias no meio de uma qualquer tempestade, não vai ser com bonança…”(risos)

CP – “Sobre os donativos e a propósito da Covid, as nossas lojas de venda de vestuário, livros e algumas peças de mobiliário, vivem de doações individuais, pelo que temos muita gente que vem e quer colocar nos nossos contentores roupa, livros, brinquedos; também ligam-nos para a sede dizendo que querem doar, por ter falecido uma pessoa, etc.. E nós vamos, naturalmente, recolher esses donativos. Esta solidariedade das pessoas é muito significativa.”

No fundo, as pessoas já eram solidárias com a Cruz Vermelha, antes de surgir o coronavírus!

FR– “Sim! E há uma coisa muito interessante: para além da solidariedade, nunca, como hoje, se falou tanto da questão da sustentabilidade. Hoje, temos cada vez mais pessoas que estão atentas à possibilidade de usar aquilo que os outros não precisam! Essa é uma vantagem imensa nas nossas sociedades, as quais, como se sabe, são muito consumistas. Um outro dia, fiquei muito surpreendida porque havia pessoas que reparavam eletrodomésticos. A partir de uma determinada altura, desabituamo-nos de mandar reparar um eletrodoméstico. Avariava e deitava-se fora. E, a verdade, é que esse tipo de consertos voltaram. Acho que vamos ter, mais tarde ou mais cedo, que investir por aqui. E a questão da loja, da roupa, dos sapatos, dos livros… dá um bocadinho nota disso, e há gente que fica muito contente. Há dias pusemos na nossa loja algo assim: «Faça da Segunda Escolha a Primeira Opção!»…

Parece, na verdade, que estamos a reviver práticas de há umas décadas. O vírus obrigou-nos, ou está a obrigar-nos, a isso… mas, isso até não é mau de todo!

“Verdade. Na altura que se refere, as coisas não tinham tanto o significado que lhes estamos a dar agora. As questões da sustentabilidade é que nos levam a investir nesta matéria”.

NÃO CONHEÇO NINGUÉM QUE NÃO SE SINTA BEM A FAZER AS COISAS DE QUE GOSTA

E, para já, o que sinto, é que, como presidente, se está a sentir bem aqui na Cruz Vermelha…

“Não conheço ninguém que não se sinta bem a fazer as coisas de que gosta, e as coisas que não fazem sentido no próprio dia, mas que, depois, acabam por fazer. E, no caso, o «sentir-me bem» também resulta de uma coisa: nenhum deste trabalho, é um trabalho individual! Acho que era escusado haver as fotografias destes senhores todos aqui à volta. Ninguém, individualmente, fez esta casa. Ninguém! E, portanto, esta possibilidade de termos, quer uma equipa diretiva; quer uma equipa de gente que funciona na linha da frente, que é colaborante… é muito importante!”

Relativamente a relações institucionais, refiro-me, designadamente, às autarquias, com destaque para a Câmara Municipal, as coisas estão a correr bem?

“Sim, sempre! São relações muito positivas, quer com a Câmara do Porto, quer com as juntas de freguesia. Os nossos profissionais articulam-se muito com as juntas de freguesia. Digamos que isto é um circuito com dois sentidos. Tanto se recorre à junta de freguesia para se ter a garantia de que alguma coisa está a funcionar bem; como a própria junta pergunta se temos isto ou aquilo. Todavia, também temos bons relacionamentos com associações de bairro…

… associações de moradores…

“…exatamente! Ainda há pouco tempo falamos sobre a ajuda humanitária e falou-se de associações de outra ordem…

Os apoios alimentares são feitos à base das empresas que fornecem os produtos…

“… praticamente, sim”.

CP – “Inicialmente, era através das referidas duas grandes recolhas que fazemos duas vezes por ano, em abril e em outubro. A recolha é feita em conjunto com a Sonae, portanto com os supermercados Continente. Todas as lojas do Porto, nesses fins-de-semana específicos, participam nos dois grandes dias de recolha intensiva. Essa recolha é organizada por um grupo de nossos voluntários, juntamente com gente de colégios e escolas, universidades, faculdades, que são mobilizados para essa recolha.

