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Temporada do Teatro Nacional S. João arranca a 06 de agosto! Programação do Centenário “junta” três diretores artísticos do TNSJ

As celebrações do Centenário do Teatro São João prosseguem até março de 2021, com uma programação intensa que contempla um “elogio” aos diretores artísticos que passaram pela Casa e que contribuíram para a criação e desenvolvimento do tecido teatral do Porto e do país. São eles Nuno Cardoso, que assumiu o cargo no início de 2019; Nuno Carinhas, que desempenhou a função de diretor artístico entre 2009 e 2018; e Ricardo Pais, o “ideólogo” do primeiro Teatro Nacional criado a Norte e no pós-25 de Abril, responsável pela direção do Teatro Nacional São João (TNSJ) durante 12 anos.

De agosto de 2020 a março de 2021, a programação contempla 15 estreias, três produções próprias, quatro produções internacionais e mais de duas dezenas de coproduções, além de um reforço das propostas do Centro Educativo.

Depois de suspensa a programação prevista para os espaços geridos pelo TNSJ – que conta ainda com o Teatro Carlos Alberto (TeCA) e o Mosteiro de São Bento da Vitória – entre os meses de março e julho, a instituição garantiu o reagendamento de todas as coproduções para esta nova temporada de 2020/2021 e ainda o acolhimento de novos espetáculos nacionais e internacionais.

O Centenário do São João conta com o apoio do BPI e a Fundação “la Caixa”, o primeiro acordo de mecenato estabelecido em oito anos e que envolve um investimento de 100 mil euros em 2020 e prevê a possibilidade de renovação até 2022.

Aplicação de um rigoroso plano de contingência

O TNSJ apostou num rigoroso plano de contingência que garante a segurança de público, artistas e colaboradores. As principais medidas incluem a desinfeção rigorosa das salas e espaços comuns, através de técnicas de nebulização com recurso a solução desinfetante certificada para o efeito; a redução da capacidade das salas: 200 pessoas no TNSJ e de 100 pessoas no TeCA, aplicando-se o princípio de dois lugares de intervalo entre espectadores (ou grupos de espectadores coabitantes), e sinalética criada para o efeito que permite manter o distanciamento social. Antes do início do período de ensaios, os elencos de atores e intérpretes serão testados à covid-19, enquanto que a equipa do TNSJ foi já submetida a testes serológicos.

O controlo das salas será feito de forma rigorosa, com o apoio dos assistentes de sala. O São João disponibiliza ainda gel desinfetante em vários pontos dos seus edifícios e garante a sistemática desinfeção das instalações sanitárias. É obrigatório, quer para o público quer para toda a equipa, o uso de equipamento de proteção individual.

Arranque da temporada com o Teatro da Palmilha Dentada

O arranque dá-se já no próximo mês, no dia 6 de agosto, com a estreia de O Burguês Fidalgo, a partir de Molière, uma coprodução da companhia portuense Teatro da Palminha Dentada e TNSJ que estará em cena no TeCA até 23 de agosto. Segue-se a produção própria do São João, Castro, de António Ferreira, com encenação de Nuno Cardoso, que se estreou no Teatro Aveirense, aquando do arranque do Centenário, reforçando a política de descentralização da Casa.

O primeiro “exercício” da companhia quase residente do TNSJ sobe ao palco do São João entre 20 de agosto e 12 de setembro. Castro prossegue, depois, uma longa temporada fora de portas, com apresentações no Convento São Francisco (Coimbra), no dia 15 de outubro, e no Theatro Circo (Braga), no dia 23 de outubro. No início do próximo ano, o espetáculo pode ser visto no Centro Cultural de Belém (Lisboa), entre os dias 21 e 22 de janeiro, sendo que depois embarca em “voos” internacionais, apresentando-se, entre 5 e 6 de fevereiro, no Théâtre National du Luxembourg.

