O nome de Maria Antónia Viana já é conhecido dos leitores mais assíduos do “Etc e Tal”. Na edição do passado mês de julho, demos a conhecer uma das facetas desta verdadeira Mulher dos “sete instrumentos”, ou seja, a sua atividade de “estátua viva”, a qual tem vindo a desenvolver pelas ruas de diversas localidades.
Só que as atividades desta artista – na verdadeira aceção da palavra – não se ficam por aí, e se já tínhamos uma ideia da sua vocação virada para o artesanato, ficamos com todas as provas, quando, recentemente, fomos surpreendidos com alguns dos seus trabalhos publicados no Facebook.
É verdade, a Maria Antónia Viana deu a conhecer, a partir de Monte Gordo (Algarve), onde atualmente reside, algo que lhe diz muito, que lhe é muito especial, e que, de imediato, cativou quem foi levado a conhecer os “bonequinhos” expostas na referida rede social.

A sua história quanto ao caminho que começou a percorrer pelo mundo do artesanato tem muita coisa que se lhe diga, e ela revela-o, contando-o, na primeira pessoa do singular:
“Quando entrei para a Universidade e eles me tiraram a Bolsa, e como tinha de dar de comer aos filhos vivendo, nessa altura, momentos de muita contenção, decidi – isto em 2001/02 -, iniciar esta minha atividade de artesã. E a verdade, é as pessoas, desde logo, gostaram dos meus trabalhos, até que, em 2004 participei pela primeira vez numa feira, que foi realizada em Évora, onde obtive o segundo o lugar ex-áqueo com outra artesã. Foi algo de muito importante para mim.
Mas, a partir de uma certa altura, e por motivos de ordem particular, tive que parar um pouco com a atividade, se bem que, já ante,s ela não fosse muito regular, uma vez que tinha que conciliar o artesanato com os estudos”.
O REENCONTRO COM AS SUAS PRÓPRIAS PEÇAS…
Maria Antónia Viana, passados uma série de anos, acabou por ser surpreendida por uma familiar com alguns dos seus trabalhos, facto que a levou a dar a conhecer, ou a reconhecer, as suas obras ao grande público, através do Facebook.
“As peças que publiquei no Facebook, e que o «Etc e Tal» se interessou em divulgar, são do início da minha atividade como artesã. E isto porque uma tia minha, a residir em Lisboa, e já com oitenta e tal anos, decidiu entregar-me as peças que me tinha comprado, isto para eu as revender, ou ficar com elas.
Aproveitei a oferta e agora estou a restaura-las. As que se encontram nas imagens já foram alvo desse processo de restauro, mas tenho mais que precisam, entre outras coisas, de serem pintadas. Só que “há duas peças, pelas quais me apaixonei por completo e dificilmente as colocarei à venda, que é a «mulher a lavar a porta», e as «duas mulheres cuscas».
“Hoje, dificilmente, voltaria a fazer peças nesse estilo”, refere Maria Antónia Viana, explicando que “esse estilo revela aquilo que foi o início da minha atividade, há cerca de 18, 19 anos, e jamais regressarei a essa forma de artesanato, pelo que são peças únicas.”
E é assim esta artesã, uma Mulher que ama a vida, a arte, e muitas das pessoas que a rodeiam…
“Quero deixar, aqui, no «Etc e Tal», gravado o nome de duas artesãs amigas. A Sandra Cristina Duarte, que reside em Espinho, e que muito tem divulgado o artesanato que se faz neste país, tendo criado, inclusive, o grupo “Colecionadores de Santos e Presépios”. Agradeço a divulgação que ela tem feito aos meus trabalhos. Ela trabalha em vidro e faz peças em 2D muito, mas muito, giras.
A segunda pessoa, é a Mara Rosa, que tem trabalhos também admiráveis, mas num tipo de artesanato mais intelectual, não são tão óbvios como os de cariz popular, mas mais digamos que inteligentes. Fiz com ela uma exposição há dois anos”.
Ora, ficam, então, mais imagens dos trabalhos da autoria de Maria Antónia Viana, com, diga-se de passagem, uma vertente religiosa muito acentuada. Se o leitor ou leitora estiver interessado em alguns desses trabalhos, é favor contactar o nosso jornal. Neste mundo, temos de ser uns para os outros”… onde é que já ouvi isto?!
Texto: José Gonçalves
Fotos: Maria Antónia Viana e pesquisa Google
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