Eu retomei este assunto, porque é visível, sente-se, que há um número considerável de pessoas que chegou a uma situação limite… e pessoas que, por exemplo, não podem sobreviver nem com o teletrabalho…

“Sim, como os vendedores ambulantes…”

FR – “… e as pessoas com vínculo precário! Há quem anda por aí a dizer que a Covid é muito democrática… Não é coisíssima nenhuma! O vírus prejudicou (e de que maneira!) as pessoas que viviam, e vivem, em situação de fragilidade…”

O CENTRO DE APOIO A TODAS AS SITUAÇÕES DE DEMÊNCIA…

Foto CVP

Quanto a mais iniciativas…

“..há uma outra iniciativa da Cruz Vermelha, que tem o compromisso da Delegação do Porto, mas é mais pela minha via e da Delegação de Gaia, que é o complexo de neuro-intervenção, que abrimos em setembro do ano passado, e que serve para dar apoio em todas as situações de demência precoce, ou demência ligeira. Está sediado em Gaia, no antigo edifício dos escritórios do Edgar Cardoso. O trabalho iniciou-se, mas, como todos os trabalhos que eram feitos dentro de portas, este também teve de ser encerrado, e está, neste momento a servir para receber 28 negativos com a Covid-19, e vai receber ainda utentes do Lar do Comércio. O espaço como tem uma estrutura flexível, permite a que, numa situação como a que se vive, se acomode a esta realidade. Ninguém estava preparado para uma coisa destas!”

Pois não estava! É um facto!

“Foi preciso formar pessoal de um dia para o outro. Como pessoal ligado às demências… toda a gente! Mas, pronto, cá estamos!”

POR ALGUMA RAZÃO OS SEM-ABRIGO NÃO SE ADEQUARAM À INSTITUIÇÃO (HOSPITAL JOAQUIM URBANO) OU A INSTITUIÇÃO NÃO SE ADEQUOU ÀS PESSOAS

Depois apareceu o Hospital Porto., o hospital de campanha instalado no Pavilhão Rosa Mota, que parece também ter tido a colaboração da Cruz Vermelha, ou não?

“Não, diretamente, como Delegação.”

Como na montagem do referido hospital vi ambulância da Cruz Vermelha, é por isso que faço a pergunta…

“Isso sim. Mas, não estivemos comprometidos com a organização. Nada disso! Todavia, colaboramos todos os dias, porque fizemos o transporte de pessoas, de «covid», dos hospitais para lá, ou de lá para casa, dependendo da situação.”

Em relação – e vamos mudar um pouco de tema -, aos sem-abrigo, há algum apoio direto da Cruz Vermelha, e neste caso da delegação do Porto, a essas pessoas?

“Encontramos, aqui, pessoas sem-abrigo no apoio alimentar, mas não temos nenhuma área específica de outro trabalho direto com os sem-abrigo além desse. Por quê? Porque, no Porto, a grande lacuna é a Habitação para os sem-abrigo, e, portanto, tudo o que está a ser feito é a coberto do Hospital Joaquim Urbano. O resto da população, que é flutuante; que por alguma razão não se adequou à instituição ou a instituição à pessoa; nessa altura, têm apoio da nossa parte em termos de apoio alimentar. Não temos nenhuma linha específica de trabalho, já que há outras instituições que o fazem.”

GOSTARÍAMOS DE DAR UM CONTRIBUTO PARA A CIDADE, E PARA A REGIÃO, COM UMA UNIDADE DE CUIDADOS CONTINUADOS

Objetivos, muito concretos, da Delegação da Cruz Vermelha no Porto, para um futuro próximo, se é que se pode ter grandes objetivos de acordo com a atual realidade?

“Objetivo para nós seria podermos, de facto, alargar os serviços numa ou duas áreas que consideramos fundamentais, uma delas, era a de dar um contributo para a cidade, e para a região, com uma Unidade de Cuidados Continuados. Mas, estou a falar-lhe de um objetivo que se tem de projetar muito para diante, ainda que a necessidade seja muito presente. A possibilidade de concretização é que tem de ser atirada para a frente Contudo, e seguramente, é algo que se justificaria na cidade do Porto, tanto mais que os residentes no Porto a precisar deste tipo de apoio têm de ir para fora da cidade. Não é um grande problema esta deslocação, mas tem alguns inconvenientes, um dos quais a parte de relação com as famílias. Esse era um objetivo que gostaríamos de ver concretizado.

Mas, já há um projeto concreto para a construção dessa Unidade de Cuidados Continuados?

