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O dia em que o Presidente da República abriu, “com honra e com prazer”, as portas à “Feira da Liberdade”… que também é do Livro, e do Porto, como do Porto foi a Revolução Liberal

A Feira do Livro do Porto é também, este ano, e pelo que ouvimos e vimos na cerimónia oficial de abertura, realizada na tarde do passado dia 28 de agosto, uma Feira da Liberdade. E logo quando se comemoram os 200 anos da Revolução Liberal do Porto.

Foi diferente esta “cerimónia de abertura”, isto se tivermos em conta um momento excecional, que aconteceu no auditório da Biblioteca Almeida Garrett.

De resto, e como já se torna habitual, o Presidente da República, acompanhado por Rui Moreira, fez o seu percurso pela Avenida das Tílias e manteve o contacto com algumas das largas centenas de pessoas presentes no local. Não houve abraços, só selfies. As regras antiCovid estão lá e são visíveis, como visível foi, nesse dia, o bom comportamento social … excetuando um caso, também ele, de “liberdade”… e, neste caso específico de “expressão”.

 

José Gonçalves                   Francisco Teixeira

(texto *)                                     (fotos)

 

E foi, precisamente, Marcelo Rebelo de Sousa, na apresentação do livro “1820.Revolução Liberal do Porto”, de José Manuel Lopes Cordeiro – que ele próprio prefacia -, que protagonizou o momento da tarde, ao dar uma verdadeira lição sobre as lições que o “Liberalismo” deu e tem dado, isto numa intervenção efetuada no anfiteatro da Biblioteca Municipal Almeida Garrett.

Intervieram também Rui Moreira, Nuno faria (coordenador da Feira do Livro do Porto), e o autor do livro.

Para o professor, a Revolução Liberal “foi e é nacional, mas foi e é do Porto. Sem o Porto teria havido triunfo do liberalismo, mas seria muito mais difícil” realçando o facto da Revolução Liberal ter sido, ao longo dos tempos, e de propósito, esquecida pelo País, o País que “conta-a a correr, em alguns minutos de uma aula. Trata-a a correr, em algumas linhas ou parágrafos daquilo que é dito sobre a nossa história política e contemporânea. Esquece-a, as mais das vezes, porque esquece o liberalismo e a pioneira afirmação de liberdade. No fundo, porque pensa que a liberdade já conquistada é algo de adquirido e eterno”.

E os aplausos no final da “aula” de Marcelo Rebelo de Sousa, que não esteve como que “confinado” à imagem de Chefe de Estado, não foram arrancados a ferros, muito pelo contrário; o professor foi aplaudido de pé.

A plateia (meio auditório por regras de segurança profilática) sentiu fundo a sua intervenção, isto antes de ele cumprir o trajeto habitual pela Avenida das Tílias, onde se encontram instalados, até ao dia 13 de setembro, os 120 stands da “Feira do Livro”, a tal que é também “uma expressão de liberdade. De liberdade de expressão! Isto, num ano de liberdades. Depois do confinamento, depois de sacrifícios, sofrimento, padecimento de toda a ordem, há espírito de libertação quando se reativa a cultura, praticamente reduzida ao grau zero da sua possibilidade de manifestação que viveu durante meses”. Palavras do Presidente da República, que abriu a “aula” referindo que “é uma honra e um prazer estar no Porto. Falar no Porto é falar de Liberdade!

E depois, foi, então, a, já aguardada, visita aos stands da Feira, com centenas de pessoas  a dele se abeirarem para a “selfie” do momento. Marcelo Rebelo de Sousa registou-se, ou deixou-se registar, “milhentas” de vezes…

RUI MOREIRA E A ADESÃO À FEIRA NO PRIMEIRO DIA: “IMPRESSIONANTE!

E com largas centenas de pessoas espalhadas pela “artéria” principal dos jardins do palácio de Cristal, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, não ficou indiferente a essa adesão que considerou “impressionante”, dando como explicação o facto de as pessoas estarem “cansadas de não terem que fazer, de não terem acesso ao livro… de não terem acesso à cultura”.

