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O Poder do Amor

Fernanda Ferreira

 

 

Andava a joaninha a passear no jardim, irradiando o brilho e graça do vermelho pintalgado das suas pequenas asas.

De vez em quando, lançava-se em pequenos voos para pesquisar o espaço, pousar nas coloridas folhas que mordiscava, faminta, e nas flores de inebriantes aromas.

Tão distraída no seu agradável passeio, nem se apercebeu que se preparava para chover.

Distração grave, porque o seu fato vermelho de pintinhas podia ficar desbotado e ela magoada pela intensidade da chuva.

Ping … … … Ping… … Ping… ping .. ping . ping ping cheeeeeeeeeeeeeee… e a chuva chegou, molhando tudo intensa e rapidamente, apenas permitindo à joaninha abrigar parte do corpo.

A pobre quase ia com a enxurrada, mas lá se conseguir manter agarrada à folhinha duma rosa, que lhe serviu de resguardo.

A chuvada foi bastante forte e longa e, quando findou, a terra estava cheia de poças e regos de água como pequenos lagos e rios. Tinha de ter cuidado, porque não sabia nadar. Apenas boiava com muito desconforto, quando se desequilibrava e ficava virada de patas para o ar. Era uma posição humilhante e perigosa, porque se podia afogar.

Com cuidado, acercou-se duma poça para ver se as suas antenas estavam muito despenteadas e… Oh! …Que susto!…. Que tristeza! Tinha perdido todas as pintinhas pretas da asa que tinha ficado a chuva.

E agora, o que iria ser dela? Todos iriam troçar da sua figura.

Triste como uma noite sem estrelas, chorou encolhida, escondida entre as folhas dum lírio roxo, tão roxo como os seus olhos de tanto chorar.

Um pássaro que andava por ali à procura insetos para se alimentar, ouviu-a e, como teve muita pena da sua infelicidade, não só não a comeu, mas até se propôs ajudar.

-Não estejas assim triste! Vou ver se consigo ajudar-te. Espera até eu voltar!

E partiu ligeiro, procurando por toda a parte, junto à terra, nas flores, nas árvores e arbustos, qualquer ajuda para aquela infeliz.

Foi uma tarefa longa e muito difícil de encontrar alguém com a competência necessária, porque só quem tivesse grande sabedoria e um coração muito caridoso o conseguiria ajudar.

Já muito fatigado, mas guiado pelo coração, chegou a uma árvore iluminada por pirilampos e donde uma vozinha, tilintante como pequenos sininhos, lhe falou:

-Eu sou a fada madrinha de todos os insetos. Só fico visível para quem o coração generoso e puro, como tu. Vou ajudar-te a levar de volta a felicidade da joaninha. Pega no chapeuzinho duma bolota e enche-o deste pó mágico que te dou. Depois, volta para junto da tua protegida e faz o que o teu coração indicar. Se errares, ela ficará sem pintas e morrerá de vergonha e tristeza, mas se fores guiado pelo amor, ela recuperará e ficará tua amiga para sempre.

Regressado ao local onde a joaninha se escondeu, disse:

-Não chores mais! Trago aqui a solução para te curar desse desgosto. Deixa-me abraçar-te e polvilhar com este pó mágico que te trouxe com muito carinho. Quero ver-te novamente feliz.

E deu-se o milagre! As pintas voltaram, mais firmes e belas que as outras e o improvável acontece.

Desde então todos ficavam admirados quando os viam, porque a joaninha e o pássaro se tornaram amigos inseparáveis.

 

(Artigo reeditado)

 

Fotos: pesquisa Google

 

01set20                                                                 

 

 

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