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Dia Mundial da Língua Portuguesa

Joaquim Castro

 

 

 

Um amigo e ex-colega de trabalho, de Santa Maria da Feira, ficou radiante ao saber que o Dia Mundial da Língua Portuguesa se passa a celebrar, a começar em 2020, no dia 5 de Maio, o mesmo dia em que nasceu. Fiquei mais atento do que nunca e dei conta de que nem nesse dia a Língua de Camões teve melhor sorte na Comunicação Social: Meu Deus, os pontapés do costume. Como esse meu amigo também deve ter ficado triste, pelo que teve de ouvir, até nesse dia. E não foi pouco!

“A data de 5 de Maio foi oficialmente estabelecida em 2009 pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) – uma organização intergovernamental, parceira oficial da UNESCO desde 2000, que reúne os povos que têm a língua portuguesa como um dos fundamentos da sua identidade específica – para celebrar a língua portuguesa e as culturas lusófonas. Em 2019, a 40.ª sessão da Conferência Geral da UNESCO decidiu proclamar o dia 5 de Maio de cada ano como “Dia Mundial da Língua Portuguesa”.

A língua portuguesa é não só uma das línguas mais difundidas no mundo, com mais de 265 milhões de falantes espalhados por todos os continentes, como é também a língua mais falada no hemisfério sul. O português continua a ser, hoje, uma das principais línguas de comunicação internacional, e uma língua com uma forte extensão geográfica, destinada a aumentar”.

(Fonte: UNESCO)

MEDIR OU AVALIAR A TEMPERATURA?

Aprendi, nos primeiros anos de escola, que “medir é comparar com uma unidade da mesma espécie”. É comparar com um padrão específico. É comparar uma grandeza em relação a outra. Esta questão põe-se porque, nos tempos que correm, toda a gente deve “medir” a temperatura, por causa de eventual infecção por Covid-19. E é aí que pode surgir a dúvida: é medir ou é avaliar a temperatura de uma pessoa? E se for aferir a temperatura? E se falarmos de tensão (ou pressão) arterial? E se for a pressão dos pneus de um carro? Ou seja, ter a extensão, a altura ou grandeza de alguma coisa. Mas também há o aconselhar alguém a medir as palavras. Ou medir um rival. Por mim e pelas pesquisas que fiz, considero o termo avaliar a temperatura, como o verbo mais adequado à situação, mas é possível encontrar outros que se podem considerar como ajustados a este caso.

A “INDEFENIÇÃO”

A Pandemia que nos aflige, de certo modo, acabou por trazer aos noticiários muita gente para falar do assunto. Desde os mais entendidos, aos menos entendidos. Isso, no aspecto científico, que aqui não vamos abordar. O problema é que com tanta gente a falar, desde jornalistas, a políticos, a especialistas e a autoridades, quem tem sofrido é a Dona Gramática. Entre as palavras mais irritantes, estão o “defenido” e o “indefenido”. Mesmo o grande jornalista, que é Rodrigo Guedes de Carvalho, que também é escritor, não foge ao fenómeno, usando e abusando dessas expressões, incorrectamente. Mas não é único, pois muitos colegas da televisão SIC lhe seguem o exemplo. Até o “jovem” Pedro Mourinho (pensei que era coisa dos mais velhos). E isto anda assim, há muitos meses ou há muitos anos. Claro que, também temos a “medecina”… e muito mais!

SEMPRE A “RÚBRICA”!

Cheguei à conclusão, de que a estação de televisão SIC é a maior consumidora palavra “rúbrica”, pronunciada erradamente. Um erro de palmatória. Há anos que é assim. O programa Polígrafo, que a Estação transmite, também resolveu aderir à moda. No dia 20.04.2020, o narrador de uma peça sobre verbas do Orçamento do Estado, resolveu chamar “rúbrica” a uma verba do Orçamento. Tenho dado conta, de que até conceituados jornalistas desta estação pronunciam erradamente esta palavra. A SIC também acha que tem uma “rúbrica” chamada Golf, para nos mostrar uns jogadores a dar umas tacadas numas bolinhas brancas. Pelos meus apontamentos, o precursor desta asneira, parece ter sido o grande jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho, que ouvi (ouvimos) pronunciar, há uns anos, em Ovar, junto de amigos, num café.