E salientou, a propósito, que “isto não é apenas uma feira do livro, é também um festival literário, com música, animação para todas as idades”, não se esquecendo de frisar que a “Feira” é “muito importante para livreiros, editores e para todos aqueles que têm passado um péssimo tempo durante toda esta fase da pandemia. Mas também é muito importante para os cidadãos do Porto”.

MULHER INTERPELA MARCELO: “QUEM MANDA É O GOVERNO OU O PRESIDENTE DA REPÚBLICA?

Foi uma tarde de festa, é verdade, mas também de alguma contestação (“alguma”… é favor) protagonizada por uma cidadã que se abeirou do Presidente da República e, durante cerca de um quarto de hora, o confrontou com as suas opiniões, em nada abonatórias quanto à política que está a ser desenvolvida pelo atual Governo.

O monólogo foi o seguinte…ainda que não por completo, mas com as “reações” mais significativas.

Mulher (M)Por que é que o Presidente da República não muda as coisas? Quem manda? É o Governo ou o Presidente? Você tem de mandar o Governo cair!”

Presidente da República (PR) – Quem faz as leis…

M –Por que é que não empurra essa gente que nos está a fazer morrer? Por que é que tive de assistir a um suicídio de um colega meu há uma semana, porque não aguentava a pressão do País.

PR – Mas, eu… dou-lhe a resposta…

M Temos que pagar tudo e ninguém nos ajuda. Por que é que ajudam a TAP e os hotéis e a nós que somos microempresários não nos ajudam? Diga-me por quê, senhor presidente.

PR – Eu dou-lhe a resposta: porque os portugueses…

M – … Mais: porque tenho de comer pão?

M Eu não votei neste Governo.

PR – Mas votou a maioria.

M Isto foi como tudo fosse programado.

PR – Votou a maioria, o que é que eu hei-de fazer?

M Tome uma atitude pelo povo, em nome do povo… em nome das crianças…

PR – Quem vota é o povo…

M – …Não, não é o povo. Então, porque é que o primeiro-ministro (Passos Coelho) entrou, e 24 horas depois já estava lá o António Costa lá dentro? Por quê? Por que é que no resto da Europa usam um ordenado mínimo de mil e tal euros, e nós não saímos dos quinhentos. Quando tinha quatorze anos já ganhava isso. Parou ali. Os ordenados pararam.

PR – Então, convença o povo a votar de forma diferente, nas próximas eleições.

M Ninguém consegue viver com 580 euros por mês. O senhor consegue?

PR – Eu devo dizer o seguinte…

MQuando entramos em pandemia: 300 euros por mês?! Consegue? Quer trocar? Você vem para a minha casa e eu vou para a sua. Quer?

Pois. A verdade é que não é nada habitual um Presidente da República, como referiu Marcelo Rebelo de Sousa, “interromper o protocolo e estar ali a debater de forma viva com uma pessoa. Isso é liberdade!”

Findo este inesperado “encontro” e respetivo monologo, o Presidente continuou o seu caminho, comprou entre uma série de obras, alguns livros a um euro, e ficou agradado com o que viu, isto sem que antes, e a convite de Rui Moreira, saboreasse um “fininho”.

GRANDE CAPACIDADE DE IMAGINAÇÃO…

“Conhecendo alguns pavilhões nos últimos anos”, o Presidente da República reparou, como disse, “em qualquer coisa que muda para melhor. Para já, houve uma grande capacidade de imaginação”. Com esses atributos, a verdade, é que para Marcelo Rebelo de Sousa considerou “obrigatória” esta visita, considerando ser um “escândalo” não visitar um local onde há espaços para que se possa comer, ouvir apresentações de livros; espaços com qualidade única de enquadramento natural”, mas que tem uma lotação máxima de 3 500 visitantes, elogiando, assim, os organizadores, pelo facto de realizarem um evento, “o que não é fácil num ano de pandemia”.

