Miguel Correia
Os bem-aventurados leitores – que perdem o seu precioso tempo com a minha escrita – podem ficar intrigados pelo facto de não abordar as grandiosas trapalhadas do nosso quotidiano. Assim de repente, ocorre-me o processo Marquês, o caso dos submarinos, a queda do Banco Espírito Santo e, claro, a solução milagrosa encontrada: o Novo Banco. Existirão mais temas onde saltam à vista as tremendas dificuldades da justiça para conseguir encontrar os respetivos culpados. No entanto, caros leitores, devo salientar que existem diversos ilustres que, em vários jornais reputados, fazem questão de escrever (e opinar) sobre estes temas. Tanto escrevem que, por vezes, até se contradizem ou desconhecem os factos! Prefiro pensar que a minha escrita – visão pessoal das coisas – está mais vocacionada para assuntos que tenham alguma piada e, principalmente, que escapem ao olhar (mais desatento) do comum mortal. Porque as peripécias, tal como os mosquitos, fazem parte do nosso dia-a-dia! Eu tento (caramba, se tento!) que estejam atentos e preparados para elas! Tendo sido pai recentemente, é perfeitamente natural que visite a secção de criança (nos supermercados) mais vezes que as que gostaria. Porém devo salientar uma situação que deixa constrangido qualquer homem…
O simples facto de uma esposa ser promovida à categoria de mãe elimina, nos primeiros meses, qualquer estímulo sexual. Afinal, se os adultos não gostam que se brinque com a comida, os bebés também não! Como tal, foi com bastante apreensão que pude verificar que alguém responsável, pela decoração do supermercado, achou que colocar roupa interior feminina ao lado da secção de criança era coisa para resultar. Engano! Duas prateleiras de universos opostos, colocadas num corredor que causa dúvidas existenciais a qualquer pai (e homem) que o atrevesse! Porque não é apenas a questão de ver a roupa interior! Todas as peças fazem-se acompanhar de fotografias com modelos lindíssimos! Tudo isto, escarrapachado aos olhos de alguém que percorre uma longa travessia no deserto e apenas tem, como único recurso, a imaginação! Assim sendo, e enquanto a minha mente criava um argumento reles (usado naqueles filmes mais ordinários e que me fazia sonhar de olhos abertos) reparo que, mesmo ao meu lado, está uma velha com soutien na mão! E com os olhos postos em mim! Rapidamente terminei o exercício cinéfilo e apenas peço, aos senhores do supermercado, que pensem em mudar aquela disposição! É que nenhum homem merece…
Foto: pesquisa Google
01ago20