“A única coisa que temos é um espaço, que, apesar de não ser nosso ,está cedido à Cruz Vermelha há longa data, e que gostaríamos, eventualmente, de o pensar com esse fim. Relativamente ao Socorro e Emergência,  temos boas condições para que ele possa vir a alagar-se. Não estou segura, nem temos equacionado isso, até porque a Cruz Vermelha já teve uma presença mais forte, aqui no Porto, na área da Saúde – designadamente com os pequenos curativos – e para as pessoas, principalmente a residir em Bairros, era ação muito confortável. Não estamos seguros que isso seja algo que possa vir a ser feito, mas era algo que gostaríamos de ver realizado, pois, dessa forma, poderíamos dar um contributo a centros que poderiam, depois, fazer outras coisas mais especializadas. Claro que, para já, vou insistir nas ambulâncias, mas…” (risos)

Pode, porém, falar nas ambulâncias, sem falar em… datas para a campanha! É um objetivo!

“É… tem de ser!”

INICIATIVAS FUTURAS… E A CAMPANHA PELA COMPRA DE NOVAS AMBULÂNCIAS

Há a colaboração, em termos de promoção da vossa campanha, com alguma instituição ou empresa?

“Falamos com algumas pessoas e tivemos já, inclusive, um donativo, mas isso veio de um dos padrinhos que abriu a conta, até porque já sabia que ia estar associado à campanha. E, depois temos procurado sensibilizar, além de pessoas, empresas e entidades que estão muito ligadas às nossas atividades de Socorro e Emergência, como as empresas que organizam eventos. É claro que, se nós estivermos melhor servidos, melhor será o nosso serviço. Uma empresa, por exemplo, aqui no Porto, que nos contactava muito, era a Red Bull para as corridas e tudo isso. Aliás, eles vão fazer 30 e 31 de maio (fizeram) uma Maratona virtual a favor da Cruz Vermelha, e isso vem na sequência de um apoio que nos tinham prometido para as ambulâncias.

E estamos a imaginar, mais coisas. Fazer, por exemplo, um concerto, ou aqui – a casa é suficientemente bonita para isso -, ou no Clube dos Fenianos. Tínhamos a promessa de podermos ter acesso e vender uns bilhetinhos baratos para os ensaios na Casa da Música. Depois, estamos também a pensar em fazer um leilão de «coisas diferentes»”.

Ideias muitas e boas, o pior é a Covid deixar…

“Isto, está tudo na calha! Aliás, a primeira coisa que queríamos no nosso leilão, o tal de coisas diferentes, era um laço do nosso presidente da Direção Nacional. Quem diz isso, diz um concerto menos clássico e mais pró jazz. Enfim… várias atividades! A nossa cidade já está muito preenchida de coisas. Mas, apesar de tudo, as iniciativas solidárias continuam a ter algum eco”.

Fiquei, há pouco, surpreendido da comunidade italiana ter reagido da forma que reagiu – apoiando a vossa Delegação – quando no país de onde são naturais, o problema da pandemia seja muito mais grave que o nosso. Por certo, foram solidários (e ainda bem) por cá residirem…

“O que está a dizer foi já referenciado por algumas pessoas. «Então, os italianos não têm obrigação de ajudar na terra deles?», e o general Angelo Arena, que está ligado à associação italiana, disse logo: «nós estamos nesta terra também!». Esse é o reconhecimento, pois, apesar de tudo, aqui estamos todos”.

“Precauções” antes da entrevista de iniciar… teve de ser…

Registaram, no vosso seio, algum, ou alguns, infetados pela covid-19?

“Entre nós, não. No Socorro e Emergência, sim. Eles fazem transportes todos os dias de pessoas infetadas”.

Aliás, o concelho do Porto registou algumas vezes, a nível nacional, o maior número de infetados. Notou-se algo de anormal, na prática, quanto a esses números?

“Não sentimos. Por cá, sempre estivemos preparados para dar as respostas necessárias às exigências. Mas, como estava a dizer, tivemos, há pouco tempo, o caso de um profissional que esteve com Covid positivo, e que, no dia em que ele foi ao hospital – onde deve ter apanhado o vírus, não importa, agora, para o caso – depois, veio cá. Portanto, as pessoas que com ele contactaram tiveram de ficar de quarentena. E tem sido um suplicio aturá-lo, porque teima em querer vir trabalhar, por mais que se lhe diga que não pode. Finalmente conseguiu-se. Isto para dizer que senti menos preocupação porque, no fundo, há, aqui, muita gente de manga arregaçada”.

Temos bons hospitais no Porto?