Sobre este assunto, Rui Moreira foi mais longe:

“Colocar de pé um evento como a Feira do Livro numa fase de pandemia implicou encontrar soluções para os desafios que se colocaram. O maior desafio teve a ver com o pensamento estratégico de uma feira que, este ano, tinha de ser diferente. Nós prevíamos ter menos afluência de editores e livreiros, que acabou por não suceder. Mas, tínhamos esta enorme dificuldade de garantir que o recinto podia ser utilizado em condições de segurança. E, ao mesmo tempo, conseguirmos que as atividades, anteriormente muito concentradas em determinados espaços, podiam ser espalhadas pelos Jardins do Palácio de Cristal”.

Rui Moreira que, no passado sábado (29ago20), descerrou a placa que atribui uma Tília de homenagem à poeta portuense Leonor de Almeida, consagrada nesta edição da Feira do Livro.

E foram assim os primeiros dias da sétima edição da Feira do Livro do Porto, organizada pela Câmara Municipal, e que teve na “liberdade” algo de importante, por certo, para ativar a “Alegria Para o Fim do Mundo”… mote do evento deste ano.

FEIRA DO LIVRO DO PORTO 2020INFORMAÇÕES ÚTEIS

Foto: Miguel Nogueira (Porto.)

Horários

Segunda a quinta-feira: 12h00 – 21h30

Sexta-feira: 12h00 – 23h00

Sábado: 11h00 – 23h00

Domingo: 11h00 – 21h30

Medidas de prevenção

A Feira do Livro do Porto aplica orientações destinadas à prevenção e mitigação dos riscos associados à propagação da Covid-19. Por isso, a lotação do recinto será limitada a 3.500 pessoas em simultâneo, e a circulação pelos Jardins do Palácio de Cristal condicionada durante este período.

Respeite os acessos de entrada e saída, caminhe sempre pela direita e mantenha a distância de segurança. Desinfete as mãos com frequência e deposite máscara e luvas nos caixotes assinalados.

Acesso aos pavilhões e interação comercial

O uso de máscara é obrigatório. A organização da Feira do Livro disponibilizará a todos os stands luvas descartáveis para o manuseamento dos livros expostos por parte dos visitantes. O atendimento presencial é individual e dá-se preferência aos métodos eletrónicos de pagamento.

Atividades em espaços fechados

O uso de máscara é obrigatório e devem ser cumpridos os circuitos de entrada e saída. A lotação dos espaços é limitada e não é permitido retomar o lugar caso abandone a sala.

Foto: Miguel Nogueira (Porto.)

Bilhetes

Todas as atividades da programação da Feira do Livro são de entrada gratuita mas terão uma lotação limitada. Nos eventos que se realizam na Concha Acústica, Lago dos Cavalinhos, Ilha e Terreiro do Lago a entrada é feita mediante ordem de chegada, até se atingir a lotação.

Para os eventos na Biblioteca Municipal Almeida Garrett deve ser feito o levantamento do bilhete 1,30 horas antes do início das atividades, no Balcão de Informações da Biblioteca. A entrega será limitada a dois bilhetes por pessoa.

Para os Debates e Quintas de Leitura, que decorrem no Auditório do Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota, assim como para os Concertos de Bolso, no Terreiro da Casa do Roseiral, o levantamento de bilhetes pode ser feito 1,30 horas antes do início, igualmente limitado a dois ingressos por pessoa.

Lotação dos espaços

Auditório do Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota: 265 lugares

Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett: 95 lugares

Salão Independente da Biblioteca Municipal Almeida Garrett: 15 lugares

Sala Infantojuvenil da Biblioteca Municipal Almeida Garrett: 18 lugares

Terreiro da Casa do Roseiral: 120 lugares

Concha Acústica: 100 lugares

Lago dos Cavalinhos: 120 lugares

Ilha: 20 lugares

Terreiro do Lago: 80 lugares

 

 

Todas as informações e o programa da Feira do Livro do Porto encontram-se no site oficial da Feira do Livro e no Facebook.

 

 

 (*) com “Porto.” em informações suplementares de interesse.

 

01set20

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