António Ferreira, Jean Genet e Samuel Beckett nas produções próprias

Depois de se apresentar enquanto diretor artístico do TNSJ com um dos textos matriciais da modernidade teatral – A Morte de Danton, de Georg Büchner – e, logo após revisitar um cânone da dramaturgia clássica portuguesa em Castro, o encenador Nuno Cardoso encena uma das obras mais ambíguas e terríveis de Jean Genet: O Balcão, misto de comédia erótica, drama metafísico e farsa fúnebre, a apresentar entre 4 e 21 de novembro, no TNSJ.

No dia 7 de março de 2021 – um ano após o arranque das comemorações do Centenário do Teatro São João –, estreia-se, no TNSJ, À Espera de Godot, de Samuel Beckett, que ficará em cena até dia 27 de março, Dia Mundial do Teatro. A produção própria da Casa conta com a encenação de Gábor Tompa, presidente da União dos Teatros da Europa (UTE), instituição que reúne alguns dos mais sonantes teatros europeus e do qual o TNSJ é o único representante nacional.

Companhias portuenses estreiam-se no Teatro Nacional da cidade

Comédia de Bastidores

Para além de O Burguês Fidalgo, os espaços geridos pelo Teatro São João acolhem ainda as estreias “reagendadas” dos espetáculos de algumas das mais emblemáticas companhias da cidade Invicta. Numa coprodução ASSéDIO e TNSJ, o encenador Nuno Carinhas regressa para, juntamente com João Cardoso, estrear Comédia de Bastidores. Partindo do autor anglófono mais representado em todo o mundo, Alan Ayckbourn, e recuperando a tradução de Paulo Eduardo Carvalho, de 1997, o espetáculo ganha agora uma segunda vida no Porto.

Ao longo dos próximos oito meses de programação, vai ser possível compreender, sob um novo olhar, a obra Antígona, de Sófocles, com o Teatro Experimental do Porto ou “viajar” até Florença do século XVI para refletir sobre a fragilidade da condição humana face ao poder e a sua capacidade de dissimulação, com Lorenzaccio, do Teatro do Bolhão; celebrar as duas décadas de existência da companhia Circolando, com 20.20; explorar a Língua Gestual Portuguesa como veículo primordial de comunicação, com Língua, da Estrutura; assistir ao fim de tudo, com a Família Inglesa da Mala Voadora; ou ser transportado para um grande estúdio de gravação, com As Três Irmãs, do Ensemble – Sociedade de Actores.

O regresso de O Olhar de Ulisses e a celebração da união além-fronteiras

Bajazet

Graças ao programa internacional O Olhar de Ulisses – iniciativa promovida pelo TNSJ e apoiada pela operação NORTE 2020 – vai ser possível assistir às criações de nomes incontornáveis do teatro europeu. Bajazet, considerando o Teatro e a Peste, de Frank Castorf, histórico diretor do teatro Volksbühne, em Berlim, propõe um teatro da palavra a partir dos textos de Jean Racine e Antonin Artaud. A estreia nacional dá-se no São João, nos dias 17 e 18 de dezembro. Já entre 8 e 9 de janeiro, o TNSJ acolhe Qui a tué mon père, uma história biográfica de um pai, com base nas turbulentas memórias de infância de um filho. O espetáculo conta com interpretação e encenação de Stanislas Nordey, diretor do Théâtre National de Strasbourg.

Integrado no já histórico Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP), o TeCA recebe KAMP, uma criação de Herman Helle, Pauline Kalker, Arlène Hoornweg, que se mantém em repertório há 15 anos. O espetáculo da companhia Hotel Modern, que propõe uma viagem pelo quotidiano do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, pode ser visto nos dias 9 e 10 de outubro.

Fruto do acordo de cooperação celebrado entre o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, o Ministério da Cultura de Portugal e o TNSJ, KastroKriola, de Caplan Neves, com encenação de Nuno Cardoso, é apresentada entre 7 e 9 de março, no Salão Nobre. O projeto culmina uma residência artística de artistas e técnicos cabo-verdianos no TNSJ, em trabalho estreito com Nuno Cardoso e a equipa do São João.