ENTRE OS DIAS TAL E TAL

É vulgar ler e ouvir que um evento ou um acto se realiza, entre os dias, tal e tal, por exemplo, entre os dia 15 e 17 de maio. E o que é que isso significa? Na língua portuguesa, a preposição entre aplica-se em frases como as seguintes: “Ele está entre a Isabel e o João” ou “Ele está entre amigos”. Assim, a preposição entre aplica-se a “um entre dois” ou a “um entre vários”. Para informarmos os possíveis interessados, poderemos dizer que “uma feira decorre nos dias 14, 15 e 16 de Agosto”. É a informação mais concreta. Mas se um festival se mantiver durante vários dias, diremos que “o festival se realizará entre os dias 15 e 30 de Agosto”. Como esta informação pode ser insuficiente, será melhor dizermos que “o festival decorrerá entre os dias 15 e 30 inclusive”. De uma maneira ainda mais explícita, diremos: “O festival tem início no dia 15 e termina no dia 30 de Agosto”. Assim ficarão bem definidos os limites.

(Consultei “Ciberdúvidas da Língua Portuguesa)

O “TATARAVÔ” DO MINISTRO

Quando falamos do pai do trisavô ou da trisavó, falamos do tetravô. Contudo, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, convidado do programa humorístico da SIC “Isto é gozar com quem trabalha”, apresentado por Ricardo Araújo Pereira, preferiu referir o seu “tataravô”. Dizia o ministro que os seus “tataravós”, o dele e o de Ricardo Araújo Pereira, seriam conterrâneos e que se teriam cruzado, à época. Ora, a forma considerada mais pacífica é a de tetravô, sendo de evitar o “tataravô”, que é pouco usual. Claro que, sendo um programa de humor, não devemos levar muito à risca o que lá diz. E o ministro até podia estar a gozar com o Ricardo Araújo Pereira, com essa do “tataravô”!

FRASES QUE NOS FAZEM SORRIR

A Directora-Geral da Saúde, Graça Freitas, disse, no dia 19 de Maio de 2020, que era benéfico para um bebé, “mamar na mama da sua mãe”. Logo pensei em “O Menino de Sua Mãe”, um poema de Fernando Pessoa, que declamei, em tempos idos: “No plano abandonado. Que a morna brisa aquece, De balas trespassado — Duas, de lado a lado —, Jaz morto e arrefece… Assim começa este famoso poema. Graça Freitas não disse nada de errado, mas se tivesse dito “mamar na mama da mãe”, não dava azo à imaginação de quem a ouviu, pois, todos sabemos que a Língua Portuguesa é muito traiçoeira e cheia de subtilezas.

UM CENTENO “ACELARADOR”!

Neste mês de Maio de 2020, Mário Centeno, ministro de Estado e das Finanças, tem intervindo, amiúde, na Assembleia da República e nos canais televisivos. E quem sou eu para questionar a sua competência acerca de números. Já no aspecto linguístico, reparo que ele vai dando uns pontapés na Gramática. Mas não está só. Numa das suas últimas intervenções, Mário Centeno, tropeçou, pelo menos, três vezes, em palavras que utilizou. Foram elas: “acelarado”, em vez de acelerado; “establizado”, em vez de estabilizado; e “control”, em vez de controlo. Então, e os outros políticos? Perguntarão. Para não dizerem que só me viro para um lado, há mais personalidades na lista, para esta rubrica mensal “Pontapés na Gramática”.

 

Nota: Por vezes, o autor também erra!

 

Fotos: pesquisa Net

 

01jun20

 

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