“O que tenho visto é os hospitais como muita preocupação em acertar. Sei que foram muito colaborantes com o Hospital de Campanha; que muniram-se de material para dar resposta a determinadas exigências quanto à pandemia, e mais não lhe sei dizer. Temos boas relações com os hospitais do Porto, e eles connosco, e há algo que nos apraz registar, é que confiam muito no trabalho da Cruz Vermelha. O INEM, por exemplo. Quando não tem, por diversos motivos, possibilidades para dar resposta às emergências, é para nós que contacta. E isto por quê? Porque temos associada a ideia da formação e isso dá tranquilidade às pessoas relativamente ao serviço que se presta.”

As pessoas têm, realmente, essa ideia da Cruz Vermelha: eficiência, eficácia… Quando se vê o símbolo da Cruz Vermelha dá-se-lhe logo muita credibilidade. Isto é algo que constato…

“A imagem da Cruz Vermelha apoia-nos muito no trabalho que fazemos. Isto, ao contrário do que trabalhar numa instituição que todos os dias tem de conquistar espaço. Do ponto de vista da identidade da Cruz Vermelha, de facto ela é, maioritariamente, reconhecida… sim!”

Foto CVP

E os jovens têm aderido ao projeto, ou aos projetos?

“Os jovens, sim! Mas, curiosamente, temos um voluntariado de causas. Às vezes, causas curtas. É fácil entender que um jovem que está a fazer a sua trajetória académica, ou profissional, de início de carreira, aquilo que sobra já é muito”.

CP – “Nas recolhas temos muitos jovens, entre universitários, alunos do secundário… e dos cursos profissionais. Quando há recolha de alimentos envolvem-se centenas de pessoas”.

FR – “Já tivemos, neste período de pandemia, dois grupos de jovens voluntários, organizaram-se eles próprios, e, convencendo uns amigos, conseguiram algum dinheiro para nos doar. Enviaram-nos, então um email a dizer o que tinham feito, realçando que o dinheiro era muito pouco, mas que gostariam que o aceitássemos. Enviaram-nos trezentos euros. No fundo, é muito dinheiro, para quem anda a juntar cinco euros… Um outro grupo fez recolha de bens alimentares e agora quer a garantia de que nós os distribuímos… claro que vamos distribuir os alimentos. Portanto o voluntariado que nós acolhemos é, não só, o que está entre nós, mas aquele que nos procura depois de se ter organizado”.

TEMOS UM SISTEMA DE BASES COMUNICANTES…

Há uma interligação com as outras delegações a nível nacional? Reúnem-se?

“Isso não era prática, mas começou, agora, através do doutor Francisco George, a fazer-se uma assembleia com toda a gente, naturalmente, em Lisboa, o que acontece de dois em dois, ou de três em três, meses para discutirmos várias coisas. Outro aspeto importante, é que, imaginemos às vezes que alguém precisa de fazer um evento e precisa de algum material, como uma tenda ou outra coisa qualquer… consegue-se esse empréstimo… há essa colaboração. E por falar em tenda, já me ia esquecendo do nosso grande aliado que é o Circo Cardinali…”

… sem animais?!

“Sem animais! Essa foi logo a nossa condição. Todos os anos oferecem-nos um espetáculo. Muito simpáticos! São dois mil bilhetes que o Circo dispõe. Então, e porque o número de ingressos é considerável, falamos com uma outra delegação, por exemplo a de Matosinhos para nos ajudare a vender bilhetes connosco. Portanto, nós temos um sistema de bases comunicantes. Por isso ter dito que a entidade é a mesma, mas depois cada um desenvolve as suas tarefas”.

E pronto…

“… agora esperamos que estejam presentes na nossa campanha das ambulâncias, que dá pelo nome de TiNóNi”

Sem datas…. (risos)

“É só uma divulgação! Entretanto, já fizemos uma coisa destemida. Estávamos tão mal de ambulâncias que compramos uma a crédito. Nada que os portugueses não façam. E, então, pronto…

Quantas ambulâncias têm?

“Temos sete. Algumas temos de abater. Estão a dar muita despesa, e além da despesa… insegurança. Esta é também uma importante fonte de receita”.

 

01jun20

1 Comment

  1. Natividade da Conceição André Monteiro

    Parabéns pela interessante reportagem. Nunca é demais dar a conhecer e enaltecer instituições dedicadas ao bem-fazer. No início do texto refere-se a data da fundação da delegação do Porto, 1897; fazendo as contas, a delegação não tem 223 anos de existência, como ali consta. Poderiam corrigir a gralha? Obrigada!

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