Maratona de Tchékhov com Tónan Quito e regresso de Ricardo Pais

Talvez Monsanto (foto: Luís Porto)

Com mais de 20 coproduções previstas até março de 2021, o palco do TNSJ prepara-se para acolher, a nova criação de Tónan Quito, que mais uma vez se “serve” de Anton Tchékhov, desta feita da adaptação de quatro das suas peças, para apresentar A Vida Vai Engolir-vos. O espetáculo-maratona, que convoca as peças maiores do repertório tchekhoviano, divide-se em duas partes que se apresentam alternadamente nos palcos do São João (18 e 19 de setembro) e do Rivoli (17 e 19 de setembro).

Depois de apresentar uma das mais marcantes produções do TNSJ, Turismo Infinito, no dia em que se assinalou o arranque das comemorações do Centenário, Ricardo Pais regressa a “casa” com talvez… Monsanto. Esta “coreografia” de sinais, gestos, imagens e sons, que representa a imensa tristeza e ao mesmo tempo alegria de ser português, resulta de uma expedição pela aldeia histórica da beira. O espetáculo, que conta com a atriz Luísa Cruz e o fadista Miguel Xavier, sobe ao palco do São João de 3 a 5 de dezembro.

Mítico ciclo “Dancem!” regressará em janeiro

Desde 1996, com intermitências várias, o ciclo Dancem! regressa no próximo ano. Dancem!21 congrega três espetáculos que, de alguma forma, trabalham uma ideia de paisagem. Em Sons Mentirosos, peça para crianças de Sofia Dias & Vítor Roriz, uma paisagem sonora falsa, mas que parece natural, é criada por um foley, um artista para quem os sons são matéria moldável. A coreógrafa Né Barros prossegue uma pesquisa recorrente em torno da paisagem e do corpo como paisagem em Neve. Autópsia, de Olga Roriz, interioriza nos solos iniciais dos seus intérpretes toda a dor causada por mão humana inscrita em seis paisagens do planeta (Chernobyl ou a ameaçada Antártida, por exemplo).

Cem anos do São João para descobrir em dezembro

O TNSJ inaugura, em dezembro, uma exposição sobre os seus 100 anos, que contemplará diversos eixos temáticos – da arquitetura à história do edifício e dos seus usos, passando pela relação com a cidade e a história do país. O encerramento da exposição, em março de 2021, coincidirá com a publicação de um catálogo, que fixará em livro o trabalho realizado e o arquivo visual e literário que foi objeto de tratamento e exibição, mobilizando documentos escritos, testemunhos, registos fotográficos e objetos encontrados.

Ímpeto editorial não para: Empilhadora em curso

O TNSJ coloca ainda em movimento, nesta nova temporada, a Empilhadora, uma nova coleção que reúne títulos de história e estética teatral, ensaio e biografia. O projeto avança com dois títulos: O Repúdio do Conhecimento em Sete Peças de Shakespeare, de Stanley Cavell, filósofo norte-americano que nos guia, com mestria, pelos meandros de um “mapa do ceticismo” que recobre os destinos de algumas das mais imorredoiras personagens do teatro universal; e Olhai a Neve a Cair, de Roger Grenier, um livro despudoradamente rendido ao prazer infundido pela obra de Tchékhov.

Aposta no projeto educativo

Em ano de Centenário, o projeto educativo do TNSJ continua a ser reforçado. Entre as várias iniciativas agendadas, como é o caso de espetáculos, leituras, oficinas ou ações de formação, serão ainda apresentados publicamente os resultados dos Clubes de Teatro Sub-18 e Sub-88, com Once Upon a Time, nos dias 11 e 13 de dezembro, no São João. Já o projeto Visitações, que mobiliza alunos, professores e equipa artística do TNSJ, arranca em novembro e terá como tema “Liberdade”, estando as sessões públicas agendadas para 24 e 25 de abril, no Mosteiro de São Bento da Vitória.

 

 

Texto: Central de Informação / Etc e Tal jornal

Foto de destaque: João Tuna

Fotos: Central de Informação

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