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“ESTIVE QUASE MORTO NO DESERTO…”

Repórter X

 

e o Porto aqui tão perto! O Sérgio Godinho estaria longe de imaginar, quando lançou esta sua canção, que o título que deu à mesma estaria, hoje, mais atual que nunca.

É verdade! A pandemia, mesmo já em Estado de Calamidade – que não deixa de ser de, como se lê, “calamidade”, mas abaixo do de Emergência -, originou um certo “desconfinamento”, mas, continuou, mesmo assim, a condicionar, e de que maneira (!), a vida das pessoas, pelo menos na cidade do Porto.

Com a reabertura gradual do comércio, das escolas, dos restaurantes, assim como com o retomar do regular serviço de transportes públicos, ainda que tudo muito à condição quanto a regras de segurança antivírica, a população mostrou receio na saída à rua, ainda que os supermercados – que sempre estiveram abertos – e as farmácias continuassem a registar, mesmo assim, e tratando-se de locais de consumo de produtos prioritários, um movimento médio.

Embora o momento que se vive, seja de um regresso, à normalidade anormal, faseado e lento, a verdade é que as pessoas têm-se portado bem. O uso obrigatório de máscaras ou viseiras nos transportes e no interior de espaços públicos foi, na maioria dos casos, respeitado. Assim como, o distanciamento físico e a lotação limitada nos autocarros, a maioria dos quais – salvo uma “linha” ou outra – longe estiveram de registar lotação significativa… o mesmo tendo acontecido com o Metro.

Já na praia, e com o estado do tempo a convidar a banhos, ainda com esses locais sem vigilância e com abertura oficial marcada para o próximo dia 06 de junho, as coisas correram, por mais estranho que possa parecer, dentro de uma relativa normalidade. Bem. As praias não estavam oficialmente abertas, mas pelas bandas de Cascais, o nosso Presidente da República também não resistiu a lá dar uma saltada para uns mergulhos. E foi o próprio que alertou para o facto de, nas marginais, existirem grupos de pessoas (“uns em cima dos outros”) a por lá circular desrespeitando regras elementares de segurança.

Relativamente aos transportas públicos no Porto, sobre os quais me referia há pouco, saiba que nas cerca de quinze viagens que, quem vos escreve, fez, não se viu um fiscal snas composições do Metro, assim como nas estações de maior movimento, como de Campanhã, Trindade, Bolhão e Boavista. E isso num mês de maio que, a partir do dia 04, voltou a ser obrigatória a validação do “Andante”.

A verdade, porém, e isto mais no que concerne aos autocarros, cheguei mesmo a andar só com o motorista e por largos períodos de tempo, e numa linha que, habitualmente, transporta muitos passageiros, como é a 207, a qual liga a zona oriental à ocidental da cidade do Porto, e vice-versa.

No fundo, e avaliar por tudo o que se constatou, o regresso das pessoas à rua não foi tão célere quanto muitos previam, e se o receio ou medo de muita gente em poder contrair o vírus é ainda uma realidade, por outro, a crise económico-financeira não está a ajudar à retoma. Muito pelo contrário! E mais, se tivermos em conta o elevado número de novos desempregados e, pior ainda, o recurso de muitas famílias, por exemplo, ao Banco Alimentar, necessitadas que estão de bens alimentares básicos…. de sobrevivência.

COSTA SURPREENDE COM VISITA A PORTO E GAIA

Entretanto – e fica já a ressalva: as fotos que se seguem, assim como a anterior, foram cedidas pelo nosso leitor e amigo Mário Sousa, – destaque para a surpreendente visita do chefe do Governo ao Porto, com o intuito de incentivar as pessoas a sair à rua – com as devidas precauções, está claro – e foi vê-lo a andar de Metro e pela central estação da Trindade, assim como a passear-se na companhia dos autarcas do Porto e de Gaia, Rui Moreira e Eduardo Vítor Rodrigues, respetivamente, pelas vazias e centrais artérias das duas cidades, dando, quer queiramos quer não, um importante, e mais que necessário, alento aos comerciantes que reabriam portas e reiniciaram a sua atividade.

Pode dizer-se que esta ação – pelo que contaram – foi aplaudida pelas pessoas que com o primeiro-ministro contactaram, facto, sem dúvida, moralizador, numa altura em que o retomar da vida da cidade – neste caso das cidades – está longo, muito longe, de ser o habitual, ou idêntico ao que estávamos habituados.

TAKE-WAY: A “SAFA” PARA ALGUNS RESTAURANTES

E, por falarmos, em comércio de portas abertas, com algumas lojas a terem a honra da visita de António Costa, destaque-se também a restauração e similares, que ainda em época de “confinamento” se foi safando com o take-way. Mas será que se safaram mesmo?

“Tivemos pouca gente, mas a que veio, veio certinha, ou seja vários dias por semana. Seja como for, tudo isto apanhou-nos de surpresa e tivemos que dar a volta à situação, dando, em determinada altura, férias aos empregados para fechar o restaurante sem grandes problemas”.

As palavras são de um responsável de um restaurante situado na na zona de Campanhã. Mas, a problemática reação à pandemia criada pela Covid-19, foi idêntica a outros pequenos e médios empresários, pelo menos da zona oriental do Porto, alguns dos quais – e porque têm possibilidades para isso -, vão apostar na criação de esplanadas. “É ao ar livre e não há tantos condicionalismos como no interior da casa”, refere-nos um desses médios empresários.

“Santa Catarina” no do dia 30 de maio

Independentemente destes esforços, a realidade está longe de ser simpática para quem tem negócio de rua. A ver vamos, a partir de hoje, como irá funcionar o comércio e a restauração, desta feita nos centros comerciais.

Para já, e com agrado se regista, a Rua de Santa Catarina- a mais emblemática e central do Porto – teve dias de muito movimento, nãose sabendo se isso se traduziu em investimento por parte dos potenciais clientes que na rua circulavam. Mas, é já um bom sinal para quem tanto anseia pela retoma.

 

01jun20

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